Estratégias/Táticas - Art. 42

- Cobertura de Ataque.

- Cobertura de Ataque para Combinações de Ataque.

- Combinações com 3 Atacantes - com 2 Atacando Bolas de Tempo e 1 do Fundo.

 

As Combinações de Ataque com 2 Atacantes no Primeiro Tempo e 1 do Fundo, não têm sido utilizadas - de modo sistemático - por equipes de alta competitividade. Quais as razões?

1 - Com a implementação da regra que instituiu o Líbero, as equipes o utilizam, sempre, na Recepção do Saque.

2 - O atacante da Terceira Bola (A5, no diagramas a seguir), participa da recepção do saque.

3 - Resta apenas o outro atacante de Ponta/Receptor (A2, nos diagramas a seguir) para o ataque do Fundo.

Nada impede que o Ataque do Fundo seja utilizado. Vejamos de que maneira.

1 - Pelo atacante Central, ocasião da recepção do saque (se o mesmo tiver aptidão para tal).

2 - Pelo outro atacante de Ponta/Receptor (A2, nos diagramas a seguir), tanto por ocasião da recepção do saque quanto em contra-ataques. Obviamente, o mesmo tem que possuir alta capacidade para realizar todas essas funções.

Por essas considerações, no voleibol atual, as equipes de alta competitividade realizam, sim, as mencionadas combinações. Só que de modo esporádico. Por isso, vale abordar o raciocínio que deve nortear a constituição da Cobertura de Ataque; por sinal com o mesmo princípio, ou seja, o mais simples possível.

No grupo de diagramas a seguir:

Diag. 1, a Ordem de Saque, de maneira facilitar o posicionamento dos jogadores. As funções de cada qual.

1 - o Levantador (L).

4 - o Oposto, um dos atacantes da bola de Primeiro tempo.

2 e 5 - os atacantes de Ponta/Receptores.

3 e 6 - os Centrais, atacantes de bolas de Primeiro Tempo.

 

Diag. 2, o um exemplo de combinação. A4 na Cabeça Frente, A3 na Cabeça Atrás, A5 na terceira bola, "Chutada" na Entrada da Rede (pos. 4) e A6 no ataque da Bola do Fundo pela pos. 1.

Diag. 3, os posicionamentos de todos os jogadores no momento em que a bola é levantada (com círculos em cores claras).

Diag. 4, a disposição da Cobertura para o ataque da Bola do Fundo. Repare que é a mais simples possível. A4 e A3, que não recebem a bola e o Levantador (L) formam a primeira linha; todos já estão na Zona de Ataque. Na segunda linha, A2 (que permanece no mesmo ponto em que se posiciona para a recepção) e A5 que recua do ponto em faria a aproximação final (linha tracejada em vermelho); repare que o deslocamento mais longo é deste último.

 

 

 

Vejamos a variação na qual o atacante da Bola do Fundo é o outro atacante de Ponta/Receptor (A2). O atacante Central, que está na recepção do saque, é substituído pelo Líbero (L), destacado em vermelho.

No diag. 2b, a movimentação de A2. Depois de recepcionar o saque, recua de modo poder fazer uma boa aproximação, e parte para o ataque (número, círculo e seta em azul claro).

A disposição para a cobertura do ataque, repare, não muda. A4, A3 e o Levantador (L) cobrem na primeira linha. A5, que recua do ponto em que estava no momento do levantamento e o Líbero (L) formam a segunda linha. Estão destacados com a linha tracejada em vermelho, os deslocamentos mais longos; de A5 e A4.

 

 

 


 

Vejamos outro exemplo. Nos diagramas a seguir:

Diag. 5, como sempre, a Ordem de Saque. Repare que é um rodízio anterior em relação ao utilizado no exemplo anterior.

As funções de cada qual.

1 - o Levantador (L).

4 - o Oposto, um dos atacantes da bola de Primeiro Tempo.

2 e 5 - os atacantes de Ponta/Receptores.

3 e 6 - os atacantes Centrais, atacante de bolas de Primeiro Tempo.

Diag. 6, o desenho da combinação. A4 na "Chutada" de Meio, A3 na Cabeça Atrás, A2 na Terceira Bola, "Chutada" na Saída da Rede (pos. 2) e A6 no ataque da Bola do Fundo pela pos. 6.

Diag. 7, os posicionamentos de todos os jogadores no momento em que a bola é levantada (com círculos em cores claras).

Diag. 8, a disposição da Cobertura para o ataque da Bola do Fundo. Repare também que é muito simples. A4 e A3, que não recebem a bola e o Levantador (L) formam a primeira linha. Todos já estão na Zona de Ataque. Na segunda linha, A5 (que permanece no mesmo ponto em que se posiciona para a recepção) e A2 que recua do ponto em faria a aproximação final (linha tracejada em vermelho); repare que o deslocamento mais longo é deste último.

 

 

 

 

Agora, vejamos outro exemplo. A6, atacante Central é substituído pelo Líbero (L). O Ataque do Fundo é pelo A5, atacante de Ponta/Receptor, que está na recepção do saque. Ele desempenha duas funções: recepciona o saque e ataca do fundo pela pos. 6.

No Diag. 7b, o ponto em que todos os jogadores se encontram no momento do levantamento (números e círculos grafados em cores claras).

No Diag. 8b, a disposição da cobertura. Na primeira linha A4, A3 e L, que já estão na Zona de Ataque. Na segunda linha, A2, que recua do ponto em faz a aproximação final, e Líbero (L) , que faz pequeno deslocamento.

 

Nota

Importante. A disposição também é bem simples. Não há muita movimentação. A maior dificuldade: A4 e A3, no momento do levantamento, estão no ar, prontos para o ataque de Primeiro Tempo. Logo, têm que pousar e se posicionarem na formação da cobertura.

 

 

 

 

Utilizei algumas Combinações de Ataque como exemplo. Outras podem ser elaboradas, criadas. Um ponto a considerar: possuir jogadores com capacidade para executar. Os exemplos apresentados têm em vista contribuir para expor o raciocínio que pode contribuir na elaboração de uma Cobertura de Ataque eficiente, de simples execução, etc.

 


 

Ainda como exemplo. As equipes femininas utilizam a "China com 1 Pé na Saída da Rede", com uma das Bolas de Primeiro Tempo. Nos diagramas 1 e 2, a representação da combinação.

No diag. 8, A4 ataca a Cabeça Frente e A3 a "China" com 1 Pé na Saída da Rede (destacada com a seta tracejada em verde). A5 a Terceira Bola na entrada da rede (pos. 4). A2, que está participando da recepção do saque, é o atacante da Bola do Fundo pela pos. 6.

No diag. 9, os pontos em que todos os jogadores se encontram no momento do levantamento (grafados e com círculos em cores claras).

No diag. 10, a disposição dos jogadores na cobertura. Na primeira linha A4, A2 e L, que já estão na Zona de Ataque. Na segunda, A5 e o Líbero (L) fazem deslocamentos curtos.

 

 

 

 

Repare que o raciocínio é o mesmo: mínimo possível de deslocamentos. Aproveitamento de jogadores próximos ao ponto em que o ataque é realizado. Vale relembrar. Nas combinações com 2 Atacantes nas Bolas de Primeiro Tempo, a missão mais difícil é dos mesmos. No momento do levantamento estão no ar. Devem pousar e se dirigirem, o mais rapidamente possível, para seus postos na cobertura.

 


 

- Cobertura de Ataque - Conclusão.

Na apresentação da Cobertura de ataque utilizei, pela ordem, as disposições para o ataque de tipos de bolas mais comuns, uma a uma, de modo isolado. Depois, combinações com uma bola de tempo e uma rápida nas extremidades da rede. Na continuidade, combinações de ataque, com rodízios com 2 atacantes e com 3 atacantes na rede e, nestas últimas com 1 atacante do fundo. A intenção foi a de demonstrar de que maneira as disposições são elaboradas e os elementos que norteiam suas concepções.

Tive a preocupação de "pecar" pelo excesso. Para cada combinação apresentei um grupo de diagramas ilustrativos com maior detalhamento possível.

1 - Nos primeiros, uma ordem de saque aleatória, a fim de que se possa acompanhar a distribuição dos jogadores.

2 - Nos segundos, a representação gráfica da combinação, ou seja, a disposição dos jogadores por ocasião da recepção do saque, o posicionamento do levantador e, através de linhas tracejadas e setas, a movimentação de cada atacante.

3 - Nos terceiros, o posicionamento dos jogadores no momento do levantamento, de maneira que se possa visualizar/comparar os pontos em que cada qual se encontra e o pontos que os mesmos se posicionam, em cada disposição da cobertura.

4 - Nos seguintes, a disposição da cobertura para cada atacante. Com toda certeza fui repetitivo.

A repetitividade pode ser até desnecessária e enfadonha, mas, no meu entendimento, indispensável. Permite a comparação entre elas e o porquê das diferenças. Enfatizei, também repetitivamente, que as disposições da cobertura, por uma série de fatores, não pode ser fixa, inflexível. Pode haver variações, de equipe para equipe e de treinador para treinador.

Alguns fatores, todavia, são extremamente importantes para uma cobertura de ataque eficiente.

1 - Considerar as características dos jogadores, por ocasião da elaboração das disposições.

2 - Exercitá-la ao máximo, de maneira que fique bem assimilada.

3 - Estimular o expediente de os jogadores tomarem iniciativas com a bola em jogo.

4 - Conscientizar os jogadores da importância da recuperação das bolas pela cobertura.

Sobre este quarto item, em Estratégias/Táticas, em artigos que abordam o ataque, estão focalizadas funções que precedem o ataque. Por exemplo, o ataque após a recepção do saque, após uma defesa, após um toque no bloqueio e, porque não, após a cobertura do ataque. Será possível reparar quantas e quantas alternativas podem ser criadas nesta circunstância.

O voleibol moderno é muito e cada vez mais dinâmico. O dinamismo resulta do encadeamento das funções do jogo. Por exemplo, a equipe recepciona o saque, levanta, ataca e cobre o ataque. Quando é bem sucedida, é ponto. Quando é bloqueada e recupera a bola pela cobertura, tem que re-atacar, isto é, levantar e atacar. No outro segmento do jogo, a equipe saca, amortece a bola com o bloqueio ou a defende, e tem que contra-atacar, isto é, levantar e atacar. Novamente, no caso de sucesso, é ponto. Quando é bloqueada e recupera a bola com a cobertura, tem que re-atacar, isto é, levantar e atacar.

Essas sucessões de ações, ataque-cobertura-re-ataque, ocorrem ao longo de todo o decorrer do jogo. A equipe que consegue realizá-las com eficiência distingue-se. Já possui um ponto altamente positivo que, acrescido de outros mais, contribui para um nível alto de competitividade.

Antes de encerrar, não poderia deixar de mencionar uma tendência. Os ataques das equipes estão e tendem a ficar cada vez mais fortes e criativos; os bloqueios, na mesma proporção, tendem a ficar cada vez mais eficazes. Logo, não é demais supor que as coberturas de ataque podem se tornar, cada vez mais, um atributo indispensável de uma grande equipe.

 

Nos próximos artigos, Exercícios para Aperfeiçoar a Cobertura de Ataque (em construção).

 

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