Histórias/Bastidores 21

Bernard em Deixa Comigo

O grande Bernard, um dos melhores jogadores de todos os tempos (foi, juntamente com o brasileiro Renan Dal Zotto e Karch Kiraly, indicado pela FIVB para jogador do século) era um bom companheiro. Naquela seleção, chamada Geração de Prata, era um dos mais experientes. Muito prestativo, nunca se furtava a ajudar, sobretudo, os mais novos, fosse com uma dica, fosse com um conselho ou uma "dura", etc...

Nas viagens ao exterior, conhecia as boas lojas, os melhores preços, enfim, era um verdadeiro guia. Em muitas ocasiões liberava uma grana para os mais "duros" comprarem alguma coisa que desejassem.

A história que vou contar não tem nada a ver com "pão-durice". Era mesmo pura malandragem que, naquele grupo, ocorria o tempo todo; era um sacaneando - no bom sentido - o outro, o tempo todo. Bernard era um apressado. Sempre o primeiro a sair ou entrar nos lugares, a saber das novidades, enfim, gostava de dar as notícias em primeiríssima mão. Naquela época fazíamos excursões ao exterior de 30, 40 e até 60 dias.

Quando chegávamos a um país, ele corria o mais rapidamente possível ao guichê do aeroporto e trocava seus dólares pela moeda local. Depois, quando um companheiro estava bebendo um cafezinho, ele botava a mão no bolso e dizia:

- Deixa comigo.

Alguém bebendo um refrigerante, ele vinha e falava:

- Faço questão de pagar.

Outro que estivesse comprando uma lembrancinha qualquer, prontamente vinha ele:

- Imagina... deixa que eu seguro essa.

Era uma gentileza atrás da outra; chegava a espantar. Os calouros, então, olhavam e deviam pensar: "Puxa... esse cara é tão craque e tão humilde...! Nas primeiras 24 horas não deixava ninguém botar a mão no bolso. Depois...

Bem... depois, sempre que iam comprar alguma coisa, ele chegava:

- Lembra daquele refrigerante que te paguei?

- Lembra daquele sanduíche?

Era um tal de lembra disso, lembra daquilo, etc... etc... etc... Com esse papo, não botava mais a mão no bolso; todo o resto da excursão!!!

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