Histórias/Bastidores 18

por ex-jogadores da década de 70.

Professor sabe tudo

Tinha um treinador - não vou mencionar o nome - convencido de que era o máximo. Achava que conhecia tudo, inventou tudo e tudo que fazia era o máximo. Ficou conhecido por essa presunção e, claro, tornou-se um prato cheio para a encarnação dos jogadores.

Sempre que havia uma roda de jogadores logo surgiam comentários sobre grandes equipes e jogadores brilhantes. Por exemplo, estavam falando do time do Japão, que fazia jogadas espetaculares. O Japão revolucionou o voleibol com jogadas executadas em grande velocidade; todas inéditas. Alguém rolava a bola para o professor sabe tudo:

- Aquela jogada de ataque do Japão, a Desmico, é sensacional. Nunca tinha visto essa jogada antes. Não sei como é que eles conseguem realizá-la com tanta perfeição.

Professor sabe tudo, atento, interrompia na hora:

- Essa jogada meu time tal já fazia em mil novecentos e tal. Fazia até com maior perfeição. Nunca podia imaginar que um dia os japoneses iriam fazer também.

Os jogadores entreolhavam-se, sorriam discretamente - já conheciam o Professor - e o papo seguia.

- É praticamente impossível neutralizar essa jogada. Acho que não tem jeito.

Para o Professor tinha e ele, rápido no gatilho, disparava:

- Quando eu era técnico do time tal traçamos uma estratégia e os japoneses não conseguiram fazer jogada alguma.

- O senhor ganhou daquele time do Japão, professor?

- Não ganhamos porque o time "morreu no finalzinho do jogo, mas que neutralizamos todas as jogadas, isso neutralizamos e bem neutralizado.

A rapaziada, contendo o riso, continuava:

- Mas professor, como é que o senhor fez para parar o Oko - um dos maiores atacantes da história do voleibol mundial? Ele era excepcional atacante.

- Conheci o Oko desde que começou a jogar na seleção japonesa. Sei todas as suas artimanhas. Quando jogava contra o meu time, não andava.

Com o Professor já na roda, os jogadores, a fim de instigá-lo, falavam de vários jogadores de vários países. O professor, como sempre, conhecia a todos desde que eram infantis. Contra o time do professor, não andavam! Um gozador contumaz no grupo começou a comentar sobre jogadores i-ne-xis-ten-tes. Pegava o nome de uma fruta, por exemplo, a banana, acrescentava uma terminação de nome russo e passava a elogiá-lo:

- O Caquicov atacava tão bem porque o Melanov era um bom levantador e só levantava a bola perfeita. A Bulgária nunca perdeu com os dois jogando.

O Professor nem deixou a frase terminar:

- Perdeu sim! Conheço o Caquicov e o Melanov desde mil novecentos e tantos e contra meu time não conseguiam jogar porque eu mandava meus jogadores darem um saque "assim", outro "assado", etc...!

- Pô professor, o senhor conhece todo mundo hein! Agora, tem um que é cracasso e tenho certeza de que o senhor não conhece.

- Quem?

- O Ameixanovic, da Ioguslávia.

- Há, há, há... desde que era do infantil!!!

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