Técnica Individual - Art.12

 

- Exercícios para a Aprendizagem e o Aperfeiçoamento dos Meios de Ataque - Parte VI.

- Sequência de Exercícios no 09.

 

- Objetivos: - coordenação entre a aproximação para o ataque, o salto e os golpes na bola;
 

- equilíbrio do corpo - no ar - para a execução dos golpes;

 

- execução o ataque após o toque da bola no bloqueio.

Em sequências anteriores (07 e 08), foram apresentados exercícios para a aprendizagem e o aperfeiçoamento da técnica individual dos meios de ataque, após a recepção do saque e a defesa, respectivamente. O objetivo com os exercícios desta tem em vista a aprendizagem e a aperfeiçoamento da execução dos meios de ataque, após o toque do bloqueio.

É uma situação de jogo que requer, de ambos os jogadores, procedimentos táticos individuais essenciais, para facilitar a execução da técnica individual. Ocorre com elevada frequência e que nem sempre resulta em ataque eficaz e, consequentemente, em ponto; ora em virtude de erros táticos, ora por causa de erros técnicos.

Deve ser treinada detidamente e, na medida do possível, de modo sistemático. É ação difícil de ser executada. Muitos treinadores e atletas não se dão conta de fatores importantes e que influem para a eficácia da ação. Por exemplo.

A - Após o toque no bloqueio a bola toma direções imprevisíveis.

B - O levantamento ocorre no segundo toque.

C - O jogador-levantador (JD), além de ser rápido no deslocamento para alcançar a bola, deve considerar as condições do jogador-bloqueador (JB), a fim de executar o levantamento mais apropriado.

D - O jogador-bloqueador tem que se deslocar rápida e inteligentemente para possibilitar o levantamento.

E - Uma vez recebendo levantamento, considerar que é um ataque em condições desfavoráveis, em relação ao bloqueio adversário. Mais do nunca é necessário alcançar a bola no ponto mais alto possível e atacá-la com o meio, entre todos, o mais apropriado.

 

No grupo de diagramas a seguir, as quadras têm os mesmos pontos do bloqueio. O mesmo ponto de ataque (colchete verde na quadra oposta). Estão divididas em setores: no sentido transversal (em três terços) e no longitudinal (em duas metades). O jogador-bloqueador (JB) sai do bloqueio e desloca para os mesmos pontos. O jogador-defensor (JD) executa o levantamento de três pontos diferentes: do terço central (no diag. 1), do terço final (diag. 2) e do terço inicial, próximo à rede (diag. 3). Todos os três pontos situados na metade à direita do bloqueio-ataque. O intuito é o de chamar atenção para as atribuições de JB e JD.

JB – deslocar-se após o bloqueio, com máxima velocidade, para o ponto em que faz a aproximação final do ataque, a fim de realizá-la com, pelo menos, duas passadas.

JD – Deslocar-se, com máxima velocidade, para alcançar a bola, após o toque no bloqueio, a fim de se posicionar bem para executar o levantamento. Deve considerar: quanto mais afastada da rede, mais alta a mesma deve sair do ponto em que executa o levantamento; de maneira que chegue alta no ponto do ataque.

 

 

 

     

Nota

As linhas tracejadas, entre o JD e o ponto do ataque, simbolizam o ângulo no qual o levantador executará o levantamento. Em outras situações de jogo semelhantes, como veremos a seguir, ele diminui consideravelmente.

 

No grupo de diagramas a seguir, a representação gráfica para exemplificar a situação do levantamento quando a bola toca no bloqueio e fica na mesma metade da quadra em que é realizado o mesmo. Repare que o ângulo da trajetória da bola é bem fechado. É absolutamente imperativo que JB consiga sair do bloqueio e recue abrindo além da linha lateral (setas tracejadas em vermelho). De modo possibilitar ângulo favorável à passagem da bola, vinda do levantamento.

 

 

 

 

Agora, vamos ver o que ocorre quando o JD não consegue recuar abrindo para receber a bola (recua em linha reta). Aproveitando os mesmos elementos dos diagramas anteriores. No diag. 7, o levantamento executado da meia metade à direita em relação ao ponto em que o bloqueio é realizado; o ângulo, para o levantamento, e a faixa para o ataque, diminuem. No diag. 8, JB tem que, de qualquer maneira, abrir para a esquerda de maneira que o levantamento seja possível; repare que no levantamento a trajetória da bola é, praticamente, perpendicular em relação ao ponto do ataque. JB recebe a bola vinda da sua retaguarda, ou seja, em condições inviáveis para o ataque.

 

 

 

 

Nota

 

É muito comum a bola ricochetear no bloqueio e sair dos limites da quadra. Requer raciocínio, tanto de JB quanto de JD. No diag. 9, o levantamento vindo da direita. A bola tem que sair, das mãos do levantador, bem alta de maneira que chegue alta no ponto do ataque. No diag. 10, uma situação bastante complicada; o levantamento à esquerda do ponto do bloqueio. JB tem recuar, perpendicularmente, em relação à rede, até, mais ou menos, a linha de JD. Esperar a saída da bola para, então, começar sua aproximação para o ataque. Detalhe: a trajetória da bola não deve ultrapassar a linha perpendicular em relação ao ponto em que JB se posiciona para fazer sua aproximação para o ataque.

 

 

 

 

Os exercícios que serão apresentados a seguir levarão em conta essas observações. Ou seja, é necessário observar os procedimentos mencionados. Embora sejam de natureza técnica, procedimentos táticos individuais influem para o sucesso da ação como todo.

 

140 – O treinador/colaborador, posicionado na quadra oposta. Lança a bola de maneira que a mesma passe cerca de 50 cm acima do bordo superior da rede. Em diferentes pontos da quadra e em diferentes alturas, simulando um toque no bloqueio. Neste exato momento, o jogador-bloqueador (JB) recua abrindo para o ponto em que faz a aproximação para o ataque e o jogador-defensor (JD) se desloca e executa o levantamento. Os jogadores trocam de funções – alternadamente – de acordo com a determinação do treinador.

A mecânica dos exercícios: JB (realiza os exercícios, tanto na entrada quanto na saída da rede), no bloqueio, recua abrindo, e executa o ataque; JD, executa o levantamento dos pontos de defesa (PD1, pd1b, etc.) mostrados no diagrama a seguir.

 

1º. Movimento:
de pd1a para PA2
de pd2a para PA1

2º. Movimento:
de pd3a para PA2
de pd4a para PA1

3º. Movimento:
de pd5a para PA2
de pd6a para PA1

4º. Movimento:
de pd1b para PA2
de pd2b para PA1

5º. Movimento:
de pd3b para PA2
de pd4b para PA1

6º. Movimento:
de pd5b para PA2
de pd6b para PA1

7º. Movimento:
de pd1a para PA1
de pd2a para PA2

8º. Movimento:
de pd3a para PA1
de pd4a para PA2

9º. Movimento:
de pd5a para PA1
de pd6a para PA2

10º. Movimento:
de pd1b para PA1
de pd2b para PA2

11º. Movimento:
de pd3b para PA1
de pd4b para PA2

12º. Movimento:
de pd5b para PA1
de pd6b para PA2

 

Nota

Os movimentos mencionados anteriormente estão de acordo com o seguinte critério: dos pontos em que o levantamento é mais simples para o mais difícil: pd1a e pd2a...pd3a e pd4a... pd5a e pd6a. Depois os pontos B. Em todos eles o levantamento é executado na metade da quadra oposta à que realizado o bloqueio. Portanto, o jogador-levantador faz o levantamento para sua frente.

Os movimentos (descritos em vermelho) são de execução mais complicada. O levantamento é executado na mesma metade da quadra em que ocorre o bloqueio. Logo, os procedimentos apresentados nas observações iniciais terão que ser colocados em prática.

 

O ataque (do exercício 140) é por meio de cortada, no centro do terço final da quadra oposta.

141 – Mesma mecânica do ex. 140, com o ataque por meio de cortada, na paralela, no terço final da quadra oposta.

142 – Idem 141, com o ataque na diagonal, no terço final da quadra oposta.

143 – Mesma mecânica do ex. 142. O ataque por meio de “Lob”, na paralela, no terço final da quadra oposta.

144 – Idem 143, ataque por meio de “Lob”, na diagonal.

Nota

O “Lob” pode ser executado com a palma da mão aberta (semelhante à cortada) e/ou com o punho cerrado (“soco”).

145 – Mesma mecânica dos exercícios anteriores. O ataque por meio de “Cut”, na paralela, no terço inicial da quadra oposta.

146 – Idem 145, com o ataque na diagonal.

Nota

O "Cut"/ “Caixinha”, da mesma maneira que o “Lob” pode ser executado com a palma da mão aberta (semelhante à cortada) e/ou com o punho cerrado (“soco”).

 

147 – A mesma mecânica dos exercícios anteriores. Agora, um colaborador, na quadra oposta, segurando uma tabuleta (para simular o bloqueio), rigorosamente em frente do corpo do atacante. O ataque é por meio de Cortada em qualquer ponto da quadra oposta.

148 – A mesma mecânica, com o ataque por meio de “Lob”, na paralela, no terço final da quadra oposta.

149 - Idem ex. 148, com o ataque, na diagonal, no terço final da quadra.

150 - A mesma mecânica, com o ataque por meio "Cut"/"Caixinha" na diagonal fechada, ou seja, no terço inicial da quadra oposta.

151 - Mesma mecânica, com o ataque por meio de "Shot"/Meia-Batida, na paralela.

152 - Idem ex. 151, com o ataque por meio de "Shot"/Meia-Batida, na diagonal.

152 - Mesma mecânica, ataque com Soco, sobre a tabuleta de modo que a bola caia no terço incial da quadra.

 

- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.

 

1 – Os exercícios sugeridos têm em vista a aprendizagem e o aperfeiçoamento dos meios de ataque. Todavia, é excelente oportunidade para a aprendizagem de procedimentos táticos individuais. A execução correta depende de ambos os elementos. Isto é, o acerto tático individual é essencial para a correta execução do ataque. Partindo desse pressuposto, é extremamente importante atentar para as observações feitas no início do artigo. A seguir o que cabe a cada qual.

- Jogador-Bloqueador (JB):

a) – sair do bloqueio com velocidade máxima para o ponto em que faz a aproximação final para o ataque;

b) – fazer a aproximação final com passadas largas (pelo menos duas);

c) – saltar com a maior impulsão e equilíbrio possíveis;

d) - golpear a bola bem acima do bordo da rede e/ou do bloqueio, a fim de poder executar qualquer um dos meios de ataque; o mais conveniente;

 

Notas

- No momento em que o atacante golpeia a bola, tem que ter a possibilidade de atacar por meio de cortada, golpe em que a bola deve estar mais alta. No exato momento do golpe, ele opta pelo meio mais conveniente. É comum o atacante deixar a bola cair (do ponto ideal) para executar “lobs”, “caixinhas”, golpes típicos de “largadas”. Não é o ideal. O adversário percebe. Descarta a defesa da cortada em prepara-se para a defesa de outros golpes. Repetido: a bola tem que estar alta no ponto de ataque, de maneira que sejam possíveis todos os meios. Na medida do possível, imprimir uma trajetória de cima para baixo.

- Para esse fim, é extremamente importante a utilização da tabuleta. O colaborador que segura a mesma deve postar-se rigorosamente em frente ao corpo do atacante.

 

 

 

 

 

- Jogador-Defensor (JD):

a) – deslocar, com velocidade máxima, para a bola após o toque no bloqueio, de maneira poder fazer um bom levantamento;

b) – considerar a movimentação de JB, a fim de adequar o levantamento às condições do mesmo, ou seja, se JB estivar atrasado, deixar a bola cair e levantá-la por meio de manchete ou alçá-la mais alta;

c) – em qualquer circunstância, sobretudo em pontos mais distantes da rede, a bola deve sair alta do ponto do levantamento de modo que chegue alta no ponto de ataque e, com isso, possibilite a execução de qualquer um dos meios de ataque; nada pior que receber uma bola baixa, levantada do fundo da quadra;

 

2 – É extremamente complicado o ataque de bolas levantadas do fundo da quadra e/ou da mesma metade da quadra em que é realizado o bloqueio. Requer discernimento tático individual de ambos os jogadores. No Menu Estratégias/Táticas – Vôlei de Praia, do artigo 12 ao 35, você pode encontrar tudo – detalhadamente – a respeito dos procedimentos na levantada e no ataque.

3 – Vale lembrar. A potência do ataque não é importante no processo de aprendizagem. O mais importante é justamente a aprendizagem correta dos meios de ataque. Com o decorrer do aperfeiçoamento global do atleta a potência será desenvolvida, paulatinamente. A execução incorreta é fator limitante grave, que afeta a performance de atletas; até os de alto nível.

 

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