Preparação Física - Artigo 07

- Valências Orgânicas.

 

- Capacidade Aeróbica - Parte I.

Antes de começar a tratar da Capacidade Aeróbica é necessário chamar atenção para alguns aspectos, que serão úteis ao longo de toda a apresentação da preparação física.

 

1. A preparação física, como mencionado em artigos anteriores, tem com fim a aquisição/o aprimoramento, concomitantemente, das valências orgânicas e funcionais.

2. A preparação técnica individual objetiva o aperfeiçoamento da execução dos elementos fundamentais da técnica individual (fundamentos), requeridos para o desempenho das diversas funções do jogos.

3. A preparação tática tem em vista o estabelecimentos de estratégias e táticas, ofensivas e defensivas, que serão utilizadas pela equipe, de modo padrão ou circunstancial.

 

O Treinamento Global compreende as preparações:

- física;

- técnica;

- tática.

Dependendo da fase em que o treinamento se desenrola, o percentual da carga de trabalho em cada preparação varia. No gráfico a seguir, o exemplo de um treinamento em quatro fases.

 

Vamos raciocinar tomando como exemplo um treinamento com 4 Ciclos Quadrissemanais. No 1o ciclo, a preparação física física corresponde a 50% do treinamento global e as técnica e tática, respectivamente, a 40% e 10%.

Nos 2o, 3o e 4o ciclos - como está apresentado no gráfico - as cargas alternam-se, aumentando gradativamente as preparações técnica e tática e diminuindo a física. Somando-se as três atividades chegamos sempre aos 100%.

Evidentemente, essas porcentagens variam em face de algumas circunstâncias, como, por exemplo:

- a metodologia de cada treinador;

- o período de tempo para treinamento;

- os objetivos/necessidades da equipe;

- o nível de aptidão técnica individual dos jogadores da equipe;

- a faixa etária do elenco de jogadores;

- etc...

O período de tempo para treinamento influi na distribuição das preparações no treinamento global. Muitas vezes não há o tempo para o treinamento ideal e, neste caso, o treinador deve pensar na distribuição mais adequada. Da mesma maneira, a necessidade da equipe deve ser considerada. Se o elenco é de jogadores pouco dotados tecnicamente (nível de aptidão técnica), a prioridade deve ser, por exemplo, o treinamento técnico individual em detrimento da preparação física. Ao contrário, se os jogadores são bem dotados tecnicamente a prioridade pode ser a preparação física e tática. A faixa etária da equipe influi, sobretudo em categorias de base e equipes de escolas. Nas faixas mais jovens, a meu ver, devem ser valorizadas as preparações física - com ênfase para a formação global do atleta - e a técnica individual - com ênfase para a aprendizagem e aperfeiçoamento dos fundamentos.

 

Nota

No Vôlei de Praia, por exemplo, em que o calendário da temporada é divido em etapas, quase que semanais, a distribuição dos conteúdos deve ser muito bem pensada. No caso, o exemplo apresentado no gráfico anterior não é apropriado. Os aspectos mencionados no item anterior, no caso, são fundamentais para o planejamento da preparação física, especificamente, e da equipe como todo.

 

- Grau de Importância da Capacidade Aeróbica.

 

É importante na medida em contribui para que o jogador:

- suporte a globalidade do treinamento e, conseqüentemente, aperfeiçoe-se;

- mantenha o seu melhor rendimento ao longo de toda a duração de uma partida;

- recupere-se plenamente de um treinamento / jogo para o outro.

 

Considerando que os jogos têm duração de até duas horas e que o treinamento pode ter carga horária de 5, 6 ou mais horas, torna-se fundamental que o jogador possua a grande resistência orgânica (capacidade aeróbica/anaeróbica) e muscular, a fim de que possa suportar toda essa carga e aproveitar integralmente o treinamento global.

 

Nota

Alguns estudiosos da matéria - preparadores físicos e fisiologistas - não concordam plenamente com este pensamento. Argumentam que o jogo de voleibol é uma atividade predominantemente anaeróbica e ponto final. Se considerarmos o jogo de maneira isolada, creio que têm toda razão. Se considerarmos a globalidade da atidade do atleta - treinamento e jogos -, creio que a matéria tem que ser muito melhor discutida.

 

A Capacidade Aeróbica pode ser quantificada por meio de testes de fisiologia do esforço, realizados em laboratórios por médicos especializados. Cada jogador apresentará um resultado, que será comparado com o nível requerido pela competição em que a equipe está disputando. O treinamento, então, possibilitará:

- a aquisição das condições necessárias, pelos jogadores que apresentam resultado muito aquém do nível requerido;

- melhoria das condições, do jogador que apresenta resultado mais aproximado do nível requerido;

- melhoria sensível ou manutenção das condições, para o jogador que se encontra no nível requerido.

No gráfico a seguir, faço uma demonstração hipotética. Pegamos quatro jogadores de uma equipe - Jog. # 1, Jog. # 2, Jog # 3 e Jog # 4 - e submetemos a quatro avaliações, ao longo do período de treinamento - também, hipoteticamente, de quatro ciclos de quatro semanas.

No início do treinamento os testes de avaliação (1a. avaliação) registram o resultado de cada atleta. Os resultados devem ser comparados com 60 unidades (marca hipotética) relativa ao Nível Requerido pela Competição (NRC) - seta em vermelho.

No decorrer do treinamento, eles serão submetidos a mais três avaliações. O objetivo com o treinamento deve ser , obviamente, o de colocá-los no NRC, ou seja em 60 unidades.

O Jog. # 4, já na primeira avaliação, se encontra no NRC. No caso, o objetivo com o trabalho é mantê-lo nesta marca ou fazer com que melhore sensivelmente. Os jogadores # 1, # 2 e # 3, na mesma avaliação, registram índices abaixo do NRC. Logo, o objetivo para com eles é o de colocá-los no NRC, com o decorrer do treinamento. Na 3a. avaliação, os jogadores # 1 e # 2 conseguem atingir o NRC. O jogador # 3, não. Na 4a. e última avaliação, apena o jogador # 3 não consegue alcançar a meta. Pode-se concluir que o trabalho foi bem sucedido para com três jogadores. Não obteve sucesso para com um deles.

O grande valor dos teste realizados em laboratório é:

- poder individualizar o treinamento, isto é, poder ministra cargas de treinamento diferenciadas para individualidades biológicas diferentes;

- poder monitorar - de modo sistemático - o aproveitamento dos atletas com o treinamento.

Existem equipes que não dispõem de recursos para realizar os testes em laboratório, mas também necessitam individualizar o treinamento dos seus atletas. Simples; o treinador pode recorrer a testes de campo. Apresento dois métodos.

 

1 - Teste de Cooper - muito utilizado época anterior aos testes laboratoriais. Consiste em verificar a distância que os atletas conseguem correr durante 12 minutos.

2 - Estabelecer uma distância fixa - 2.000 metros, por exemplo - e verificar em que tempo cada atleta consegue percorrer a mesma.

 

Não são precisos quanto os testes realizados em laboratório, mas podem fornecer elementos valiosos para uma avaliação e, conseqüentemente, para a orientação ao treinador que ministra o treinamento.

Nota

- Os preparadores físicos e médicos especializados em fisiologia do esforço colocam em números exatos o que apresentei a grosso modo.

- É fundamental considerar o nível de competitividade, como apresentei no ítem que trata do planejamento.

 

Cont. no art. 08 com Treinamento da Capacidade Aeróbica.

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