Estratégia/Tática - Artigo 21

- Estratégias /Tática Coletivas - Defensivas

 

- Bolas de Tempo - Parte 1

São as bolas em que o cortador salta antes do levantamento e as ataca em suas trajetórias ascendentes. A Bola de Tempo é uma componente fundamental das Combinações de Ataque.

As Bolas de Tempo foram criadas pelos asiáticos e popularizadas pelos japoneses na década dos 60. Revolucionaram o voleibol pela eficácia em ludibriar os bloqueios da tradicional escola européia. No voleibol atual são executadas por todas as equipes em todo o mundo, com diversas variações, e representam intensa "dor de cabeça" para os sistemas defensivos.

No Brasil, Bernard Razjman foi considerado o precursor e considerado um dos mais brilhantes atacantes de Bola de Tempo do mundo e em todos os tempos. Tivemos Renan Dal Zotto, José Montanaro, também grandes atacantes das bolas de tempo, respeitados internacionalmente. Atualmente Gustavo, André Eller, Rodrigão, para citar apenas alguns exemplos, todos da Seleção Brasileira, são exímios atacantes da Bola de Tempo.

Nota

Os nomes das Bolas de Tempo, no Brasil, variam de região para região. Os nomes empregados nos artigos do site são os mais populares no Brasil. Em outros países, como no Estados Unidos e Itália, recebem outros nomes ou números.

 

- Classificação das Bolas de Tempo.

O posicionamento do Levantador - de modo geral, no terço central da rede - é o ponto de referência para a classificação das Bolas de Tempo.

 

A - Quanto ao Local de Execução.

 

  - à frente do levantador: - Cabeça à Frente
1 - Próximas do Levantador    
 

- atrás do levantador   :

- Cabeça Atrás

 

- Maneiras de Execução das Bolas de Tempo, próximas do Levantador.

Existem algumas maneiras de levantamento das Bolas de Tempo que dificultam ainda mais a ação dos bloqueadores e conseqüentemente de todo o sistema defensivo. É a colocação da bola, pelo levantador, em pontos diferentes.

- Reta.

O levantador alça a bola rigorosamente à sua frente, cabendo ao cortador a escolha do ponto da quadra em que direcionará a bola, podendo ser à direita ou à esquerda do bloqueio.

- Positiva.

O levantador alça a bola ligeiramente atrás da sua cabeça, propiciando ao cortador o direcionamento do seu ataque à direita do bloqueio. O artifício dificulta a ação do bloqueador, que se coloca geralmente à frente do corpo do cortador. No caso, a bola sendo mais à direita (do cortador) sai do seu alcance.

 

Nota

O atacante salta rigorosamente à frente do levantador e seu corpo sofre um ligeiro deslocamento que o faz cair atrás da linha em que o levantador está posicionado.

 

- Esquerda.

O levantador alça a bola a cerca de 1 metro à sua frente. O cortador aproxima-se na direção do levantador e, no momento do salto, projeta seu corpo para a esquerda. A colocação da bola mais à esquerda e o movimento do corpo do cortador para a esquerda favorecem o direcionamento do ataque à esquerda do bloqueador (para pos. 1 da quadra adversária), que geralmente salta na frente do cortador.

Na representação gráfica a seguir, um visão do alto da linha central da quadra, do ponto em que o levantador se posiciona e do trajeto do cortador para as maneiras de execução das bolas. Na Reta, ele parte reto e salta na frente do levantador; na Positiva, praticament no ponto em que o levantador está posicionado; na Esquerda, ele parte como que para atacar uma Reta ou Positiva e, no exato momento do salto, realiza um giro do corpo para a esquerda.

 

 

 

Na figura a seguir, uma visão do fundo da quadra, para exeplificar as trajetórias da bola. Coloco o ponto em que o levantador executa o levantamento. A linha tracejada, em vermelho, representa o prolongamento do eixo do levantador, isto é, a linha imaginária formada pelo tronco e cabeça. A variação Esquerda, a bola é levantada cerca de 1 metro, à esquerda do eixo do levantador; a Reta, rigorosamente sobre o eixo; a Positiva, ligeiramente à direita do eixo.

 

 

 

Nota

 

- Reparem que a aproximação do cortador é praticamente igual, nas três variações da bola Cabeça à Frente. A diferença do ataque entre elas é o ponto que o levantador coloca a bola para o ataque. Na Reta, a bola é alçada ligeiramente à sua frente. Na Positiva, a bola é colocada praticamente atrás da sua cabeça. Na Esquerda, cerca de um metro à sua frente.

- Esses artifícios facilitam aos cortadores no confronto com os bloqueadores, uma vez que recebem a bola à feição para o ataque em determinada direção. Bernard Razjman, no jogo contra a ex-União Soviética travou sensacional duelo contra Savin, considerado o maior bloqueador de todos os tempos. Venceu a disputa utilizando o expediente de atacar as bolas de tempo com a variação de pontos em que as atacava. E mais, pedia a Positiva e atacava à esquerda do bloqueio; pedia esquerda e atacava à direita do bloqueio. Sem dúvida, manobra de grande habilidade e esperteza. Levou Savin ao desespero, uma vez que, acostumado às grande performances no bloqueio, não consegui bloquear coisa alguma. Após várias tentativas, sem sucesso, olhava para Bernard, coçava a cabeça, como que perguntando: "como é que esse cara consegue fazer isso?!"

- Aquela seleção, conhecida por Geração de Prata, tinha ainda Montanaro, Renan e Amauri, exímios atacantes de bolas de tempo e que usavam o artifício. Nosso aproveitamento, por conseguinte, era de quase 100% e tornou-se uma verdadeira "marca registrada" dessa equipe. à frente do Levantador.

 


 

  - à frente do levantador: - "Chutada" de Meio
2 - Afastadas do Levantador    
 

- atrás do levantador   :

- China c/ 1 Pé, na Saída da Rede

 

"Chutada" de Meio

É o tipo de Bola de Tempo em que a trajetória é um segmento de reta, de cerca de 3 metros, entre as mãos do Levantador e o Ponto em que a bola é atacada. O Levantador impulsiona a bola de maneira que sua trajetória seja a mais veloz possível. O atacante salta a cerca de 3 metros, do ponto em que o levantador se encontra e recebe a bola com seu corpo em suspensão.

Na figura a seguir, em uma visão do alto o exemplo da aproximação do cortador e o ponto em que o levantamento é realizado.

 

 

 

China c/ 1 Pé, na Saída da Rede.

É um tipo de bola em que requer extraordinária coordenação e entrosamento entre o atacante e o levantador. O atacante desloca-se como que para um ataque da bola Cabeça à Frente. Continua o deslocamento para a extremidade da rede (saída da rede). Neste momento, o levantador impulsiona a bola, imprimindo a esta um segmento de reta com bastante velocidade. O atacante golpeia a bola entre o ponto em que o levantador está posicionado e a antena, que limita a área de válida da rede (fig. a seguir).

 

 

 

Na figura a seguir, o exemplo de duas Bolas de Tempo Afastadas do Levantador. A da esquerda é a "Chutada" de Meio. Ela é levantada a cerca de 3 metros do ponto em que o levantador está executando o levantamento. Chamo atenção para o fato de que o ponto em que a bola é atacada varia de acordo com o Ponto do Levantamento (PL). Todavia, sempre aproximadamente 3 metros. A da direita é a China com 1 Pé na Saída da Rede. Ela, diferentemente da "Chutada" de Meio, é atacada bem próxima à extremidade direita da rede (saída da rede). Em ambas as Bolas a trajetória deve ser retilínea e o muito veloz.

 

 

- Variações da Bola de Tempo.

 

- 2 Tempos na Cabeça.

- "Chutada" Com.

- "China" para Trás.

- "China" para Frente.

- Beija Flor.

- Bola de Tempo atacada por Jogador do Fundo da Quadra.

 

Notas

- Estas bolas são conhecidas por esses nomes no Brasil. Tais nomes foram dados por jogadores brasileiros que, com de hábito colocam nomes e apelidos em tudo.

- Essas variações da bola de tempo, com exceção das Bolas Atacadas por Jogadores do Fundo da Quadra, são pouco ou quase nada utilizadas no voleibol atual. São duas as razões: a elevada estatura dos bloqueadores e a larga utilização das Bolas Atacadas do Fundo.

- Explicarei detidamente todas as Bolas de Tempo nos artigos em que são abordadas as estratégias/táticas para a neutralização das mesmas.

Considero muito importante a compreensão dos tipos de execução das Bolas de Tempo. Com toda certeza facilitará o entendimento dos procedimentos de bloqueadores e defensores no desempenho de suas atribuições nas diversas estratégias/táticas do Sistema Defensivo.

 

Cont. no artigo 22 com Bola de Tempo - Cabeça Frente - Procedimentos no Bloqueio

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