Histórias/Bastidores - 04

Opinião do Badá

Não é só no futebol que os times entram em crise. Acho que a crise é bem do brasileiro. Diante de derrotas consecutivas os problemas não tardam a pipocar.

Nestes momentos, que geralmente são de grande tensão, os treinadores promovem reuniões com todo o grupo. Nestas, enumeram os problemas, reprovam atitudes negativas, enfim, apontam tudo o que não está dentro dos "conformes".

Uma peculiaridade marcante dos treinadores é que, geralmente, dirigem suas palavras ao grupo. Muito raramente advertem ou interpelam a apenas um jogador - as advertências, interpelações, etc..., comumente são feitas em particular. Depois os treinadores dão a palavra aos jogadores, demais membros da comissão técnica, etc... Uns dão opinião, mas a grande maioria fica mesmo é em cima do muro.

Badalhoca, o famoso Badá, era um jogador de atitudes; certas ou erradas. Quando encasquetava alguma coisa na cabeça era difícil demovê-lo. Todavia, de muito poucas palavras. Era - ainda é - um tipo "na dele", "podes crer", "alienadão", "nem aí". Não se metia com ninguém. Era muito engraçado e bem quisto por todos. Nas reuniões... ficava em cima do muro mesmo. Veja uma de suas opiniões:

- Eu acho que, sei lá, é muito importante isso aí que a galera tá falando. Pô... é isso aí.

Sorria, balaçava os ombros, olhava para os lados e continuava:

- A rapaziada (risos), a rapaziada... sei lá. O mais importante é a união do grupo (risos). Pô, todo mundo fala isso, mas é... é isso... é isso aí.

Os demais jogadores do time entreolhavam-se e começavam a segurar as risadas. Ele, nem aí, continuava:

- Tem neguinho, sei lá, tem neguinho aí... é aquele papo, tem neguinho aí... sei lá. Aí, ficar falando sem saber... sei lá... pô, não é muito por aí.

Todos na reunião olhavam intrigados, apertavam os olhos, como imaginando o que ele queria dizer. Ele sorria, respirava fundo e encerrava:

- Aí, ficar falando demais, sei lá, falei demais. É o seguinte: tem que ver com calma... (risos). Aí (risos) , a galera já falou tudo. Pra mim é isso, é isso aí. Aí... fala outro agora.

Essa era a opinião, mais do que abalizada, do fantástico Badá. Como essas reuniões eram para "lavar a roupa suja", a turma segurava as risadas até não agüentar mais. Aí, uma explosão de gargalhadas, até da Comissão Técnica. Isso servia para quebrar a tensão da reunião e desanuviava o clima de crise da ocasião.

 

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