Estratégia/Tática - Artigo 01

Estratégia/Tática Coletiva - Defensiva

 

Tática Individual - Parte I

 

No voleibol atual, um dos requisitos fundamentais que o atleta deve possuir é a tática individual. Trata-se da capacidade, que o jogador tem que ter, de discernir e se conduzir no desempenho das suas atribuições, diante das diversas situações de jogo. No sistema defensivo, o treinamento tático individual é paralelo ao técnico individual. O primeiro capacita ao conhecimento do jogo, a fim de que o jogador possa se colocar apropriadamente às situações do mesmo. Deste capítulo até o oitavo inclusive, focalizarei as táticas ofensivas utilizadas em diferentes níveis e os procedimentos que defensores e bloqueadores devem adotar, para que seja constituído um sistema defensivo consistente.

 

- Distribuição de Treinamentos em um Planejamento Global.

A fim de exemplificar a distribuição de treinamentos em um Planejamento, vamos imaginar um treinamento de 16 semanas.

 

 

Nota

No treinamento Tático Individual - presente em toda a programação, como está demonstrado no gráfico - são aplicados os fundamentos e recursos da técnica individual em situações específicas de jogo, visando a tática coletiva da equipe. Em outras palavras, o jogador aprende os procedimentos táticos para desincumbir-se de suas atribuições táticas estabelecidas para a equipe.

Graficamente resulta:

 


 

- Divisão da Quadra em Zonas de Maior Incidência.

Um pré-requisito para a disposição tática - defensiva - de uma equipe é o conhecimento da quadra de jogo. Na figura abaixo, apresento uma divisão da quadra em zonas de maior ou menor incidência das bolas atacadas, nas quais os jogadores serão distribuídos de acordo com cada situação de jogo.

 

 

No diagrama acima, a divisão da quadra a que me referi.

Zona 1 - Faixa da quadra na qual o bloqueio tem que se incumbir, ou seja, tem que proteger.

Zona 2 - Área de maior incidência da bolas atacada, no 1o. e 2o Tempos, e de bolas atacadas nas extremidades da rede, geralmente cortadas com extrema violência.

Zona 3 - Área de maior incidência da bolas "largadas", no 1o. e 2o Tempos e de bolas atacadas, sem bloqueio ou bloqueio simples.

Zona 4 - Local de menor incidência de bola atacadas. Nessa área é comum as bolas "largadas", ricocheteadas no bloqueio e atacadas imperfeitamente. Apenas cortadores com muita habilidade conseguem atacar forte nessa zona.

Zona 5 - Faixa onde incidem bolas atacadas de todas as jogadas, principalmente as bolas altas nas extremidades da rede e as que ricocheteam no bloqueio.

 


 

- Posição Fundamental na Defesa.

 

Posição Fundamental na Defesa é a disposição dos jogadores na quadra no momento em que o adversário tem a posse da bola:

- após a recepção do saque;

- após uma defesa;

- após o domínio da bola que ricochetea no bloqueio.

É uma disposição padrão, podendo ser alterada de acordo com a tática ofensiva das equipes adversárias; pelas características individuais dos atacantes, ou por quaisquer adequações táticas que o treinador ou os jogadores, eventualmente, sintam necessidade de realizar no decorrer do jogo. A Posição Fundamental pode variar de treinador para treinador.

 

Nota

Considero importante habituar e treinar os jogadores em uma e, a partir desta, fazer as adequações eventuais/circunstanciais.

 

A seguir, apresento 2 tipos de Posição Fundamental e aponto vantagens e desvantagens de cada uma, para sua consideração.

 

- Posição Fundamental I.

Os defensores (D) são dispostos mais à frente e próximos da linha de ataque (LA).

 

- Vantagens.

- Os D5 e D1 estão posicionados no local de maior incidência das bolas atacadas no 1o. e 2o. Tempos, que passam à esquerda e à direita do bloqueio, respectivamente.

- É mais afeito às bolas "largadas", atacadas sem força, atacadas imperfeitamente, e ricocheteado no bloqueio.

- Mais favorável às "largadas" de "2a". dos levantadores.

- Desvantagens.

- As bolas atacadas no 1o. e 2o. Tempos são de trajetórias muito rápidas e, quando passam pelo bloqueio, tornam-se indefensáveis - os seres humanos não têm capacidade de reação para estímulos tão rápidos, isto é, o tempo de reação é ínfimo.

- Dificuldade nos ajustes de posicionamento para as bolas atacadas nas extremidades da rede (a maioria em um jogo); o percurso torna-se longo.

- Dificuldade para a recuperar bolas ricocheteadas no bloqueio que se dirigem para o fundo da quadra.

 

Posição Fundamental II.

Os defensores (D) mais ao fundo da quadra.

Vantagens.

- Considerando o desprezível número de bolas de 1o Tempo que ultrapassam a rede sem tocar no bloqueio, este posicionamento é mais afeito às bolas atacadas com menor violência, às que tocam no bloqueio e as atacadas no fundo da quadra.

- Pelo posicionamento dos defensores mais no fundo da quadra, os ajustes para as bolas no 2o. Tempo são frontais e curtos; além disso, é mais favorável às bolas que ricocheteiam no bloqueio e se dirigem para o fundo e/ou para fora da quadra.

- Os deslocamentos para a defesa das bolas atacadas das extremidades da rede são menores.

- É mais favorável às 2as. ações (após toque - defesa - de um companheiro), pelo ângulo maior em que os jogadores de defesa estão dispostos).

- A maioria dos deslocamentos, para ajustes - é de fora para dentro da quadra e, conseqüentemente, nas defesas as bolas tendem a ficar numa área que possibilita a intervenção de um segundo companheiro.

Desvantagens.

- Os defensores estão distantes das zonas de maior incidência das bolas de 1o. Tempo, das bolas "largadas", na Zona de Ataque, e das bolas "largadas" de 2a. dos levantadores.

 

Notas

- As bolas de 1o. Tempo, atacadas com força e para baixo, pela evolução do bloqueios, dificilmente os ultrapassam, diminuindo significativamente a incidência nas Zona I e IV.

- A Posição Fundamental adotada, seja qual for, deve sofrer ajustes de acordo com as variações táticas dos adversários; quer pela características dos atacantes quer por adequações circunstanciais.

- O treinador norte-americano Doug Beal, campeão Olímpico em Los Angeles, em 1984, tem um modo de pensar muito interessante. Para ele, o jogo de voleibol, na realidade, são seis jogos diferentes, ou seja, são seis rodízios e em cada qual há uma tática ofensiva distinta executada por jogadores de características diferenciadas.

 

Cont. no art. 01 B - Estratégia Defensiva - Considerações - Posição Fundamental no Bloqueio - Parte II

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