Histórias/Bastidores - 05

por Victor Barcellos.

O Bloqueio.

O time do Santos, na década de 60, era praticamente uma seleção brasileira. Jogavam, entre outros, eu, Feitosa, Décio Viotti, Paulo Russo, Nicolau, etc... Éramos favoritos em todos os campeonatos e jogávamos sempre para ganhar, com toda seriedade. Mas em jogos amistosos ou nos Jogos Abertos de São Paulo... a turma aprontava uma barbaridade. Os jogos eram muito fáceis e a moçada providenciava, sempre, uma diversão: uma maneira de tornar o jogo agradável.

Certa ocasião, jogamos contra um time que tinha um jogador fantástico. Era levantador, dos bons, apesar de uma deficiência: em um dos braços, tinha apenas a metade do antebraço. Quando entramos na quadra vimos aquele levantador e pensamos: esse cara não pode jogar voleibol. Engano nosso. Logo no bate-bola, na rede, para nossa surpresa, vimos que levantava muito direitinho.

Começamos o jogo e, logo logo veio uma idéia: levantar todas as bola, mas todas mesmo, para o um mesmo jogador do nosso time - não vou citar o nome, não é necessário. O tal jogador era meio marrento e entramos numa de sacaneá-lo. Levantamos todas, é isso aí, todas as bolas pra ele, a fim de que ele fosse bloqueado pelo levantador. As levantadas, obviamente, não eram perfeitas. A bola chegava um pouco fora da rede, um pouco grudada, um pouco curta, uma pouco esticada, etc...; perfeita, nenhuma. Foi sabotagem mesmo.

Nosso escolhido, excepcional atacante, deitou e rolou. Até que se descuidou e foi, finalmente... bloqueado. A encarnação foi geral, nossa e do público.

Nosso amigo ficou meio sem graça. Alguns dos nossos, fingindo indignação, ainda o interpelaram: que que isso cara!?!? Sem saber onde meter a cara, nosso amigo levou na brincadeira. Só, então, passamos a levantar para todos os atacantes.

Foi molecagem, mas que foi um barato, isso foi.

Voltar ao menu de Histórias/Bastidores