Estratégia/Tática - Artigo 06

Estratégia/Tática Coletiva - Defensiva

 

- Bolas Altas nas Extremidades da Rede - Estratégia com Bloqueio Duplo.

 

- Procedimentos na Defesa (parte 2).

Em continuidade ao artigo 34a, focalizarei mais alguns tipos de disposições defensivas. O Objetivo é o de propiciar o máximo de elementos possíveis para o professor / treinador optar a mais adequada para seus jogadores, sua equipe.

 

2 - Cobertura da "Largada" pelo Bloqueador que não Participa do Bloqueio.

 

- Decomposição do Posicionamento em Fases.

- Os jogadores - defensores e bloqueadores - dispostos na Posição Fundamental antes da recepção do saque ou da posse da bola - por ocasião de uma defesa ou toque da mesma no bloqueio - pelo adversário.

- Diante da impossibilidade de levantamentos para as Bolas de 1o. Tempo e/ou Combinações de Ataque, deslocam-se para o posicionamento de bolas altas nas extremidades da rede.

- Levantamento definido para a pos. 4 do adversário, o bloqueador que não participa do bloqueio desloca-se na direção da bola para cobrir a "largada". Os demais ajustam seus posicionamentos de acordo com o bloqueio (diag. 1 a seguir). Se a bola for levantada para a pos. 2 do adversário, efetua-se o contrário (diag. 2 a seguir).

 

 

Nota

Esta estratégia é bastante adequada para equipes de iniciantes e das categorias de base, pois não depende tanto dos bloqueadores e, sobretudo, por não obrigar os jogadores fazerem tantos deslocamentos.

 

- Vantagens do Posicionamento.

- Os três defensores não necessitam deslocamentos longos, apenas ajustes.

- Nas bolas mais "chutadas", muitas vezes não há tempo para o bloqueador que não participa do bloqueio recuar para o posicionamento defensivo a fim de cobrir as bolas atacadas na diagonal.

 

- Desvantagens do Posicionamento.

- O bloqueador que não participa do bloqueio, na pos. 4 do adversário, geralmente é um cortador de força. Quando pega a bola "largada" não tem tempo de se preparar para receber a mesma para o contra-ataque.

- Quando a bola é levantada na pos. 4 do adversário e o D1 é o levantador, sua entrada para a zona de levantamento - no caso de defesa por outro companheiro - fica dificultada.

 

3 - Sem Jogadores para Cobrirem a "Largada".

 

- Decomposição do Posicionamento em Fases.

- Os jogadores - defensores e bloqueadores - dispostos na Posição Fundamental antes da recepção do saque ou da posse da bola - por ocasião de uma defesa ou toque da mesma no bloqueio - pelo adversário.

- Diante da impossibilidade de levantamentos para as Bolas de 1o. Tempo e/ou Combinações de Ataque, deslocam-se para o posicionamento de bolas altas nas extremidades da rede.

- Definido o levantamento para a pos. 4 do adversário, o bloqueio posta-se e os defensores fazem os ajustes em relação ao bloqueio (diag. da esquerda a seguir). Se definido para a pos. 2 do adversário, efetua-se o contrário (diag. da direita a seguir).

Os bloqueadores que não participam do bloqueio, afastam-se da rede e posicionam-se nas proximidades da linha de ataque, a fim de cobrirem os ataques na diagonal mais fechada.

- No caso de "largadas", o bloqueador que não participa do bloqueio ou o correspondente (D1 ou D5) se encarregam das bolas "largadas" - depois de serem "largadas".

 

Nota

A fim de que não ocorram indefinições, o jogador que não participa do bloqueio responsabiliza-se pela defesa da bola largada do ponto em que está posicionado, na defesa, até o centro da quadra; o correspondente, pela bola "largada" atrás do bloqueio, até o centro da quadra. Nos diagramas estes limites estão graficamente simbolizados pela linha interrompida em vermelho.

 

 

- Vantagens do Posicionamento.

- É apropriado contra equipes que atacam forte e "largam" pouco. Neste caso, o posicionamento defensivo conta com mais um defensor.

- Não há necessidade de muitos deslocamentos.

 

- Desvantagens do Posicionamento.

- O posicionamento é mais exposto, e induz às "largadas".

- A defesa das bolas "largadas" depende da sensibilidade tática individual do bloqueador que não participa do bloqueio (B4 ou B2) ou do correspondente (D1 ou D5), o que pode gerar indecisões.

 

Nota

Esta estratégia pode ser utilizada de modo alternado com outras estratégias. Por exemplo, em momentos do jogo em que, em face de alguma circunstância, os jogadores entendem/apostam que o atacante adversário não "largará". Embora a equipe esteja utilizando o jogador que não participa do bloqueio ou o correspondente, para a cobertura da "largada".

É apropriada também - de modo esporádico - em bolas levantadas afastadas da rede. O atacante encontra dificuldade para o golpe forte e as trajetórias das bolas "largadas" são longas; é maior a chance de sucesso para os defensores.

Esta estratégia é bastante apropriada contra equipes ou, especificamente, contra jogadores que por pouca inteligência, por falta de visão de jogo ou teimosia jamais "largam". Sobre esses últimos tenho exemplo.

Mário Xandó - um dos maiores atacantes da história - e Rui Campos do Nascimento, ambos da Seleção Brasileira que conquistou a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, se notabilizaram pelo ataque da bolas altas nas extremidades da rede. Tinham características comuns: a extrema violência com que atacavam estas bolas e, mais em comum ainda, jamais "largavam". Certa ocasião pedi um tempo. E olhando - deliberadamente - para os dois, comecei minha instrução:

- Estou observando que o adversário não tem ninguém na cobertura da 'largada". É uma boa vocês largarem... não tem ninguém embaixo... é "largar e correr para o abraço"!!! Parecia que tinham combinado. Incontinente, reagiram. Rui olhou-me com desconfiança e não titubeou:

- Leva mal não, eu largar?!?! Mas não vou largar mesmo, nem a porrada!!!

Xandó, por sua vez, deu uma risadinha e encerrou a questão:

- Nem sei largar!!!

 

4 - Cobertura da "Largada" pelo Jogador da Posição 6.

É uma estratégia muito pouco utilizada atualmente. Foi muito utilizada e, ainda é pela equipe femininas, nas Seleções da Rússia. Tinham como argumento o pressuposto de que seus bloqueios eram muito eficientes e, em caso de defesas, o levantador já se encontrava na zona de levantamento e pronto para o contra-ataque.

 

- Decomposição do Posicionamento em Fases.

- Os jogadores - defensores e bloqueadores - dispostos na Posição Fundamental antes da recepção do saque ou da posse da bola - por ocasião de uma defesa ou toque da mesma no bloqueio - pelo adversário.

- Diante da impossibilidade de levantamentos para as Bolas de 1o. Tempo e/ou Combinações de Ataque, deslocam-se para o posicionamento de bolas altas nas extremidades da rede.

- Bola alçada para a pos. 4 ou para a pos. 2 do adversário, os bloqueadores deslocam-se e os defensores postam-se da seguinte maneira (diagramas a seguir):

- D6 avança para a cobrir a "largada" atrás do bloqueio;

- os jogadores que não participam do bloqueio (B4 ou B2) recuam e encarregam-se pelas bolas atacadas na diagonal;

- os correspondentes D5 e D5, diante ataques nas pos. 4 e 2, do adversário, responsabilizam-se pelas bolas atacadas no corredor;

- D5 e D1 deslocam-se para o centro da quadra, nos ataques nas pos. 4 e 2, respectivamente, a fim de cobrirem o espaço do D6.

 

 

- Vantagens do Posicionamento.

- O D6 sendo o levantador, está nas proximidades da zona de levantamento. Defendida a bola o contra-ataque fica mais fácil de ser realizado.

- A designação dos jogadores que farão a cobertura da "largada" pode obedecer a vários critérios. O mais comum é a utilização do levantador - nas sua passagem pela linha de defesa - e o jogador menos capacitado na defesa.

 

- Desvantagens do Posicionamento.

- O bloqueador que não participa do bloqueio tem grande distância para chegar no seu posicionamento defensivo.

- Há a necessidade de deslocamentos de todos os jogadores, o que pode causar alguma confusão.

 

Cont. no art 07 - Bola Alta nas Extremidades da Rede - Estratégia com Bloqueio Triplo

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