Estratégias/Táticas - Art. 23 a

Tática Individual

 

- Bola Alta, no Centro e nas Extremidades da Rede.

 

A Bola Alta levantada nas extremidades da rede é ação das mais comuns no voleibol, desde sua criação, ao longo dos tempos e atualmente. No início era o único meio de ataque, não havia bolas “chutadas”, de tempo, etc.


No início década de 60, algumas equipes passaram a utilizar as bolas, ditas, mais rápidas: “chutadas”, nas extremidades da rede, e de tempo, no centro da mesma. Ainda assim, algumas equipes européias a utilizavam como Opção Tática. Dispunham de jogadores com elevadas estaturas, extremamente fortes e exímios no ataque da bola alta. Com a introdução das Combinações de Ataque, pelos asiáticos, a Bola Alta passou a ser Alternativa Única, em ocasiões em que a bola não chega às mãos do levantador, na Zona de Levantamento.


Tenho como opinião que é o primeiro passo para aprendizagem dos meios de ataque. Deve ser ensinada por ocasião da iniciação, isto é, nas aulas de educação física, nas categorias de base, etc. Mais: com todos os cuidados para que seja aprendida com absoluta correção. No Menu - Técnica Individual – Vôlei de Quadra, do artigo 47 ao 52, o processo de aprendizagem da Cortada, de diferentes tipos, é focalizado, de modo detalhado, tendo em vista fornecer subsídios a professores e treinadores que desejem ministrar uma correta aprendizagem do fundamento. Também, exercícios para a aprendizagem e aperfeiçoamento da técnica, do artigo 53 ao 63. Vale dar uma pesquisada.


 

- Bola Alta no Centro da Rede.

É utilizada:

- por equipes de iniciantes em processo de aprendizagem;

- por equipes colegiais;

- por equipes de base, mirim e infantil.

 

- Trajetória da Bola Alta no Centro da Rede.


A bola sai das mãos do levantador, para cima, descreve uma curva pouco acentuada e descai, cerca de 2 metros do ponto do levantamento (p.l.). Na figura a seguir, uma representação gráfica de sua trajetória.


 

Existem algumas alterações na trajetória que podem influir na eficácia do ataque:

- Levantada sobre a cabeça do levantador (p.l.), ou um pouco mais à direita:

- para o cortador destro, não tem problema; para o canhoto torna-se uma dificuldade a mais.
Na figura a seguir, a trajetória à frente do levantador (em azul clarinho) e o ponto do ataque (cruz em vermelho) e a trajetória atrás do levantador (em azul mais escuro).

 

 

- Levantada mais à esquerda, para o cortador canhoto não tem problema; para o destro é uma dificuldade a mais.
Na figura a seguir, a trajetória à frente do levantador (em azul clarinho) e o ponto do ataque (cruz em vermelho) e a trajetória à esquerda do levantador (em azul mais escuro).

 

 

Em ambos os casos, supondo-se que o atacante partiu para a bola como o faz para a bola “normal”, o mesmo encontrará dificuldade para amoldar seu corpo para corrigir o erro no levantamento. Na representação gráfica a seguir, temos o prolongamento do eixo (tronco e cabeça) do atacante. A fim de atacar a bola (a) ele está absolutamente adequado. Nas duas outras, não; as bolas estão se afastando de seu eixo.
Na bola (b), sendo destro, ainda é possível adequar-se. Sendo canhoto, não, seu braço esquerdo está muito distante do ponto ideal para o ataque. Na bola (c), o contrário. O canhoto pode se adequar enquanto o destro tem a bola muito aquém do alcance de seu braço direito.

 

 

- Maneiras de Execução.

De modo geral, estas equipes utilizam o sistema de ataque 4 x 2. Em dois dos seis rodízios o atacante mais eficiente se encontra na pos. 3 e o levantador na pos. 2, como está demonstrado nos diagramas a seguir
A ordem de saque é a seguinte:

A4       A3       L2
L5       A6       A1

L2 e L5                      - são os levantadores

A3 e A6                     - são os cortadores/bloqueadores centrais

A1 e A4                     - são os cortadores/bloqueadores de ponta

 

Nos casos em que os cortadores A3 e A6 estão posicionados na pos. 3 e os levantadores L2 e L5 estão na pos. 2, de modo geral, a disposição na recepção do saque e, conseqüentemente, os pontos do ataque podem ser estabelecidos de duas maneiras:
no diag. da esquerda A3 se posiciona no centro da quadra e ataca a bola alta no centro da rede;
 no da direita, ele se posiciona na pos. 2 e ataca a bola alta na extremidade da rede (pos. 2).


 

No momento em que a equipe se posiciona defensivamente, A3 é bloqueador central. Logo, se posiciona no centro da rede e L2, o levantador, na pos. 2.

No caso de a defesa conquistar a posse da bola, o levantamento para A3 é, automaticamente, o da Bola Alta no centro da rede.(diag. da esquerda). Nada impede que a Bola Alta seja levantada na saída da rede (pos. 2). Desde que haja tempo para A3 se deslocar (diag. da direita).

 

 


 

- Procedimentos do Levantador.

1 – Deslocar-se, com máxima velocidade, do ponto em que estivar para se posicionar sob a bola. No diagrama a seguir a Zona de Levantamento (retângulo em verde) e pontos mais comuns (botões em verde) em que o levantador se encontra por ocasião da recepção do saque e/ou no posicionamento defensivo. Em alguns momentos, por exemplo, os em que a bola passa de um lado da quadra para o outro (transições) ele pode estar ainda mais afastado. Seja como for, tem que se deslocar com máxima velocidade para a Zona de Levantamento.

 

 

2 – Executar o toque de maneira que a bola saia de suas mãos rigorosamente sobre sua cabeça. Na representação gráfica a seguir, está demonstrada a fases que a bola descreve em sua trajetória. Ela sai verticalmente, tem seus ponto mais alto no primeiro meridiano (linha vertical tracejada) e começa a descair no segundo.

3 – De acordo que o ponto da quadra e o afastamento em relação ao atacante em que executa o levantamento, graduar a altura e o ângulo de curvatura da trajetória da bola. Por exemplo.

A – Quanto mais afastado, em relação à rede; maior altura da trajetória. Na representação a seguir, um exemplo.
Vale enfatizar que a trajetória tem deve ser suficientemente alta, independentemente do ponto em no qual o levantamento é executado, a fim de que a bola esteja no ponto ideal (de altura) para propiciar ao atacante todas as possibilidades de ataque.

 

 

B – Quanto mais próximo, em relação ao atacante; menor a curvatura da trajetória. Na figura a seguir, o ponto do levantamento próximo (p.l. em azul) ao provável ponto do ataque; a curvatura da trajetória da bola é mais fechada (azul); o ponto mais afastado (p.l. em vermelho); a curvatura é mais aberta. Repare que a altura das duas trajetórias é semelhante.

 

 

4 – Preocupar-se com a distância da bola em relação à rede. Na figura a seguir, a bola em três pontos diferentes

O da (a) não é apropriado. A bola fica ao alcance do bloqueador adversário. O atacante tem dificuldade de desviá-la do mesmo. Os movimentos do braço ficam tolhidos, com o risco de toque na rede.
O da (c) também não é apropriado. O atacante só pode direcionar a bola para o terço final da quadra oposta.

O da (b) é ideal. O atacante tem todas as possibilidades; ataque para ambos os flancos e para todos terços da quadra oposta.

 


 

5 – Após o levantamento, dirigir-se rapidamente para seu posicionamento na disposição de cobertura do ataque.

 


 

- Procedimentos dos Atacantes.

1 – Deslocar-se, com velocidade máxima, do ponto em que se encontra na quadra para o ponto em que faz a aproximação final para o ataque. No momento em que o levantamento é executado deve estar pronto para o ataque. Nos diagramas a seguir, pontos mais comuns em que o atacante da bola alta (botões em verde) se encontra, tanto na recepção do saque quanto na formação de bloqueio.

 

 

2 – Aguardar a saída da bola das mãos do levantador para então realizar a aproximação final.

3 – Executar passadas largas, a fim de conseguir um salto absolutamente vertical e equilibrado, a fim de poder dispor de todos os movimentos do tronco e dos braços.

4 – Golpear a bola sobre (um pouco à frente) do eixo de seu corpo. Mais à frente ou mais atrás do mesmo, pode influir na precisão do golpe. Ou seja, o atacante não tem a bola à sua feição.

 

 

5 – Cogitar o golpe na bola em diferentes pontos: no centro; centro-alto; no centro-direito; no centro-esquerdo. O golpe em cada um destes pontos (da figura a seguir) resulta numa trajetória diferente; o atacante deve ter habilidade para ter total controle da bola.

 

 

6 – Atentar para a angulação possível em que a bola pode ser direcionada, de acordo com bloqueio da equipe adversária.
Nos diagramas a seguir, é possível visualizar a diferença da angulação possível diante de um bloqueio simples (diag. da esquerda) e de um duplo (diag. da direita). Por isso, a importância da proximidade da bola em relação à bola e a diferenciação de golpes na bola.

 

 


 

- Procedimentos Coletivos.

 

1 - No momento em que a bola chega às mãos do levantador, todos os atacantes, da bola alta no centro e os das bolas nas extremidades da rede devem estar no ponto em que fazem suas aproximações finais.

 

2 – Executado o levantamento, todos os jogadores têm que se deslocar para os seus posicionamentos de Cobertura do Ataque. No diagrama a seguir, a disposição da cobertura.

A4 e L2 se deslocam paralelamente à rede e recuperam a bola que bate no bloqueio e volta para os lados, dentro da zona de ataque. A6 (defesa-centro) avança (seta tracejada em azul) em direção ao ponto do ataque e recupera a bola que volta atrás do atacante; os três formam um semi-círculo (tracejado em vermelho), a primeira lina da cobertura.

L5 e A1 cobrem a bola que volta em toda a extensão do fundo da quadra (semi-círculo tracejado em vermelho); formam a segunda linha da cobertura.

 

 

3 – Atacada a Bola Alta, todos os jogadore devem estar atentos às ações sucessivas:

1 – marcação do ponto;

2 – bloqueio pela equipe adversária que a cobertura do ataque recupera; a equipe tem que realizar o re-ataque;

3 – defesa pela equipe adversária, a equipe tem que realizar a transição do sistema ofensivo para o defensivo.

 

Nota

A Bola Alta no Centro da Rede, como mencionado anteriormente, é largamente utilizada por equipes de iniciantes. Nada impede que seja executada em outros níveis de competitividade. Por exemplo. A Seleção Feminina de Cuba a utilizava, já ultrapassada, com tática alternativa, ainda no final da década de 80, com a jogadora Carbajal. A razão: a mesma era a mais alta do time, golpeava a bola em ponto bem alto e era extremamente eficaz.

 

No art. 24 - Bola "Chutada" na Extremidades da Rede

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