Estratégias/Táticas - Artigo 35

 

- Estratégia/Táticas Defensivas.

 

- Estratégias/Táticas - Coletivas

- Combinações de Ataque.

A Combinação de Ataque é uma ação coletiva que envolve dois ou mais atacantes, de modo vinculado, tendo em vista a conquista do ponto por meio do ataque.

Antes de apresentá-las, considero absolutamente necessário fazer um breve histórico. Ou seja:

- como surgiram;

- porque foram criadas;

- como evoluíram

- como são realizadas no voleibol atual.

 

Até a década do 60 a equipes jogavam com Bolas Altas nas Extremidades da Rede, estratégia oriunda da Escola Européia. O maior símbolo desta época foi a ex-Alemanha Oriental (DDR), na conquista do Campeonato Mundial, em 1962.

Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, a equipe feminina do Japão conquistou a Medalha de Ouro, utilizando as Combinações com extrema eficácia. A partir de então, houve uma revolução no voleibol. Todas as equipes, femininas e masculinas, em todo o mundo passaram a adotá-las com meio efetivo de ataque.

Os europeus aliaram a velocidade, obtida com as combinações, com as elevadas estaturas e extraordinário condicionamento físico de seus jogadores. Como decorrência, as tornaram ainda mais eficazes.

Na década de 80, a Seleção Brasileira Masculina adicionou às Combinações, as bolas do tipo "Chutadas", atacadas por jogadores da Zona de Defesa, ou seja, os Ataques do Fundo. Nova revolução que perdurou por toda a década.

A última revolução foi também criada pela Seleção Brasileira Masculina. A Bola de Tempo atacada do Fundo, pela Posição 6. Nalbert, Giba e Dante, até a Olimpíada de Atlanta, em 2004, e os dois últimos, ultimamente, têm se destacado pela eficiência no ataque destas bolas.

A fim de facilitar o raciocínio pelo qual as Combinações foram concebidas, apresentarei a síntese da evolução desde sua criação até hoje.

Inicialmente, eram concebidas da seguinte maneira.

- Uma Bola de Tempo (1a. Bola), num dos terços da rede;

- central (posição 3),

- do centro para a posição 2,

- do centro para a posição 4.

Nos diagrama a seguir, estão demonstrados os pontos em que as Bolas de Tempo são levantadas, com a seta tracejada em vermelho e (A1B).

- Uma Meia Bola (2a. Bola) levantada no mesmo terço em que a Bola de Tempo é levantada. No diagrama está representada pela seta traceja em azul e (A2B). As duas bolas constituem o Centro da Combinação.

 

Nota

A intenção com a mesma é a de colocar dois atacantes contra um bloqueador; no caso os bloqueadores das extremidades encontram dificuldade para compor os bloqueio duplos, nas rede em que eram atacadas a 1a. Bola (A1b) e/ou a 2a (A2b); o Centro da Combinação (trecho entre as duas linhas verticais tracejadas em amarelo no diagrama).

 

- Uma Bola do tipo "Chutada", na extremidade da rede mais distante do Centro da Combinação. No diagrama está representado pela seta tracejada em verde (AP). Este terceiro atacante tem duas funções. Primeiramente, aproveitar-se do fato do bloqueador central encontrar-se envolvido no Centro da Combinação e, por isso, ter dificuldade para deslocar-se para as extremidades da rede e compor o bloqueio duplo. Depois, atacar a Bola de Segurança; bola alta alçada nos caso de imperfeição na recepção do saque e/ou erro na aproximação para o ataque de um dos atacantes no Centro da Combinação.

 

 

 

Como alternativa tática os atacantes da Segunda Bola (A2B) ao invés de atacarem nos pontos mencionados no grupo de diagramas anterior, passaram a mudar a rota da Aproximação Final e atacarem em pontos dos quais partiram: têm maior probabilidade de encontrarem o bloqueio simples. A intenção, a mesma. No grupo de diagramas a seguir, os exemplos representados pelas setas tracejadas em azul. Faça a comparação com os diagramas do grupo anterior.

 

 

 

 

Logo, logo as equipes passaram a estabelecer estratégias de bloqueio para neutralizar as Combinações. Europeus, com destaque para a ex-União Soviética e Polônia, criaram duas alternativas táticas, ou seja:

1 - a graduação de saltos, isto é, saltavam menos nas 1as Bolas e mais nas bolas, ditas, conclusivas (2as e 3as Bolas);

2 - a aproximação dos bloqueadores das extremidades da rede, para auxiliarem o bloqueador central.

 

Em virtude das elevadas estaturas dos jogadores e suas excepcionais técnica e tática individual no bloqueio, os europeus passaram a dominar o voleibol internacional.

No início da década de 80, outra transformação importante. A Seleção Brasileira Adulta Masculina introduziu as Bolas Atacadas do Fundo, como integrante das Combinações. Eram realizadas de modo sistemático e executadas com muito maior velocidade e do que as realizadas - esporadicamente - por algumas equipes do mundo (Polônia, por exemplo).

Os ataques passaram a ser finalizados - também - no espaço deixado pelo deslocamento do atacante da 2a Bola (A2b), por jogadores da zona de defesa. Veja um exemplo no diagrama a seguir, o Atacante do Fundo (AF) destacado em preto.

 

 

A iniciativa colocou o Brasil, muito rapidamente, entre as melhores equipes do mundo e freqüentador assíduo dos pódios das competições internacionais. Os bloqueadores das Extremidade (B4) passou a ajudar o Bloqueador Central (B3), para a execução de manobras tática, como também para a formação de bloqueios duplos, no terço central da rede. O Atacante do Fundo (AF) finaliza o ataque aproveitando-se do espaço propiciado pelo deslocamento de A2b.

No caso, a Combinação tem em vista:

1 - As duas vantagens mencionadas anteriormente;

2 - Contar com mais um atacante, aproveitando-se do afastamento do B4.

 

A seguir, as equipes passaram a utilizar, pouco a pouco e cada vez com maior freqüência, o ataque do fundo também pela posição 6. Ou seja, no sistema de ataque 5-1 todos os cinco passaram a atacar na mesma ação; foi o auge das Combinações de Ataque.

 

A partir de meados da década de 90 as Combinações com cruzamento dos atacantes na zona de ataque passaram a ser realizadas com muito menor freqüência. Três fatores contribuíram para isso:

1 - A incrível velocidade da trajetória da bola que os sacadores imprimem com o saque, obrigando as equipes recepcionarem os mesmos com até 4 passadores;

2 - A inclusão do Líbero, que tira da quadra um dos jogadores de recepção (e que pode realizar o ataque do fundo).

3 - A aumento da média de estatura dos jogadores de voleibol em todo o mundo que, sem dúvida, influencia diretamente a performance dos bloqueadores.

 

As equipes passaram a utilizar, como meio de ataque, a seguinte estratégia:

- uma Bola de Tempo, no terço central da rede;

- bolas do tipo "Chutadas", nas extremidades da rede;

- bolas - praticamente - de Tempo para o ataque dos jogadores da zona de defesa;

- esporadicamente, cruzamento de jogadores na zona de ataque.

 

Todas estas bolas são realizadas de modo vinculado na mesma ação de ataque. Ou seja: é a moderna Combinação de Ataque.

No os diagramas a seguir, um exemplo de uma Combinação nos rodízios em que contam com 3 Atacantes na Rede. Na quadra menor a ordem de saque em que o Levantador (Lev) está na pos. 1. Na maior, a representação gráfica da combinação, isto é:

- o Central (C1a), que ataca a 1a. Bola, está na pos. 3 e ataca uma bola de tempo no terço central da rede (pode atacar tanto uma "Chutada de Meio", quanto uma Cabeça Frente, quanto uma Cabeça Atrás);

- o Oposto (Op), está na pos. 4 e ataca uma Bola "Chutada" na extremidade da rede;

- o Receptor Atacante (RA), que está na pos. 2, ataca uma Bola "Chutada" na outra extremidade da rede;

- o outro Receptor Atacante (Ra), que está na pos. 5, ataca uma Bola (praticamente) de Tempo, pela pos. 6.

 

 

 

Nos diagramas a seguir, um exemplo da Combinação nos rodízios em que a equipe conta com 2 Atacantes na rede. No primeiro, a ordem de saque. No segundo, a representação da exemplificando de que maneira os jogadores são distribuídos. Na rede, um dos quais é o C1a (atacante da primeira bola) e o outro é um Receptor Atacante (Ra) - que compõe a Recepção do saque, juntamente com o Líbero (Li), o Oposto (Op) e o outro Receptor Atacante (Ra), que se encontra na pos. 1.

O ataque é realizado:

- uma Bola de Tempo no terço central da rede (C1a);

- uma bola "Chutada" na pos. 4 (Ra);

- duas bolas atacadas do fundo, pelo Op (pela pos. 6) e o outro (Ra), pela pos. 1.

Chamo atenção para o fato de que todas as bolas podem ser atacadas com intervalo mínimo de tempo entre elas. A Estratégia para com a Combinação de Ataque é a de diminuir - ao máximo - o tempo para bloqueadores e defensores se deslocarem para seus posicionamentos.

 

 

 

Nos próximos artigos serão apresentadas as Combinações de Ataque mais utilizadas e os procedimentos de todos os jogadores para a execução da Estratégia Defensiva.

 

Cont. no art. 36 com Tipo de Bolas Componentes das Combinações de Ataque

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