Técnica Individual - Art. 16

- Toque de Bola Acima da Cabeça, para o Levantamento e para a Defesa.

 

- Para a Defesa.

 

Até o artigo 15, o Toque de Bola acima da Cabeça foi focalizado especificamente para o Levantamento. Neste e a seguir, vamos abordá-lo especificamente para a Defesa. Veremos que é bem diferente. Requer uma postura de expectativa, posicionamento em relação à bola, velocidade de reação e de movimentos, técnica para o amortecimento do impacto da bola, enfim, uma série de aspectos relacionados a defesa.

 

- Postura de Expectativa.

O jogador, de modo geral, se prepara para a defesa de uma bola cuja trajetória pode ser extremamente rápida, em comparação com a de um saque, por exemplo. Logo, sua postura é intermediária, isto é: entre a da defesa por manchete e a da defesa por toque.

Na figura a seguir, a visa lateral da Postura de Expectativa. O arco tracejado (em vermelho) simboliza o campo de movimentação dos braços:

(a) é a básica;

(b) representa a posição para a defesa com a manchete;

(c), para a defesa por meio do toque.

 

 

 

 

Nota

O jogador não sabe a velocidade da trajetória da bola. Logo, prepara-se em uma postura cômoda e que propícia mudanças rápidas (velocidade de movimentos).

 

- As Pernas e Pés - em boa base, com afastamento equivalente a largura dos ombros e com uma dos pés a frente do outro.

- Tronco - semi-flexionado em relação à bacia.

- Braços e Mãos - a frente do tronco, semi-flexionados, com ante-braços e mãos na altura da cintura; de maneira que o jogador encontre facilidade de abaixá-los para executar uma manchete ou elevá-los para executar um toque (fig. anterior).

 

- No Momento da Defesa.

O movimento do tronco e dos braços é o contrário ao do toque para o levantamento. Na figura a seguir, um tentativa de exemplificar. O tronco e os braços realizam um movimento de frente para trás. Importantíssimo: de maneira alguma deixar a bola passar da linha da cabeça (linha vertical tracejada em vermelho), a fim de não perder os apoios do tronco e das pernas.

 

 

 

- As Pernas e Pés - na medida do possível, ajustam-se em relação à trajetória da bola, mantendo-se o afastamento das pernas e um pés na frente do outro.

- Tronco - o jogador, na execução do toque, eleva e inclina - naturalmente - o tronco, ligeiramente, para trás, num movimento contínuo.

- Braços - espera a chegada da bola com os braços ligeiramente semi-flexionados e, na chegada da mesma, realiza a flexão dos ante-braços sobre os braços.

- Mãos - espalmadas, amortece o impacto da bola pela ação dos dedos.

 

O objetivo é o de amortecer o impacto da bola e, na medida do possível, impulsionando-a para o alto:

- entre a o ponto em que está posicionado e a rede (máximo 1,5 m).

- entre o ponto em que está posicionado e o companheiro, que pode estar no bloqueio ou também no posicionamento de defesa.

Nos diagramas a seguir, dois exemplos relacionados ao discernimento tático individual que os jogadores devem ter para um bom aproveitamento na defesa.

No da esquerda, J2 está posicionado para o bloqueio e J1 para a defesa. No caso de defesa, J1 deve tentar fazer com que a bola fique entre sua a linha (vertical tracejada em azul) e a que divide a quadra em duas metades (vertical tracejada em azul clarinho). Repare que J2 sai de seu posicionamento no bloqueio para fazer o levantamento (seta tracejada em vermelho).

No da direita, o caso em que não há bloqueio. J2 realiza a defesa e deve tentar fazer com que a bola fique entre sua linha (vertical tracejada em vermelho) e a que divide a quadra em duas metades (vertical tracejada em azul clarinho). Repare que, nessa situação J1 está se deslocando para realizar o levantamento (seta tracejada em azul).

Em ambos os casos, a bola deve ficar distante em relação à rede, pelo menos 1,5 m.

 

 

 

 

Nota

Defender a bola para outros pontos, ou seja, muito próxima da rede, à esquerda do companheiro de defesa e/ou de bloqueio, dificulta a ação subseqüente; o levantamento e, por conseguinte, o contra-ataque.

 


- Situações de Jogo em que o Toque é utilizado na Defesa.

 

- Defesa de bolas atacadas por quaisquer dos meios, ("lob", "caixinha", etc.), desde que caracterizado como ataque; a regra oficial estabelece como ataque qualquer bola enviada da quadra adversária com exceção do saque e do bloqueio. Importante na defesa desses golpes o toque tem que ser perfeito.

 

Nota

Em função do que reza a regra, o saque - embora seja golpeado com extrema potência - não é considerado ataque. Por conseguinte, não pode ser recepcionado/defendido com o toque acima da cabeça.

 

- Defesa de bolas atacadas por meio de cortada potente.

A regra do vôlei de praia é pouco conclusiva a respeito do Toque. A avaliação sobre a validade dos Toque é interpretativa, cabe exclusivamente aos árbitros. Para o levantamento, por exemplo, é bastante restritiva; o toque só é considerado válido quando absolutamente correto, perfeito. Na defesa, a interpretação leva em consideração a velocidade da trajetória da bola.

- bola atacada por meio de cortada potente em que a trajetória da bola é extremamente veloz, o toque é válido ainda que imperfeito;

- bola atacada por outros meios ("lob", "caixinha", etc.), o toque tem que ser perfeito.

 

Nota

Existe uma situação bastante peculiar ao vôlei de praia e muito freqüente: a manobra chamada - por brasileiros - de "Reco-Reco" ou apenas por "Reco". O jogador-bloqueador sai do bloqueio, recuando para o centro da quadra. Diante de uma cortada potente, ele pode defendê-la com o toque, ainda que imperfeito. Em ataques em que a trajetória da bola não é rápida, o toque tem que ser perfeito.

 


- Características Essenciais para o bom aproveitamento da defesa por meio do Toque Acima da Cabeça.

 

- Posicionamento em relação à Bola.

Independentemente da velocidade da trajetória da bola, é extremamente o posicionamento em relação à mesma. São aspectos importantes:

1 - Na medida do possível, posicionar-se rigorosamente em frente à trajetória da bola. Isto é, com o eixo do corpo de frente para bola e tocá-la acima da linha dos ombros. Na representação gráfica a seguir, vemos as linhas do eixo do corpo e as linhas dos ombros e de cintura. A bola azul significa o ponto correto, que possibilita o toque perfeito. As demais, vermelhas, pontos em a bola não deve ser tocada. De modo geral, os árbitros consideram infração à regra. Exceto em bolas atacadas, por meio de cortada, com extrema potência.

 

 

 

 

2 - Executar o toque quando a bola estiver a frente do eixo do corpo (linha tracejada em vermelho). Na figura a seguir, três pontos distintos da bola.

(1) - ideal, o jogador conta com o apoio dos braços, tronco e pernas.

(2) - não ideal, a bola está passando pelo eixo do corpo do jogador; a tendência é de que a bola suba após o toque.

(3) - inviável, o jogador não dispõe de qualquer apoio para executar o toque.

 

 

 

 

- Velocidade de Reação e de Movimentos.

O discernimento tático individual é propriedade fundamental. Possibilita ao jogador conseguir se posicionar adequadamente em relação à bola. Uma vez no posicionamento correto, o jogador tem que ter a capacidade:

- de reagir o estímulo da bola vindo em sua direção (velocidade de reação);

- realizar troca de movimento (velocidade de movimento); por exemplo, do posicionamento do corpo e dos braços para uma defesa com a manchete para uma com o toque.

 

- Amortecimento da bola.

A trajetória da bola e o impacto que esta resulta solicita do defensor grande capacidade para amortecê-la. Para isso, alguns procedimentos devem ser observados.

1 - Não fazer os movimentos dos braços e mãos em sentido contrário ao da bola; resultam em rebatida da bola. Na figura a seguir, duas maneiras de proceder. À esquerda, a correta, os braços e ante-braços flexionam no sentido do eixo do corpo; na da direita, a incorreta o movimento é inverso, isto é de extensão.

 

 

 

 

2 - Na medida do possível, acomodar a bola com toda a superfície das mãos e dos dedos. Diante do impacto forte de uma cortada potente, suportar o impacto ceder ligeiramente com o movimento de extensão dos punhos (para trás), sobre os ante-braços.

 

 

 

 

3 - Também na medida do possível, ajudar com os dedos (músculos extensores) o amortecimento do impacto da bola.

 

Concluindo. A velocidade da trajetória da bola, em jogos de alta competitividade, alcança até mais de 80 km/h. Logo, a ação de defendê-la por meio do toque requer muita habilidade. A observação de todos os itens mencionados anteriormente. Mais: em virtude do rigor com que o toque é avaliado pelos árbitros, o jogador na dúvida se conseguirá ou não executá-lo corretamente, deve unir as duas mãos e tentar fazer a manchete invertida. Alguns jogadores (as) utilizam um artifício interessante; executam a manchete com um punho cerrados unido a u'a mão espalmada.

 

Continuação no art. 17, com considerações importantes para o Treinamento do Toque para a Defesa

 

Home

Ir para Menu Vôlei de Quadra

  Ir para Menu Estratégias/Táticas DO Sistema Ofensivo - Vôlei de Praia  

 

Ir para Menu Estratégias/Táticas do Sistema Defensivo - Vôlei de Praia

Ir para Menu Vôlei de Praia