Estratégia/Tática - Artigo 05

Estratégia/Tática Coletiva - Defensiva

 

- Bolas Altas nas Extremidades da Rede - Estratégia com Bloqueio Duplo.

 

- Procedimentos no Bloqueio.

- Bloqueador de Meio (B3).

1 - O primeiro passo é constatar se há possibilidade de ataques de bolas de 1o. Tempo e, consequentemente, Cobinações de Ataque.

2 - Olhar para a bola. Neste momento, evitar olhar para o levantador que, com um "jogo de corpo", pode enganar o bloqueador.

3 - Ao perceber a extremidade da rede para a qual a bola foi levantada, deslocar-se por meio da passada mais rápida, olhando para a aproximação do atacante.

4. No local do ataque, executar o bloqueio observando os requisitos do fundamento e, acima de tudo, o "tempo de bloqueio".

 

- Bloqueadores de Extremidades (B4 e B2).

1. O primeiro passo é constatar se há possibilidade de ataques de bolas de 1o. Tempo e, conseqüentemente, Combinações de Ataque.

2. Olhar para a bola. Neste momento, evitar olhar para o levantador.

3. Independente da Posição Fundamental em que esteja posicionado - fechada ou aberta - deslocar-se o mais rapidamente possível olhando para aproximação do atacante.

4. No local do ataque, executar o bloqueio de acordo com decisões táticas pré-estabelecidas, ou seja:

- fechando a bola (posicionamento na frente desta);

- fechando a passagem da bola para diagonal (posicionamento mais para dentro da quadra);

- fechando a passagem da bola para paralela (posicionamento mais próximo da antena).

No momento do salto para o bloqueio, observar os requisitos do fundamento e, acima de tudo, o "tempo de bloqueio".

 

Notas

- Existe controvérsia em torno da questão atinente a olhar para a bola ou para o atacante, no momento em que este se aproxima para o ataque, salta e executa o golpe de ataque. Particularmente, penso que olhar exclusivamente para a bola nesta ocasião é desvantajoso. Sua trajetória, muitas vezes, é ilimitada, como por exemplo, nas bolas, embora altas, são mais esticadas. Quem interrompe esta trajetória é o atacante. Olhando apenas para a bola, há grande possibilidade do bloqueador, no momento do salto, passar ou ficar aquém do ponto em que a bola é atacada. Resumindo, sou por olhar o atacante. Isto é, no momento do salto e no momento que o mesmo golpeia a bola.

- Certa ocasião e, Riga, ex-União Soviética, trocava idéias com treinadores da Seleção Soviética, Pathkin e Platonov, unanimemente, considerados "papas do bloqueio". Perguntei qual o procedimento adotavam na equipe soviética. Para minha surpresa, disseram que não sabiam responder. Inicialmente pensei que estivessem "escondendo o jogo". Mas não estavam. Pathkin, que morava em Riga, pediu-me que esperasse alguns minutos, pois iria à casa de um amigo que poderia responder minha pergunta. Voltou com Andropov, considerado um dos maiores bloqueadores do mundo em sua geração. Repeti a pergunta e ele respondeu: "Eu não sei; o que posso te dizer é o que eu fazia. Primeiro olhava a bola, para ver onde iria; depois deslocava olhando para o atacante e no local do ataque, com uma visão geral, contava 1-2-3 se fosse bola alta; 1-2 se fosse a 2a. bola da combinação e 1 se fosse bola de tempo.

Simples, não é mesmo?! Pois é, os craques são assim: simplificam.

 


 

- Procedimentos no Defesa (parte 1).

Partindo do pressuposto que a bola alta nas extremidades da rede é absolutamente previsível, o bloqueio tem que estar posicionado corretamente.

 

- Modalidades de Posicionamentos.

1. Cobertura da "Largada" pelo jogador Correspondente.

2. Cobertura da "Largada" pelo Bloqueador que não participa do Bloqueio.

3. Sem jogadores para a Cobertura da "Largada".

4. Cobertura da "Largada" pelo jogador da Pos. 6.

Notas

"Largada" é a denominação brasileira para o golpe em que o atacante, ao invés de cortar a bola, dá um leve toque na mesma por sobre o bloqueio.

Cobertura do Bloqueio é a designação para a disposição tática tendo em vista a defesa da bola "largada".

Correspondente é a denominação dada para o jogador de acordo com determinação da regra, que estipula a ordem de saque. Há os jogadores da linha de ataque e os da linha de defesa. Um da linha de defesa não pode estar na mesma linha ou à frente do correspondente da linha de ataque. Logo, são correspondentes: 1 de 2, 6 de 3 e 5 de 4. No diagrama a seguir, o exemplo.

 

 

1 - Cobertura da "Largada pelo Jogador Correspondente.

 

- Decomposição do Posicionamento em Fases.

Nos diagramas a seguir, os jogadores estão dispostos na Posição Fundamental, no momento em que a equipe oponente recepciona o saque. Esta, pode ser com os bloqueadores dispostos no modo aberto (diag. 01) ou fechado (diag. 02).

 

 

Considerando a impossibilidade dos ataques de bolas de 1o. Tempo e Combinações de Ataque, os jogadores se deslocam para o posicionamento apropriado para as bolas altas numa das extremidades da rede, ou seja: os bloqueadores das extremidades B4 e B2 se afastam para as extremidades da rede e o bloqueador de meio (B3) mantém seu posicionamento. Como está demonstrado no diagrama a seguir.

 

 

Nota

No voleibol de alta competitividade este procedimento é desaconselhável. As equipes estão utilizando, sistematicamente, os ataque do fundo, pela pos. 6. No caso, os três bloqueadores têm que aguardar o levantamento. No caso da bola ser levantada para o ataque do fundo pela pos. 6, é possível realizar até o bloqueio triplo.

A bola levantada para o ataque na pos. 4, da quadra adversária (diag. 4 a seguir).

Os bloqueadores B3 e B2 deslocam-se para compor o bloqueio duplo e os defensores para o posicionamento:

- O correspondente D1 adianta-se para cobrir a "largada";

- O B3 - que não participa do bloqueio - recua para defender a a bola atacada na diagonal mais "fechada";

- O D5 desloca-se para o centro da quadra e defende a bola atacada na diagonal, mais longa;

- O D6 desloca-se para a direita, a fim de cobrir a bola atacada no corredor.

 

 

Quando a bola é levantada para a pos. 2 da quadra adversária efetua-se o procedimento contrário (diag. 5, anterior).

Os bloqueadores B4 e B3 deslocam-se para compor o bloqueio duplo e os defensores para o posicionamento:

- O correspondente D5 adianta-se para cobrir a "largada";

- O B2 - que não participa do bloqueio - recua para defender a diagonal masi fechada;

- O D1 desloca-se para o centro da quadra, a fim de defender a bola atacada na diagonal mais longa;

- O D6 desloca-se para a esquerda, afim de de defender a bola atacada no corredor.

 

Nota

Repare nos diagramas anteriores, o posicionamento de D1 e D5, na cobertura da bola "largada"atrás do bloqueio. É sobre a linha de ataque. Ali, ele se encontra com angulação favorável para cobrir maior espaço - linha oblíquas em vermelho.

 

Existe uma variação para o posicionamento do defesa-centro (D6) - nos ataques pelas pos. 4 e pos. 2 - não se descolar, antecipadamente, para o cobrir os corredores/paralelas; permanece no centro da quadra e se desloca se houver necessidade. Os D5 e D1, respectivamente, fazem a cobertura do bloqueio (diagramas a seguir).

 

 

Notas

- O D6 só se deslocará no caso de perceber que a bola pode ser atacada no corredor e/ou que existe a possibilidade de tocar no bloqleio. e se dirigir para fora da quadra, além da linha lateral da quadra.

- Nesta variação, os bloqueadores B4 e B2, respectivamente, não recuam tanto - ficam nas proximidades da linha de ataque (diags. a seguir).

- Este posicionamento é utilizado em situações de jogo em que o atacante não ataca ou não pode atacar na diagonal; quer por incapacidade técnica individual quer pelo ponto da rede em que a bola é atacada; por exemplo, nas bolas que são atacadas além das antenas limítrofes.

 

- Vantagens do Posicionamento.

 

- Os jogadores com seus posicionamentos mais bem pré-definidos. Os correspondentes entram em todas as bolas "sem precisarem avaliar se vai haver a "largada" ou não. Isto diminui as indecisões entre jogadores.

- Nos três rodízios em que o levantador está na linha de defesa, estando na pos. 1, deverá posicionar-se para a cobertura da "largada", isto é, próximo da zona de levantamento; portanto, em melhor condição para o levantamento dos contra-ataques.

- O bloqueador que não participa do bloqueio, sem a responsabilidade de cobrir a "largada" - geralmente cortador de força -, fica mais disponível para atacar as bolas de segurança (altas nas extremidades da rede), muito comuns nos contra-ataques.

 

- Desvantagens do Posicionamento.

 

- O bloqueador que não participa do bloqueio é obrigado a fazer um deslocamento longo para posicionar-se. Nas bolas com trajetórias mais rápidas, existe o risco de atrasar para a chegada no seu posicionamento.

Notas

- A equipe dos Estados Unidos, bicampeã olímpica em 1984 e 19888, foi uma das equipes mais eficientes - defensivamente - do mundo, em todos os tempos. Adotava esse posicionamento. A meu ver, em virtude de que Kirally, Berzins, e depois CytryvylK, extraordinários defensores, bloqueavam sempre na pos. 4. Recuavam bastante e responsabilizavam-se, praticamente sozinhos, por todo o flanco da quadra em que estavam posicionados. Com toda certeza foram responsáveis por tão expressiva eficiência.

- No voleibol atual, este posicionamento é muito pouco utilizado por equipes de alta competitividade. Com o advento das bolas atacadas do fundo pela pos. 6 - são atacadas quase que no mesmo "timing" das bolas de tempo -, os três bloqueadores postam-se bem no centro da rede e, por isso, não têm tempo para realizar o recuo e a colocação correta no posicionamento defensivo. Por essa razão, a maioria das equipes está adotando o bloqueio triplo para o bloqueio da bola alta na extremidade da rede, uma vez que o percurso para o participar do bloqueio triplo é muito mais natural do que o de recuar para o posicionamento defensivo.

 

Cont. no art. 06 - Bola Alta e Estratégia com Bloqueio Duplo e Procedimentos na Defesa (parte 2)

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