Preparação Física - Artigo 06

- Valências - Orgânicas - Indispensáveis

 

- Capacidade Anaeróbica.

 

Uma partida de voleibol é constituída por períodos de "bolas em jogo", atualmente denominado por "rally". No momento em que a bola entra em jogo, há uma movimentação automática dos doze jogadores, de ambas as equipes. A que saca se movimenta para armar o seu Sistema Defensivo e a oponente o Sistema Ofensivo. Quando a bola não "morre" na primeira ação, ocorrem as Transições entre os Sistemas.

A equipe que saca mobiliza seu Sistema Defensivo - bloqueio/defesa - a fim de conquistar a posse da bola. Quando a obtém, realiza a transição para o Sistema Ofensivo, isto é, executa o levantamento e o ataque; o contra-ataque. Na representação gráfica a seguir, o encadeamento entre as funções quando a equipe executa o saque.

 

 

A que recepciona o saque, mobiliza-se ofensivamente, isto é, levanta e ataca. Quando não marca o ponto na primeira ação, ou seja, a bola é dominada pelo adversário, mobiliza - incontinente - seu Sistema Defensivo (representação gráfica a seguir).

 

 

Ambas as equipes alternam-se nessa movimentação e na execução das funções do jogo, ao longo de toda uma partida. Apresento essa sistemática do jogo com o propósito de enfatizar algumas peculiaridades do voleibol, isto é:

 

- é uma atividade fracionada em breves períodos de tempo;

- a movimentação realizada pelos jogadores é extremamente intensa, sobretudo por ocasião das transições;

- a execução dos fundamentos no desempenho das funções táticas requer, acima de tudo, velocidade e potência máximas, ao longo de todo o jogo.

 

Diante dessas peculiaridades, o jogador deve ter extremamente desenvolvido o sistema anaeróbico, ou seja:

- Capacidade Anaeróbica Alática, que possibilita ao jogador desenvolver a máxima potência anaeróbica em períodos curtos, entre 5 e 10 segundos - tempo aproximado da primeira ação do jogo;

- Capacidade Anaeróbica Lática, que possibilita ao jogador desenvolver potência total em ocasiões em que a bola não morre na primeira ação, até 40 segundos - tempo despendido na continuidade do jogo, quando se verificam as transições de um sistema para o outro.

Nota

Como fiz questão de enfatizar, essas são apenas considerações sobre a preparação física e, obviamente, carecem de maior aprofundamento científico. Um treinador deve recorrer aos preparadores físicos e médicos, especialistas na matéria, a fim de cercar o seu trabalho com todos os cuidados disponíveis para o melhor aproveitamento possível.

 

- Treinamento - Capacidade Anaeróbica.

 

No artigo que trata do treinamento com vistas à aquisição ou a melhoria da Capacidade Aeróbica, apresentei três maneiras de treinamento praticadas por equipes em todo o mundo e o novo método que intitulei Treinamento Orgânico (Aeróbico/Anaeróbico) Integrado ( TOI ). O treinamento da Capacidade Anaeróbica difere muito pouco. O que muda é a duração (no máximo 30 / 40 segundos) e a intensidade do esforço despendido nos estímulos (sub-máximo ou máximo). Os preparadores físicos, pela similaridade dos dois treinamentos, os realizam paralelamente.

São eles.

- Corrida Intervalada

- Interval-Training (treinamento intervalado) em equipamentos Ergométricos:

- bicicleta;

 

- esteira;

  - transport;
 

- remoergômetro.

- Treinamento em forma de Circuito na Quadra.

- Treinamento Aeróbico/Anaeróbico Integrado ( TOI )

 

- Corrida Intervalada.

 

É a sessão intercalada por períodos de tempo com esforço intenso com intervalos para descanso; ativo, com corrida lenta ou caminhada, ou passivo, em repouso absoluto.

Com uma minuciosa avaliação é possível classificar os jogadores em níveis, a fim de que se possa adequar o trabalho às individualidades e, conseqüentemente, obter o melhor aproveitamento possível. Com o conhecimento do real condicionamento de cada atleta, o preparador físico é capaz de estabelecer com exatidão:

 

- o número de sessões semanais;

- o número de estímulos e de intervalos, em cada sessão;

- a intensidade do esforço (velocidade/potência) que o atleta deve empregar nos estímulos;

- o tempo ou a distância da corrida;

- a freqüência cardíaca durante o estímulo;

- a duração dos intervalos;

- o tipo de intervalo, ativo ou passivo.

 

A Corrida Intervalada pode ser realizada em pista de atletismo ou em qualquer local que apresente uma superfície regular e os atletas possam imprimir alta velocidade. É apropriada para qualquer nível de competição, ou seja, de iniciantes até equipes de alta competitividade.

 


 

- Treinamento por meio de Interval-Training (treinamento intervalado) em equipamentos Ergométricos.

 

O voleibol é modalidade esportiva que solicita demasiadamente as articulações. Incomensurável número de saltos, deslocamentos e mudanças de direção causam brutal sofrimento aos tornozelos, aos joelhos e à coluna vertebral.

Os treinamentos para aquisição / melhoria da velocidade, da força, da força explosiva (exercícios pliométricos, por exemplo), da resistência muscular, etc, acentuam, também, o desgaste de tendões, ligamentos, músculos e articulações, sobretudo quando os exercícios são executados incorretamente.

Os treinadores e preparadores físicos têm demonstrado enorme preocupação em poupar os atletas. Tomam todos os cuidados para atenuar traumatismos e desgastes que podem ser evitados. Por exemplo:

- diminuição do número de saltos, nos treinamento de bloqueio e ataque;

- utilização da musculação com fim profilático, a fim de tornar as musculaturas adjacentes às articulações muito mais robustas;

- utilização do alongamento, como atividade recuperativa, recobrante;

- aproveitando-se de meios alternativos de preparação física.

Sobre esta última, vale raciocinar. A corrida intervalada é considerada, segundo muitos estudiosos, meio mais objetivo para a aquisição das valências orgânicas. Pelo fato do atleta acelerar seu corpo com a carga do seu peso corporal. Entretanto, a fim de poupar o atleta, resultado semelhante pode ser obtido sem tanto sacrifício, com a utilização de equipamentos ergométricos de alta tecnologia. Refiro-me, por exemplo:

 

- biscicleta,

- esteira,

- transport;

- remoergômetro;

São máquinas em que tempo, a carga, a intensidade do esforço, etc, podem ser mensurados com exatidão. O treinador / preparador físico pode elaborar as sessões levando em consideração limiares e individualizar a atividade de cada atleta, tendo em vista máximo aproveitamento de cada qual.

Como mencionado anteriormente, é essencial minuciosa sondagem sobre a capacidade de cada atleta, classificá-los em níveis e adequar o trabalho às individualidades. O preparador físico é capaz de estabelecer com exatidão:

 

- o número de sessões semanais;

- o número de estímulos e de intervalos, em cada sessão;

- a intensidade (carga) do esforço que o atleta deve empregar nos estímulos;

- o tempo dos estímulos e intervalos;

- a freqüência cardíaca durante o estímulo.

 


 

- Treinamento em forma de Circuito na Quadra.

 

É meio polivalente. Utilizado na preparação física para a aquisição de valências orgânicas e depuração de deslocamentos, movimentos e fundamentos utilizados no voleibol. O treinador estabelece estações com exercícios diferenciados. Na representação a seguir, um exemplo. Um circuito com 06 estações, para ser ministrado para um grupo de 12 atletas, dois em cada estação.

De cima para baixo do diagrama.

1 - Exercícios Pliométricos. Dois plintos. O atleta salta de cima de um, pousa, salto para cima do outro e, assim, sucessivamente.

2 - Corrida em velocidade, no sentido transversal da quadra. Ida e volta, correndo de frente; ida e volta, de costas; ida e volta, lateralmente sem cruzar as pernas; ida e volta, lateralmente cruzando as pernas;

3 - Cortada. Posicionado na linha de ataque, duas passadas, salto, movimento da cortada, pousa, recua até a linha de ataque, duas passadas, salto, movimento da cortada, pousa, recua e assim sucessivamente.

4 - Bloqueio. Deslocamento de 3 metros. Salto, bloqueio, deslocamento, salto, bloqueio, deslocamento, salto, bloqueio e assim sucessivamente.

5 - Deslocamento de defesa. O jogador deslocando diagonalmente, com pernas semiflexionadas e tronco flexionado sobre a bacia. Vai e volta, com velocidade máxima, nos pontos assinalados no solo.

6 - Deslocamento e mergulho e/ou rolamento. Partindo da linha do fundo, duas passadas, um mergulho/rolamento, recua de costas até a linha do fundo, duas passadas, um mergulho/rolamento, e assim sucessivamente.

 

 

Nota

Os exercícios sugeridos no diagrama são extremamente intensos, estafantes. Outros exercícios, menos intensos podem ser utilizados. Alguns outros, pouco intensos, podem ser entremeados a fim de quebrar a alta intensidade do circuito. Por exemplo, exercícios para resistência muscular localizada:

- flexão de braços;

- dorsos-lombares;

- abdominais;

- flexão de pernas;

- etc.

 

O treinador (objetivo técnico) e o preparador físico (objetivo físico), em conjunto, estabelecem:

 

- o número de sessões semanais.

- a duração de cada sessão;

- os exercícios de cada estação;

- a duração de cada estímulo;

- o tempo dos intervalos.

 

nom Nota

O treinador pode utilizar a bola tendo em vista aproveitar a execução dos exercícios para aperfeiçoar a técnica individual. Particularmente, não sou a favor. Considerando que a sessão é para treinar a valência física, a bola desvirtua. Os atletas não se concentram, como é apropriado, na execução técnica nem se empenham ao máximo na execução dos exercícios. Por conseguinte, não atingem, plenamente, nem um nem outro objetivo.

 


 

- Treinamento Orgânico Integrado - Técnico Tático ( TOI ).

 

Este método de treinamento é uma criação minha. Antes de apresentá-lo vale mencionar a maneira pela qual foi criado. Fui contratado para treinar uma equipe, em Catania, Itália, que tinha saído da segunda para a primeira divisão. Nos entendimentos, pelo telefone, o dirigente geral disse-me possuíam boa infra-estrutura e uma bom elenco de jogadores. Chegando lá, não tinham quase nada, ou melhor, apenas os ginásios, municipais, para treinamento e jogos.

Conversando com os dirigentes, disseram que tinham apenas alguns jogadores e que estavam me esperando para contratar os demais. O pior: o campeonato começaria em cinco semanas. Passamos a contratar os jogadores. Chegaram pouco a pouco e, todos, desfrutando período de férias. Ou seja, todos parados, fora de forma. Além disso, não havia grandes jogadores disponíveis no mercado.

Por ocasião do planejamento raciocinei. Preciso colocar a equipe nos níveis requeridos. Isto é: o elenco com bom condicionamento físico e tecnicamente melhor e armar a equipe taticamente. Qual seria a prioridade? Pensei com meus botões: não adianta ter uma equipe bem preparada fisicamente e deficiente técnica e taticamente; também, é uma limitação uma equipe com deficiência no condicionamento físico.

Formulei uma tese. Criar um treinamento em que trabalhasse todos os três itens na mesma sessão. Foi o que fiz. Elaborei meticuloso Planejamento com o seguintes os objetivos específicos:

- melhorar o condicionamento orgânico (aeróbico/anaeróbico);

- aperfeiçoar a técnica individual;

- estabelecer as estratégias e táticas coletivas da equipe.

 

Na Programação as Sessões de Treinamento seriam intervaladas:

- execícios realizados em períodos de tempo, com deslocamentos (curtos, médios e longos), em diferentes velocidades; seriam os estímulos,

-.intercalados por períodos de tempo, para descanso; seriam os intervalos.

As sessões de preparação física - mais breves possíveis - tiveram como objetivo:

- aquisição / melhoria da força pura;

- aquisição / melhoria da flexibilidade.

Assim foi feito. Os resultados foram mais do que satisfatórios. Os objetivos foram revelados nas avaliações períódicas. Os subjetivos foram evidenciados em boas performances ao longo de todo o campeonato.

Após a apresentação da Capacidade Aeróbica, serão sugeridas seqüências com vários exercícios apropriados para a aquisição / melhoria das valências orgânicas. Enfim, o método Treinamento Orgânico Integrado ( TOI ).

 

Continuação no artigo 07, com Capacidade Aeróbica

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