Técnica Individual - Artigo 24

Relação Bloqueio-Defesa.

Nos artigos anteriores foram focalizados os Elementos de Tempo relacionados ao Bloqueio. Clique nos links abaixo para rever.

 

Art. 20 - Bloqueio - Elementos relacionados ao Tempo - Parte 1
Art. 21 - Bloqueio - Elementos relacionados ao Tempo - Parte 2
Art. 22 - Bloqueio - Elementos relacionados ao Tempo - Parte 3
Art. 23 - Bloqueio - Elementos relacionados ao Tempo - Parte 4

 

Na apresentação do assunto, mencionei repetitiva e enfaticamente a compreensão, por treinadores e atletas, de que o Bloqueio é parte de um Sistema. Que deve ser vinculado à Defesa tendo em vista o rendimento final do Sistema Defensivo.

Logo, dentre as atribuições do Bloqueador uma de grande importância é a de propiciar Ponto de Referência ao Jogador-Defensor (JD). Ou seja, ocupar um espaço na rede, de cerca de um metro, de modo que o Jogador-Defensor se posicione de acordo. Na representação (de arquivo) a seguir, temos o espaço mencionados nas metades esquerda e direita. Este espaço, cerca de 1 m é compatível a um jogador de cerca de 2 m, com os braços afastados.

Nota Importante

Este espaço varia de acordo com o ponto em que a bola é atacada. Pode ser bem na extremidade como mais ao centro da rede.

 

 

 

O Jogador-Defensor, baseado neste espaço, se posiciona.

Na metade Esquerda da Rede:

Para o Ataque na Diagonal - à direita da mão direita do bloqueador;

Para o Ataque na Paralela - à esquerda da mão Esquerda do bloqueador.

 

Na metade Direita da Rede:

Para o Ataque na Diagonal - à esquerda da mão esquerda do bloqueador;

Para o Ataque na Paralela - à direita da mão direita do bloqueador.

 

Nota

Os Pontos de Referências mencionados na visão do Jogador-Defensor, de frente para a rede. A representação a seguir, a ideia é dar uma noção da visão de JD.

 

 

 

Do posicionamento adotado, de acordo coma percepção de JD, ele se move mais à frente/atrás/à direita/mais à esquerda. Nos diagramas a seguir, os posicionamentos de JD para a defesa da bola atacada na metade Esquerda (diag. 1) e na metade Direita.

As linhas cheias vermelhas na rede (em ambos os diagramas) representam o Espaço que o Bloqueador Ocupa (EBO).

As quadras estão divididas em três terços: Inicial (mais próximo à rede), o Médio e o Final.

JD deve se posicionar no Terço Médio, no centro da Meia Metade da Quadra. Seu ponto de referência é, como mencionado anteriormente, as mãos do bloqueador. Portanto é variável, isto é um pouco mais para os lados, um pouco mais à frente, um pouco mais atrás.

Nos exemplos dos diagramas, ele está em ponto equidistante a todos os pontos cuja a defesa é sua atribuição: terço inicial e final da meia metade da quadra em que está posicionado (setas inclinadas pontilhadas em vermelho). E ao ponto para qual se deslocará para a defesa da bola atacada na paralela (setas horizontais tracejadas em vermelho).

 

 

 

O Jogador-Defensor (JD), assim como o Jogador-Bloqueador (JB), deve ter discernimento tático individual a fim de ajustar seus posicionamentos de acordo com algumas circunstâncias.

Nota

Atualmente o discernimento tático, mencionado acima, é popularmente conhecido como "Leitura".

 

1 - Circunstâncias em que o atacante adversário faz sua Aproximação Final para o Ataque.

Quando o atacante faz uma boa aproximação tem todas as possibilidades de ataque. Ao contrário, quando atrasa-se ou antecipa-se, pode ter dificuldade para atacar por meio de cortadas potentes. No caso, JD pode optar por descartar as cortadas e se preparar para os demais tipos de golpe.

2 - A qualidade do salto para o ataque. Quando conseguem saltar bem, o máximo de acordo com sua possibilidade, a tendência é que haja todas as possibilidades de ataque, e que os mesmos sejam de cima para baixo. Ao contrário, quando deixa a bola cair, a possibilidade do bloqueio aumenta e as trajetórias se tornam mais lentas.

Na representação a seguir, duas trajetórias de, por exemplo, um Lob. Quando o Ponto do Ataque (P.A.) é mais alto a trajetória da bola pode ser retilínea, portanto, mais rápida.

 

 

 

2 - Características do Atacante Adversários.

Alguns atacantes possuem todos os golpes e os executam de modo eficaz e com elevada regularidade. Outros, não, têm características marcantes (ataca mais para a diagonal, mais para a paralela, usa mais largadas, etc.), limitações, insegurança, etc. De acordo com tais características JD pode:

- decidir guarnecer um dos lados da quadra;

- posicionar-se mais à frente ou mais atrás;

- descartar a defesa das cortadas com maior potência e priorizar ataques por meio de "cuts", "lobs", meias-batidas, etc.

 

3 - Proximidade da bola em relação à rede.

A bola pode ser levantada mais próxima ou mais afastada da rede, por opção tática e/ou por erro. Em alguns casos (erros) a bola chega tão próxima à rede que é amplamente favorável ao bloqueador. Enfim, JD tem elementos para ajustar seu posicionamento de acordo. Por exemplo.

1 - A bola corretamente levantada em relação à rede:

a - aumenta a probabilidade do ataque por meio de cortada potente;

b - as trajetórias da bola são mais rápidas nos demais tipos de ataque, por exemplo, "cuts", "lobs", meias-batidas;

c - é possível as "exploradas" do bloqueio.

2 - Mais afastada:

a - aumenta a probabilidade do ataque por meio de "largadas" e/ou cortadas potentes mais para o fundo da quadra (terço final);

b - é mais susceptível aos erros.

 

4 - Tipo da Bola.

Algumas duplas têm diferentes estratégias ou táticas eventuais de ataque. Atacam, por exemplo, por meio:

- bolas Altas nas Extremidades da Rede (mais alongadas/mais curtas);

- bolas Altas no Terço Central da Rede;

- Meias-Bolas nas Extremidades da Rede;

- Meias-Bolas no Terço Central da Rede;

- bolas "Chutadas" nas Extremidades da Rede (mais alongadas/mais curtas).

 

As circuntâncias mencionadas ajudam na tomada de decisão, também, tanto de JB quanto de JD. Variam de acordo com o nível de competitividade. Nos campeonatos disputados por equipes de alto nível, a frequência de imperfeições e erros é muito menor; as equipes treinam buscando a perfeição. De qualquer maneira, o treinamento deve tem em vista:

1 - estabelecer uma estratégia defensiva e alternativas táticas com prodimentos técnicos/táticos individuais, tanto para JB quanto para JD;

2 - treinar exaustivamente esses procedimentos de modo consolidá-los;

3 - capacitar tecnicamente os jogadores para o desempenho desses procedimentos.

 

 

- Conclusão.

Nos artigos anteriores vimos os Elementos relacionados ao Tempo no Bloqueio. Resumindo, são procedimentos do Jogador-Bloqueador (JB):

1 - observar atentamente a aproximação final, o salto e os movimentos do tronco e dos braços, de modo perceber a intenção do atacante, ou seja, que tipo de ataque e a qual direção que o mesmo pretende dar à bola;

2 - decidir acertadamente o momento que deve saltar para o bloqueio;

3 - executar corretamente o fundamento, o bloqueio, do salto até a colocação dos braços sobre a rede (na angulação adequada) com máxima velocidade de movimentos;

4 - ocupar espaço de cerca de 1 m, no ponto máximo da impulsão, pelo qual o Jogador-Defensor se orientará para adotar seus procedimentos;

5 - movimentar os braços, no tempo adequado (nem antes nem depois do golpe pelo atacante adversário), a fim de interceptar a passagem da bola.

O rendimento do Sistema Defensivo resulta da capacidade individual de JB e de JD. Suas ações devem ser interligadas, vinculadas, coordenadas.

 

No próximo artigo da série farei sugestões para o Treinamento com vistas a Consolidação da Estratégia Defensiva.

 

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