Preparação Física - Artigo 19

- Valências Orgânicas.

- Fatores Limitantes da Performance Decorrentes da Insuficiência da Capacidade Aeróbica.

 

Existe uma discussão em torno da validade do treinamento com característica aeróbica para atletas de voleibol. Alguns elementos são apresentados a fim de embasarem a opinião.

 

1 - O voleibol é desporto predominantemente anaeróbico. É constituído por estímulos de curta duração, em que são requeridas máximas força explosiva, velocidades, de deslocamentos e de movimentos.

2. - O objetivo com a preparação física é buscar a obtenção/melhoria de valências específicas, requeridas pelo jogo propriamente dito.

3 - O treinamento para obtenção/melhoria da capacidade aeróbica contribui para desenvolver fibras vermelhas, de contração lenta, ao invés de fibras brancas, de contração rápida, essenciais para a atividade anaeróbica (peculiares ao voleibol). Ou seja, é considerada atividade antagônica.

4 - O treinamento global tem que ser objetivo. Na preparação física, busca pelas valências específicas. Na preparação técnica-tática, implementação de atividades polivalentes. Tudo, tendo em vista diminuir ao máximo o desgaste a que os atletas são submetidos.

Sobre estes pontos, todos razoáveis, creio não se tem dúvidas. Entretanto, existe o contraditório, os quais devemos considerar.

1 - Atletas de alta competitividade, de modo geral, possuem, em níveis elevadíssimos, todas as valências requeridas pelas modalidades que praticam. A pergunta é: de que maneira, por quais meios, chegam a estes níveis? Nos paises mais desenvolvidos, esportivamente falando, o indivíduo tem a educação física e prática de esportes ao longo de todo o currículo escolar, isto é, desde as mais tenras idades. Pude verificar, “in-loco”, nos Estados Unidos, Canadá, Cuba, e países do leste europeu – antes da queda do sistema comunista. O atleta chega pronto às equipes de alta competitividade como, por exemplo, seleções nacionais. Isto é, possuindo todas as valências físicas indispensáveis à atividade competitiva de alto nível.

2 - Ao longo de suas vidas têm oportunidade de adquirir, por exemplo, capacidades orgânicas – aeróbica/anaeróbica – e massa muscular esquelética; ambas fundamentais, como base, para a aquisição de outras valências. Foram obtidas com atividades naturais (caminhadas, corridas, natação, remo, jogos, etc.) e com sessões específicas: de corrida, de musculação, de resistência muscular localizada, de velocidade, de flexibilidade, etc.

3 - Atletas com bom condicionamento aeróbico encontram-se aptos a receberem treinamentos de diferentes durações e intensidades com vistas ao alcance de elevadas performances.

4 - O oposto ocorre em paises menos desenvolvidos, que não possuem política de saúde e educação. É comum o indivíduo chegar a equipes de alto nível absolutamente carentes de boa saúde e de bom condicionamento físico. Como treinador de seleções brasileiras – de todas as categorias e de ambos os sexos – presenciei a chegada de atletas com vários focos dentários, anemia entre outras graves problemas de saúde.

 

Nota


No primeiro caso, por exemplo, o treinamento aeróbico é dispensável. Segundo estudiosos o ganho é insignificante. No segundo, não, é possível obter-se melhoria em torno de trinta por cento.


Diante dos argumentos mencionados, creio que é possível levantar os seguintes elementos.

1 – Quanto melhor a saúde geral do atleta melhor será seu aproveitamento com o treinamento global.

2 – O atleta que possui bom condicionamento aeróbico nada perde. De modo geral, possui maior base para receber o treinamento físico específico (valências funcionais e estimulação anaeróbica) e o técnico-tático.

O que diferencia atletas que possuem e que não possuem boa capacidade aeróbica?

1 - Elevado VO2 Máximo, pressupõe maior capacidade muscular para assimilação e adaptação aos rigores decorrentes treinamento global; quer em relação à duração quer em relação à intensidade. Isto é: do treinamento para obtenção/melhoria de valências específico-funcionais (força, resistência muscular, velocidade); treinamento técnico individual e treinamento tático coletivo. Ambos, indispensáveis para o alcance de elevados níveis de performance, em qualquer modalidade esportiva.

2 – Maior é capacidade da musculatura, de modo geral mais volumosa, de utilizar melhor a reserva energética, captar maior quantidade de oxigênio, que influem no desempenho por ocasião de treinamentos e jogos.

3- Facilita a recuperação da musculatura: de um treinamento para outro; de um jogo para outro; de um dia de competição para o outro. É fator extremamente importante em campeonatos internacionais, com jogos programados diariamente. Em Jogos Olímpicos, muitas vezes, uma equipe acaba um jogo as 22 h de um dia e inicia o outro as 10 h do seguinte.

4 – Facilita a adaptação às condições climáticas especiais; temperatura, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, etc.

5 – Auxilia o atleta a suportar períodos longos de treinamento, sem perda de rendimento físico, coordenação motora, eficiência mecânica, envolvimento mental, controle emocional, etc.
Concluindo, alguns treinadores e preparadores físicos de equipes de alta competitividade mencionam, categoricamente, que não vale despender tempo com treinamentos de natureza aeróbica. Dividem o tempo entre o treinamento de valências específicas e o treinamento técnico-tático, ambos sob alta intensidade. Creio que têm razão. Todavia, é preciso atentar para o fato de que a boa capacidade orgânica é indispensável à atividade humana. Deve ser obtida por ocasião da formação global do indivíduo e estimulada em qualquer segmento esportivo, em qualquer fase da vida do indivíduo.

Como o JUSTVOLLEYBALL tem em vista atender a todos os professores, treinadores e preparadores físicos, de todos os níveis de competitividade, a intenção é a de apresentar subsídios que contribuam para que os mesmos formem suas opiniões e façam as adaptações que julgarem válidas para melhorar seus trabalhos.

 

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