Histórias dos Bastidores - 35

Flavinho Fiúza x Carlson Gracie

 

Posto 6, em frente à Rua Joaquim Nabuco, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, é considerado o ponto em que o vôlei na areia começou. Recordo-me que, bem menino, ia lá com meu pai, Mario Borges de Araujo (Perácio), e seu irmão Paulo Borges de Araujo; isso, na década de 50.

Muitos dos maiores jogadores do vôlei de quadra, na ocasião, frequentavam assiduamente. Alguns personagens se tornaram mitos. Virgílio Damásio de Sá, (Everest), Enio Pé de Valsa (pai do nosso querido Rony Show), Ricardo Veloso, Lúcio Figueiredo, Paulo Amaral (preparador físico da Seleção Brasileira de Futebol, nas Copas de 58 e 62), Claudio Coelho (Pinto), Carlos Augusto Vegara (o pintor), Flávio Fiúza (Flavinho), Bebeto de Freitas (ex-treinador de Seleção Brasileira de Voleibol) e, Carlson Gracie (legenda da família Gracie, precursora do Jiu-Jitsu no Brasil).

Uma característica marcante; a rivalidade com que todos os jogos eram disputados. Primeiro, pelo prazer da vitória, pura e simples. Depois, claro, pela gozação nas resenhas. Muito mais, porque corria aposta em dinheiro vivo. Para se ter uma idéia, nos jogos mais acirrados a grana era casada na mão de Paulo Amaral, com quem ninguém se aventurava sequer reclamar.

Além das apostas nos jogos, haviam outras de toda natureza. Por exemplo. Carlson Gracie colocava uma chave na mão fechada e apostava que ninguém conseguia abrir: e ninguém nunca conseguiu. Apostava que imobilizaria qualquer um em trinta segundos; ninguém resistiu. O que mais se aproximou foi Veloso. Dado o JÁ, se atirou no corpo de Carlson e se agarrou, como um bebê no colo da mãe; há controvérsia, mas parece que se deu bem.

Um belo dia, uma surpresa. Flavinho Fiúza fez um desafio, no mínimo, surreal. Disse que não seria imobilizado pelo Carlson, quem sabe até o imobilizaria. Não em trinta segundos, mas em um minuto. A galera, entre atônita e desconfiada, vibrou. Flavinho, então, impôs condições. Diferentemente, de uma rodinha onde ocorriam os desafios, seria dentro da quadra de voleibol (18 x 9 m). Mais, cada qual partiria de uma das linhas de fundo.

Abro um parêntesis. Flavinho Fiúza (ex-jogador de voleibol de Fluminense e AABB-Rio, na década de 60) é considerado um dos maiores jogadores de dupla na areia, de todos os tempos. Tinha 1,68 m de estatura. Caracterizava-se pela extraordinária técnica e incrível velocidade/agilidade. Ainda hoje, com mais de sessenta anos de idade, joga uma bola das mais redondas.

Dado o JÁ. Flavinho parte. Passa por baixo da rede e chega bem perto do temível adversário. Carlson, intrigado, fica observando a astúcia do oponente; nisso, já se foram preciosos segundos. Carlson parte. Flavinho, recua. Nova investida. Flavinho cisca pra lá, cisca pra cá; como um rato correndo do gato. Carlson, decidido, tenta o bote derradeiro. Flavio o finta, ultrapassa a rede e corre para a linha de fundo da quadra oposta; meta do desafio. Acabam os sessenta segundos. Carlson não consegue, sequer tocar um dedo no, diria, maluco, do Flavinho.

Como tudo no posto 6, acabou em galhofa, risadas. Depois, na “resenha”, como sempre, todos se entregaram aos prazeres da boa e velha cerveja bem geladinha.

 

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