Estratégias/Táticas - Art. 20

- Estratégias / Táticas Defensivas

 

- Segunda Bola das Combinações de Ataque - "Meia Bola".

 

- Combinações Finalizadas do Meio para a Entrada da Rede (continuação do art. 55).

 

- Combinação Desmico da Chutada (Meia Bola na Entrada da Rede).

 

Combina a Bola de Primeiro Tempo "Chutada" de Meio com a Segunda Bola, entre o centro e a entrada da rede (pos. 4). Nos diagramas a seguir, exemplos da Combinação.

No diag. 1, a Aquela/Between (*). A3, (saindo da pos. 3) é o atacante da 1a. Bola, "Chutada" de Meio. A4, (saindo da pos. 4) é o atacante da 2a. Bola, que é atacada entre o ponto em que é atacada/levantada a "Chutada" de Meio e o Centro da Rede (pos.4).

No diag. 2, a Desmico da Chutada (*). A4, (saindo da pos. 4) é o atacante da 1a. Bola, "Chutada" de Meio. A3, (saindo da pos. 3) é o atacante da 2a. Bola, que é atacada entre o ponto em que é atacada a "Chutada" de Meio e a Entrada da Rede (pos. 4).

No dig. 3, uma variação das duas combinações; A Volta da Aquela/Betwen. A4 (saindo da pos. 3) ataca a "Chutada" de Meio. A3 (na pos. 3) simula que vai atacar a Desmico da "Chutada", troca a direção e ataca Aquela/Betwen, entre o ponto da "Chutada" de Meio e o Centro da Rede.

Nas duas representações, o Levantador está identificado com o (L).

Nota

(*) - Alguns dos nomes pelos quais são conhecidas essas combinações no Voleibol Brasileiro. Em outros países recebem nomes e/ou números.

 

 

 

No diagrama a seguir, um outro exemplo. "Mico" ou Degrau. A3, na pos. 3, é o atacante da bola de Primeiro Tempo; "Chutada" de Meio. A4, na pos. 4, ataca a Segunda Bola imediatamente por trás de A3. Está destacada, pois tem sido muito executada no voleibol atual. A bola é atacada quase que no mesmo tempo em que o é a "Chutada de Meio. Giba, da Seleção Brasileira é exímio atacante.

 

 

 

- Resumindo. As Combinações de Entrada têm como bola de Primeiro Tempo a "Chutada" de Meio. A Segunda Bola é levantada/atacada tomando-a como base. Ou seja; entre a mesma e o centro da rede e/ou entre a mesma e a extremidade da rede (pos. 4). Portando, as Procedimentos no Bloqueio e na Defesa não diferem muito de uma variação para a outra. A questão é definir a estratégia e as opções táticas. Isto é:

 

- o objetivo de B3: - saltará o máximo tendo em vista dificultar a execução da Primeira Bola;
  - saltará pouco tendo em vista o bloqueio da Segunda Bola.
   
- a atribuição de B2: - auxiliará B3 no bloqueio da Primeira Bola;
  - aguardará para bloqueio da Segunda Bola, entre a "Chutada" e Extremidade da Rede;
   
- a atribuição de B4: - aguardará para bloqueio da Segunda Bola, entre a "Chutada" e o Centro da Rede;
  - não participara no bloqueio da combinação, guardando-se para as outras bolas.

 

Noa procedimentos, dos bloqueadores e defensores, que serão mencionados a seguir, utilizaremos apenas uma das combinações. Tentaremos apresentar os argumentos para a melhor composição possível; vale lembrar que o treinador tem que avaliar a capacidade de seus jogadores qualquer que seja a estratégia/tática a ser adotada.

 


 

- Procedimentos no Bloqueio.

1 - Bloqueadores colocados na Posição Fundamental (PF), aguardam o resultado da recepção do saque.

2 - Como a bola apropriada às combinações, permanecem na PF.

3 - Definido o levantamento da 2a. Bola.

 

- Na Combinação Desmico da Chutada ("Meia Bola", entre a ponto da "Chutada de Meio e a Entrada da Rede).

 

B3 - Caso salte para o bloqueio da 1a. Bola (sua responsabilidade primeira), tem que tentar, ao tocar o solo, deslocar-se (por meio da passada com que atinge maior velocidade) para o ponto da rede em que a 2a. Bola foi levantada, a fim de tentar o bloqueio.
   
  - Caso opte por não saltar para o bloqueio da 1a. Bola, a tarefa é bem mais fácil. Desloca-se para sua direita, a fim de saltar para o bloqueio da 2a. Bola, provavelmente duplo com o B2 (diagrama a seguir).

 

 

B2

- Caso esteja auxiliando o B3 e salte para o bloqueio da 1a. Bola, tem que tentar, ao tocar o solo, deslocar-se (por meio da passada com que alcança maior velocidade) e saltar novamente para o bloqueio da 2a. Bola.

   
  - Caso não esteja auxiliando o B3 no bloqueio da 1a. Bola (Formação Aberta), deve prestar atenção na movimentação do atacante adversário e posicionar-se adequadamente para o bloqueio.

 

No diagrama a seguir, o B2 está posicionado para auxiliar o B3 no bloqueio da 1a. Bola. A seta (em vermelho) significa seu deslocamento.

 

 

Nota

Na Formação Aberta o B2 deve ficar atento, pois se a 1a. Bola for levantada e o bloqueio for individual (do B3), é de sua responsabilidade a "largada" atrás do bloqueio, dentro da zona de ataque.

 

B4 - Colocado na Formação Aberta ou na Formação Fechada, está distante do local em que a 2a. Bola é finalizada. Como é natural, desloca-se na direção da bola e encarrega-se da bola "largada" atrás do bloqueio, dentro da zona de ataque.

 

No diagrama a seguir, o B4 na Formação Fechada. A seta (em vermelho) significa seu deslocamento na direção da bola. Como dificilmente pode compor o bloqueio, o mais conveniente é cobrir a "largada".

 

 


 

- Procedimentos na Defesa.

 

1 - Defensores colocados na Posição Fundamental (PF).

2 - Com o passe apropriado às combinações, permanecem na PF.

3 - Definido o levantamento da 2a. Bola.

 

D1- Defesa da bola atacada que passa á direita do bloqueio (simples ou duplo).
 - Bola que toca no bloqueio e sai da quadra à direita.
 - Segunda ação, após a defesa de um companheiro.
 - Defesa das bolas "largadas": no centro da quadra, quando o bloqueio for simples de B2; atrás e/ou à direita do bloqueio (dentro da zona de ataque) quando o bloqueio for duplo (B3 e B2).

Nos diagramas a seguir, as áreas de atuação do D1.

No diag. 8, a área na qual o atacante pode direcionar seu ataque. É bastante estreita. Todavia, os bloqueadores, de modo geral, optam, quando no bloqueio simples, por interceptar a passagem da bola para a diagonal. Com isso, a paralela fica mais aberta e toda sob a responsabilidade de D1. A defesa bola "largada" atrás do bloqueio é de B3.

No diag. 9, já com o bloqueio duplo (B3 e B2) a faixa para ataque na diagonal pode ser mais estreita ainda. Aumenta muito a freqüência das bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra pela direita e das bolas "largadas". Sobre essa última, o B4 recupera dentro da zona de ataque e o D1 atrás da linha de ataque, até o meio da quadra, como está demonstrado na área tracejada.

 

 

D5 - Defesa da bola atacada que passa à esquerda do bloqueio (simples ou duplo).
 - Defesa da bola "largada" à esquerda do bloqueio, atrás da linha de ataque.
 - Defesa da bola que toca no bloqueio e sai da quadra à esquerda.
 - Segunda ação, após a defesa de um companheiro.

 

 

 

D6 - Defesa da bola atacada para o fundo da quadra que passa à direita ou à esquerda do bloqueio.
 - Defesa atacada por cima do bloqueio.
 - Defesa da bola que passa entre os bloqueadores.
 - Defesa da bola que toca no bloqueio e vai para o fundo ou para fora da quadra, inclusive as que encobrem os D1 e D5.
 - Segunda ação, após defesa de um companheiro.

 

Nos diagramas que se seguem, apresento representações gráficas para exemplificar os procedimentos do D6. Tanto com o bloqueio simples (do B2) quanto com o bloqueio duplo (B3 e B2), as distâncias a serem percorridas, tanto para a defesa da bola atacada para a diagonal quanto para a atacada na paralela. O D6, de acordo com sua percepção, ou por determinação tática, deve optar por coloca-se, antecipadamente, de um lado ou do outro. Como mencionado anteriormente, é muito importante a determinação tática do treinador, de acordo com as características dos atacantes adversários, e a percepção do defensor.

 

Nota

No diagrama 13, D6 deslocado, antecipadamente, à esquerda a fim de defender a bola atacada na diagonal, no fundo mais no fundo da quadra. E deslocado à direita para a defesa da bola atacada na paralela, mais no fundo da quadra.

A função do D6 é muito facilitada quando o Bloqueio é eficiente. Diminui bastante a ocorrência de bolas que, atacadas com violência, passam por cima e as que passam entre os bloqueadores. As bolas que passam pelos flancos, de modo geral, encontram os D1 e D5 - obviamente se bem posicionados. O D6, pode descartar a defesa dessas duas bolas - não significa que não vá defender - e adotar um expediente de último homem da defesa, o "homem da sobra". No caso dá prioridade as bolas mal atacadas, atacadas a meia força, as "largadas" e, sobretudo, as que são defendidas pelos companheiros e/ou as que tocam no bloqueio e saem da quadra.

É um papel de extrema importância. Nas que tocam no bloqueio (a equipe pode dar mais três toques) tem que passar a bola para a zona de levantamento, de maneira que o levantador possa realizar jogadas velozes. Nas defendidas pelos companheiros (a equipe tem só mais dois toques), é o responsável pelo levantamento, seja de que ponto for da quadra.

Um vez tomada a decisão de descartar a defesa das bolas atacadas com violência, sua postura de expectativa deve ser bem relaxada, a fim de que tenha facilidade no momento de partir para as outras bolas. Que, evidentemente, requerem extraordinária velocidade nos deslocamentos.

 

- Conclusão.

 

Os jogadores brasileiros encontram dificuldades para desempenhar suas atribuições do sistema defensivo no confronto com equipes que executam sistematicamente as Combinações Aquela e Desmico da Chutada. Não são muito utilizadas por equipes brasileiras. Embora sejam especialidades de equipes asiáticas, caracteristicamente da Coréia do Sul, torna-se necessário que, em nosso treinamento, elas sejam mais empregadas a fim de que, não só no aprimoramento do ataque, mas também - e principalmente - no sistema defensivo, consigamos superar algumas deficiências. Tanto é assim que, ainda hoje, quando vamos disputar campeonatos internacionais sentimos necessidade, de alguma forma, excursionar na Ásia com o objetivo de ficarmos uma pouco mais familiarizados com o "timing" por eles praticados nessas jogadas.

Outro aspecto importante é que a segunda bola, nas equipes de alta competitividade, é atacada por jogadores que recepcionam o saque e/ou atacantes posicionados na zona de defesa (do fundo). É mais uma dificuldade, uma vez que, os mesmos vêm "lançados", acrescentando e muito velocidade à ação ofensiva.

Com a apresentação dos procedimentos no desempenho do sistema defensivo, no bloqueio e na defesa, nas combinações Finalizadas do Meio para a Entrada da Rede, Aquela/Between e Desmico da Chutada, encerramos esta parte que tratou da Segunda Bola.

Nesta parte, que trata da tática individual, a intenção foi a de fornecer o máximo de informações, sempre com rigor no detalhamento, sobre os procedimentos individuais que os jogadores têm que ter no desempenho do sistema defensivo. Como mencionado anteriormente, são elementos fundamentais que ajudam o jogador a tomar decisões durante o jogo; é com se diz no popular, o "saber jogar".

Em artigos anteriores, focalizamos todas os outros tipos de bola existentes no voleibol, desde a Bola Alta nas Extremidades da Rede até as Bolas de Tempo. Nos artigos que se seguirão abordaremos as Estratégias e Táticas Coletivas. Ou seja, todas as bolas distribuídas de modo coordenado nas Combinações de Ataque. Acredito que a compreensão do assunto será muito mais fácil, uma vez que já partiremos de uma boa base.

 

Cont. no art. 21, com Bolas de Tempo

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