Estratégias/Táticas - Art. 02

Estratégias / Táticas

 

- Bolas Alta no Centro da Rede.

No artigo 23 a, em que são focalizados o levantamento e o ataque da Bola Alta no centro da rede, está mencionado que a mesma é utilizada por equipes de iniciantes, em processo de aprendizagem, por equipes colegiais e por equipes de base, mirim e infantil. Entre outros motivos, porque é a ação elementar, simples.

As estratégias e táticas para neutralizá-la, por conseguinte, devem ser igualmente simples. Vamos a elas.

 

- Procedimentos no Bloqueio.

 

- Com Bloqueio Simples.

 

É o meio mais utilizado, pelos seguintes motivos:

- os iniciantes têm dificuldade de executar bloqueios duplos.

- as equipes não dispõem de muitos jogadores com bom estatura para o bloqueio.

- muitas vezes o bloqueio dificulta/confunde a ação dos jogadores de defesa.

 

No diagrama a seguir, a disposição defensiva, no momento em que a equipe adversária recepciona o saque. O bloqueador central (B3) se posiciona no centro da rede. Os bloqueadores das extremidades se posicionam na Posição Fundamental Aberta.

 

 

São seus procedimentos.

 

1. - Olhar fixamente para o atacante:

- desde a sua aproximação para o ataque;

- por ocasião do salto;

- para todos os movimentos de corpo e dos braços, até o momento do golpe na bola.

 

Nota

É muito comum, sobretudo entre iniciantes, o bloqueador olhar exclusivamente para a bola. Não é apropriado. Perdem-se muitos elementos que podem influir para um bom bloqueio.

 

2. – Empenhar-se para executar o bloqueio – fundamento – com absoluta perfeição, isto é:

- salto absolutamente vertical;

- espaço apropriado entre o próprio corpo e a rede;

- braços estendidos com, pelo menos, os antebraços sobre o bordo superior da rede;

- posicionar os dois braços em angulação perfeita em relação à rede.

Na figura a seguir, uma representação para exemplificar a correta execução do fundamento.

 

Desenho de Eduardo Rodrigues

 

3 - No momento em que posiciona os braços e mãos, o bloqueador pode adotar:

- a marcação na bola – ele salta rigorosamente na frente da bola e tenta aproximar, ao máximo, suas mãos à circunferência da bola. Na figura a seguir, uma representação gráfica que simboliza o posicionamento dos braços e das mãos.

 

 

- fechando as trajetórias da bola – no momento da colocação dos braços o bloqueador, tomando como ponto de referência o corpo do atacante, inclina os dois braços – paralelos – para o lado que pretende interceptar a passagem da bola. Nas figuras a seguir, os exemplos da inclinação dos braços: na da esquerda, para fechar a trajetória da bola para o flanco direito da quadra; no da direita, para fechar a trajetória para o flanco esquerdo.

 

 

Nota

Este último procedimento não é o mais apropriado para iniciantes. A inclinação dos braços acarreta perda de alcance (máximo). Como os iniciantes (mirins e infantis) não possuem boas estaturas, muitas vezes, o alcance não é sequer suficiente para a execução do bloqueio.

 


 

- Com Bloqueio Duplo.

 

A primeira medida é escalar dois entre os três bloqueadores participarão do bloqueio duplo. Nos diagramas a seguir, exemplos. No da esquerda, com B4; no da direita, com o B2.

 

 

Sejam quais forem os dois bloqueadores, os procedimentos não diferem. Ou seja;

 

1 – os  dois bloqueadores devem acompanhar o atacante desde o início de sua aproximação para o ataque;

2 – posicionam-se para o salto tomando como ponto de referência o corpo do atacante;

3 – no momento do salto devem estar posicionados ombro a ombro;

4 – o salto, de ambos, deve ser no mesmo tempo;

5 – o posicionamento dos braços e das mãos, no momento do bloqueio, é absolutamente vertical.

6 – os bloqueadores podem inclinar, ligeiramente, os dois baços tendo em vista interceptar a trajetória da bola; obviamente de acordo com suas capacidades e estaturas.

 

Nota

 

O bloqueio triplo pode ser utilizado. Como mencionado anteriormente, a bola alta no centro da rede é utilizada, quase que exclusivamente, por equipes de colegiais, categorias de base (mirim e infantil). De modo geral, nesta faixa de idade não é comum muito atletas com estatura adequada para executar o bloqueio com correção e, consequentemente, com eficiência. Logo, é pouco ou nada utilizado.

 


 

- Procedimentos na Defesa.

 

Serão focalizados independentemente do número de bloqueadores; simples e/ou duplo.

 

Os jogadores na Posição Fundamental de Expectativa, que deve ser intermediária, ou seja, nem muito a frente nem muito atrás. O raciocínio é simples: quanto menos deslocamentos dos defensores... melhor.

No momento em que a bola chega às mãos do levantador e este excuta o levantamento, os defensores se ajustam de acordo com o posicionamento do bloqueador.

Nos diagramas, lado a lado, a seguir é possível comparar os posicionamentos dos jogadores. No da esquerda, todos os jogadores, na Posição Fundamental (de bloqueio e de defesa). No da direita, o posicionamento dos defensores, no momento do ataque; os deslocamentos são curtos, apenas ajustes. Ou seja: aquele pensamento de quanto menos deslocamentos melhor.

 

 

D1

 

- Defesa das bolas atacadas à direita do bloqueio.

- Defesa das bolas largadas à direita do bloqueio, atrás da linha de ataque, até o centro da quadra.

- Bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra pela linha lateral direita.

- Segunda ação da defesa, após a defesa de um dos companheiros.

No diagrama a seguir, a área em D1 é responsável. A área destacada com linhas oblíquas significa a região da quadra em que é encarregado pela defesa das bolas “largadas”.

 

 

D5

 

- Defesa das bolas atacadas à esquerda do bloqueio.

- Defesa das bolas largadas à esquerda do bloqueio, atrás da linha de ataque, até o centro da quadra; as bolas “largadas” dentro da zona de ataque são de responsabilidade dos bloqueadores, B2 e/ou B4.

- Bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra pela linha lateral esquerda.

- Segunda ação da defesa, após a defesa de um dos companheiros.

No diagrama a seguir, a área em D5 é responsável. As linhas oblíquas significam a região da quadra em que é encarregado pela defesa das bolas “largada”.

 

 

D6

 

O posicionamento de D6 pode ser estabelecido de duas maneiras:

 

- no centro da quadra – deslocando-se para a direita e/ou para esquerda, de acordo com a tendência da direção da trajetória da bola, ou de acordo com a determinação tática (do treinador).

 

- deslocado para um dos flancos da quadra – formando com D1 e/ou D5 um conjunto defensivo para proteger – mais – um ou outro flanco.

 

- Posicionado no Centro da Quadra – Atribuições.

 

Defesa das bolas que passam à direita e/ou à esquerda ou ainda por cima do bloqueio, do meio para o fundo da quadra.

- Defesa das bolas largadas, do meio para o fundo e em toda a extensão da quadra. As bolas “largadas” do meio da quadra até a linha de ataque, como está mencionado anteriormente, são de responsabilidade de D1 e/ou D5.

- Bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra pelas linhas laterais (direita ou esquerda), do meio para o fundo da quadra, e/ou pela linha do fundo.

- Segunda ação da defesa, após a defesa de um dos companheiros.

Nota

A decisão de deslocar para um dos flancos é tomada baseada no discernimento tático individual do defensor. No momento do ataque, ele pode optar entre:

 

- esperar o golpe do atacante para então se deslocar;

- deslocar-se momentos antes do golpe, baseado na sua sensibilidade.

 

No diagrama a seguir, o posicionamento de D6 posicionado no centro da quadra. As setas indicam os deslocamentos, que deve ser paralelamente em relação a linha do fundo. A linha tracejada em vermelho delimita o último terço da quadra do qual é responsável.

 

 

No diagramas a seguir, D6 deslocado. Forma, com D5 e/ou D1, um conjunto para ocuparem melhor determinada região da quadra. Repare que a linha horizontal, tracejada em vermelho, divide a zona de defesa em dois terços semelhantes. D1 e D5 são responsáveis pela defesa das bolas atacadas no terço médio; D6 pelas atacadas no terço final.

 

Nota

É muito comum D6 se deslocar obliquamente, em relação à linha de ataque. Não deve. Seu deslocamento deve ser, primeiramente, paralelo. Depois, isto é, uma vez no posicionamento estabelecido, ajustar-se (um pouco mais para frente / atrás / direita / esquerda), de acordo com o que for mais conveniente.

Quando este procedimento não é observado, de modo geral, pode ocorrer confusão. A proximidade com D1 e/ou D5, pode provocar superposição e, consequentemente, indecisão.


 

B4 e B2

 

- Com o bloqueio Simples, são responsáveis pelas bolas “largadas” na Zona de Ataque. Cada qual por uma metade em que está inicialmente posicionado para o bloqueio.

- Com o bloqueio Duplo, o que não participa do bloqueio responsabiliza-se pela cobertura. Neste caso, é muito difícil apenas um cobrir toda a Zona de Ataque. No diagrama a seguir, mostra que a bola “largada” na metade oposta, deve ser protegida pelos D1 e D5.

 

 

- Conclusão.

A Estratégia Defensiva – sugerida – para neutralizar o ataque da Bola Alta no Centro da Rede, parte do princípio: quanto mais simples, melhor. Quanto à disposição dos defensores, quanto menos deslocamentos, melhor. Quanto ao bloqueio, a opção pelo Simples, atende o mesmo principio. O bloqueio Duplo faz sentido quando a equipe possui jogadores com estatura e capacidade técnica individual; e, claro, quando o o atacante adversário é realmente eficaz.

 

Cont. no art. 03, com a Bola Alta nas Extremidades da Rede - Estratégia com Bloqueio Simples

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