Histórias dos Bastidores - 37

Rony Show e o "Efeito-Contra".

Nos artigos sobre a técnica individual do Ataque, menciono como fundamentos e meios de ataque: a Cortada, a "Largada", a Meia-Batida e o "Efeito-Contra". Todos conhecem os três primeiros e grandes atacantes da história que fizeram uso dos mesmos com grande brilhantismo.  Agora, ao "Efeito-Contra", não. Segundo, Benedito Silva, o grandíssimo Bené, é uma criação sua e do grande craque do passado, Borboleta, a Maravilha Negra. Bené conta que os dois davam show com jogadas lindas, umas das quais o "Efeito-Contra". Ambos negros, quando jovens, jogando em Niterói, passavam vaselina no corpo a fim de ficarem brilhando. O público vibrava com aquele brilhantismo todo; sobretudo, segundo ele, pelos ataques “linnnnnndos”.

Depois de encerrar a carreira, Bené passou a dirigir as categorias de base do Fluminense F. C., do Rio de Janeiro. Como é sabido, foi um descobridor de talentos; tinha "olho clínico". Uma das suas inúmeras virtudes, foi a de estimular as jogadas de categoria. Nos seus treinamentos ouvia-se, a cada jogada de grande habilidade, a exclamação: linnnnnnnnnnnnnda!!! E acrescentava para que todos ouvissem: o “molecão” tem qualidades natas!!!. Via qualidades que para muitos passavam desapercebidas. Não foi por acaso que revelou grandes jogadores da história do, no Brasil e em todo o mundo: Bernard, Fernandão, Badalhoca, Bernardinho, Delano, Zé Henrique, Barata, Luiz Américo e muitos outros.

Sobre o "Efeito-Contra", quem melhor o executou foi Rony Show, "Beneditino" genuíno, ninguém encarnou tanto o espírito que Bené estimulava. No ataque, executava todos os golpes com grande eficácia. Jogador extremamente habilidoso e versátil, não chegou às seleções brasileiras, pois não alcançou a estatura requerida no voleibol internacional.

Usava o "Efeito-Contra", em qualquer jogo e com qualquer placar (por mais decisivo que fosse o momento do jogo). Por isso, dava a impressão de irresponsável. Também, a de um "tirador de onda", "marrento", enfim, essas coisas com as quais rotulam certos jogadores. Depois de uma jogada de categoria, saía com o braço estendido para o alto, como se quisesse dizer; sou o "Cara".

Mas, não, nada disso. O voleibol, para ele, não era só competição. Era também, ou sobretudo, uma grande diversão. A impressão que passava era a de que se divertia jogando voleibol; e divertia aqueles que o assistiam. Aquele papo de que o importante é vencer, e não dar espetáculo, não era com ele. Vencia, na maioria das vezes, e dava espetáculo.

Depois de encerrar a carreira passou a ensinar sua técnica às crianças e os adolescentes que frequentam sua Escolinha de Vôlei de Praia, em frente à rua José Linhares, Leblon, Rio de Janeiro.

 

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