Histórias/Bastidores 24

A lente de contato.

Jogavam Botafogo F.R. e CIB, ambos do Rio de Janeiro. O 5o set estava 14 x 11 para o CIB. No momento em que um jogador do CIB ia dar o saque, Careca, que jogava pelo Botafogo, grita:

- Pára, pára que perdi minha lente de contato. Ninguém se mexe, para não pisar na lente.

Na mesma hora todos os jogadores pararam, ficaram estáticos. Todos começaram a procurar as lentes; companheiros de time, adversários e até árbitros. Alguns engatinhavam para enxergar melhor. Nunca se viu tanta solidariedade.

Pouco a pouco, seus companheiros de equipe, conhecendo Careca da maneira como o conheciam - grandíssimo cara-de-pau -, começaram a suspeitar de que era mais uma das suas "armações". A intenção, como sempre, era a de esfriar, irritar, desconcentrar o adversário. Nunca ninguém soube que ele precisasse usar lentes de contato. Ninguém jamais o vira com óculos. Nunca tinham percebido qualquer indício de dificuldade de visão. Um a um, com máxima discrição, começou a suspender a procura. Logo-logo não havia mais jogadores do Botafogo procurando a lente. Ficaram os adversários e os árbitros. Nisso, alguém do time adversário gritou:

- Isso é armação! É palhaçada do Careca!

Um companheiro de time do Careca, para irritar mais ainda, também gritou:

- Vocês são mesmo muito otários!

Pronto. Na mesma hora, discussões, ofensas, empurrões. Quase o "pau-quebrou". O jogo ficou parado mais de 20 minutos. Objetivo, com a "catimba", plenamente alcançado; o time adversário esfriou completamente.

Antes de reiniciar a partida, o árbitro chamou Careca e repreendeu-o energicamente. Deixou claro que percebeu a malandragem, embora não pudesse afirmar que Careca tinha feito uma "armação", uma vez que não poderia provar. Este, por sua vez, com o maior descaramento, fez-se de vítima:

- Seu juiz, eu realmente perdi minha lente. O senhor conhece minha sinceridade. Jamais iria fazer palhaçada com o senhor apitando o jogo. Tenho o maior respeito pelo senhor, mas não tem problema não. Jogo com uma lente só!

Os companheiros esforçavam-se para não rir. Os adversários fuzilavam-no com olhares e, claro, com ofensas. O jogo foi reiniciado. Botafogo reagiu e ganhou.

Por pouco, muito pouco mesmo, o "pau-não-quebrou" geral!

 

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