Estratégias/Táticas - Art. 14

- Estratégias / Táticas Defensivas

 

- Bolas levantadas para o ataque dos jogadores da Zona de Defesa - Bola do Fundo.

 

As Bolas do Fundo são as atacadas por jogadores, pela regra que normatiza a Ordem de Saque, posicionados na Zona de Defesa, isto é, nas posições 1, 6 e 5. Também de acordo com a regra, só podem ser atacadas atrás da linha que divide as Zonas de Ataque e de Defesa (linha dos 3 metros).

A Polônia, campeã Olímpica de 1976, em Montreal, Canadá, foi a primeira equipe do mundo a utilizar as bolas atacadas por jogadores da Zona de Defesa. Era uma bola alta, atacada apenas na pos. 1, utilizada para suprir a falta de um atacante nos rodízios em que o levantador estava na rede. A maioria da equipes do mundo passou a adotá-la de modo esporádico, até por que era uma ação lenta e pouco contundente e, por isso, não muito eficaz.

O Brasil, a partir de 1981, por iniciativa e criação do treinador Bebeto de Freitas, passou a executá-la de outra maneira. Muito mais rápida - tipo uma "chutada", na pos. 1 e, posteriormente, na pos. 6. Ambas vinculadas às combinações de ataque. Na década de 80 Xandó, Renan Dal Zotto, Montanaro e Badá se notabilizaram pela extraordinária competência no ataque das bolas do fundo. Mais tarde, Giovane, Tande, Marcelo Negrão e Carlão, todos da Seleção Brasileira, e muitos outros atacantes de todo o mundo, tornaram-se exímios especialistas.

Atualmente, Nalbert, Giba, Dante e muitos outros têm impressionado por atacá-la, praticamente, no mesmo tempo em que são atacadas as Bolas de Tempo. Especialidade que, entre outras qualidades, contribuiu para o sucesso que o voleibol brasileiro vem obtendo.

 

- Situações de Jogo em que são utilizadas.

As Bolas Atacadas do Fundo são largamente utilizadas por equipes de todo o mundo diante de algumas circunstâncias:

- de modo estanque;

- de modo vinculado.

 

- De modo estanque.

É utilizada como "Bola de Segurança" em algumas ocasiões. Por exemplo, quando ocorre uma recepção do saque imperfeita, ou uma defesa e/ou toque da bola no bloqueio, em que a bola não chega na Zona de Levantamento e, por isso, o levantador fica impedido de elaborar combinações de ataque com bolas de tempo, de segundo tempo e "chutadas"nas extremidades da rede. No caso, as duas possibilidades viáveis são a Bola Alta, numa das extremidades da rede, e a Bola do Fundo, na extremidade da rede oposta - à que é levantada a Bola Alta.

Nota

Alguns levantadores, no caso de recepção imperfeita, alçam a bola para o ataque pela pos. 6. Não é uma boa opção, por facilitar o trabalho do bloqueio adversário.

 

- De modo vinculado.

Quando faz parte de uma ação de ataque, ou seja, é uma das bolas que compõem uma Combinação de Ataque. Houve uma época em que as equipes atacavam, sistematicamente, por meio de combinações. As bolas atacadas do fundo eram realizadas nos espaços deixados pelos atacantes das segundas bolas.

Nos diagramas a seguir, exemplos de como eram utilizadas. No diag. 1, uma combinação do meio para a saída da rede (Desmico). A seta em vermelho demonstra o segundo atacante deslocando para atacar no centro da rede. No espaço deixado por ele é realizado o ataque pelo fundo, pela pos. 1 (seta verde).

No diag. 2, o segundo atacante (seta em vermelho) vai para a saída da rede (pos. 2). No espaço deixado por ele ocorre o ataque do fundo, pela pos. 6 (seta verde).

No diag. 3 e 4, exemplos de combinações de ataque com 2 atacantes na rede, "Aquela"/"Between". Nestes casos, o ataque pelo fundo é realizado no ponto mais distante do centro da combinação, ou seja, do ponto em que as bolas de Primeiro e Segundo Tempos são executadas.

 

 

No voleibol de alta competitividade atual as combinações de ataque, como as demonstradas acima, são muito pouco freqüentes. De modo geral as equipes adotam as seguintes combinações.

Nos rodízios com 2 Atacantes na rede:

- uma bola de tempo no terço central da rede;

- uma bola "chutada" na extremidade mais distante;

- uma bola do fundo na extremidade oposta.

 

Nos diagramas a seguir, exemplos de combinações em que a Bola de Fundo é utilizada. No diag. 1, o A3 ataca Cabeça Frente ou Cabeça Atrás, no terço central da rede; o A4, uma Bola "Chutada" na entrada da rede (ponto mais distante do ponto em que ocorre a bola de tempo), na pos. 4; o AF (atacante do fundo) ataca pela pos. 1, na saída da rede.

No diag. 2, uma combinação muito utilizada no voleibol feminino. O A3, ataca China com 1 Pé na Saída; o A4, uma Bola "Chutada" na entrada da rede, ponto mais distante em relação à bola de tempo; o AF, ataca, pela pos. 6, no centro da rede.

 

 

Nos rodízios com 3 Atacantes na rede:

- uma bola de tempo no terço central da rede;

- uma bola "chutada" na extremidade da rede mais distante da bola de tempo;

- uma bola "chutada" ou "meia bola" na outra extremidade da rede;

- uma bola do fundo pela pos. 6, praticamente, no mesmo tempo da bola de tempo.

 

No grupo de diagramas a seguir, exemplos de combinações de ataque com a utilização da Bola de Fundo. No diag. 1, o A2 ataca a bola de tempo Cabeça Frente, vindo da pos. 2; o A3 uma "Meia Bola" na saída da rede, vindo da pos. 3; o A4 ataca a bola "Chutada" na entrada da rede (ponto mais distante da bola de tempo) e o AF ataca a Bola do Fundo, pela pos. 6.

No diag. 2, um exemplo com a bola de tempo "Chutada" de Meio. O A4 ataca a "Chutada de Meio"; o A3 uma "Meia Bola" na entrada da rede, vindo da pos. 3; A2 a "Chutada" na saída da rede (ponto mais distante da bola de tempo); o AF, pela pos. 6, bem no centro da rede.

No diag. 3, um exemplo de combinação com 2 atacantes em bolas de tempo. O A3 ataca a Cabeça Frente, saindo da pos. 3; o A2 a Cabeça Atrás, saindo da pos. 2; o A4 a "Chutada" na entrada da rede (ponto mais distante das duas bolas de tempo); o AF ataca do fundo pela pos. 6.

No diag. 4, um exemplo de combinação bem peculiar ao voleibol feminino. O A2 e o A3 atacam as bolas de tempo, Cabeça Atrás e China com 1 Pé na Saída da Rede, respectivamente; o A4 a bola "Chutada" na entrada da rede (ponto mais distante das duas bolas de tempo); o AF ataca do fundo pela pos. 6.

 

 

Nota

 

Citei alguns exemplos. Existem muitas outras opções. Tudo é possível. Na parte que trata das estratégias e táticas defensivas para as Combinações de Ataque veremos uma série de outros exemplos. O que é mais importante? O raciocínio no momento de elaborar a combinação.

 

Continuação no art. 15 com o Procedimentos de Bloqueadores e Defensores para neutralizar as Bolas Atacadas do Fundo

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