Histórias/Bastidores - 03

Roni Show

Roni Show, o personagem desta estória, foi um cracaço de bola e destaque em todas as categorias, do mirim ao juvenil. Não seguiu carreira em virtude da sua estatura: cerca de 1,80 m. Era extremamente indisciplinado, engraçado, desmazelado, enfim, tudo que acaba com "ado".

Não se contentava só em treinar e jogar. Adorava fazer uma "presepada" no treino e, acreditem, no próprio jogo. Como tinha muita habilidade, preferia os lances exuberantes e, quase sempre, muito engraçados. Enfim, era um verdadeiro show, dai o apelido.

Tinha com seu treinador no Fluminense, o grande Bené, um relacionamento bastante curioso. Respeitava-o e este, como a todos os craques, o admirava bastante. Roni não gostava de ser substituído durante os jogos. Ficar no banco, nem pensar. Virou, mexeu, por não estar jogando bem ou por qualquer presepada, Bené o substituía. Roni saía do quadra - tinha um andar de "urubu-malandro" , passava pelo Bené e perguntava:

- Amanhã a que horas?

Ia direto para o vestiário e em seguida para casa. Era um ato de indisciplina gravíssimo, mas Bené nem esquentava. Olhava para Roni e falava:

- Esta merrr... - falava forçando o R - entra ano, sai ano, não aprende!

Era frequentemente expulso dos treinos. Roni aprontava alguma e Bené, imediatamente, gritando:

- Seu Roni, banho!

Roni, do local em que estava, nem discutia. Ia logo para o vestiário tomar seu banho e do vestiário, como sempre, para casa. Nos treinamentos falava pelos cotovelos, treinava com displicência, perturbava a todos e ao próprio treino. Fazia alguma, só se escutava:

- Seu Roni, banho!

Uma de suas manias marcantes era a de, por qualquer motivo, chutar a bola no teto de zinco do ginásio de treino do Fluminense. Toda vez que chutava uma bola, Bené não titubeava:

- Seu Roni, banho!

Quando Roni estava enchendo o saco, um companheiro, por molecagem, esperava Bené virar as costas para quadra e chutava a bola no teto. Ao ouvir o barulho da bola batendo no zinco, Bené incontinenti:

- Seu Roni, banho!

Roni, sempre com sorriso maroto, tentava defender-se:

- Mas seu Bené, essa não fui eu quem chutou. Foi palhaçada da rapaziada. Bené não esperava ele acabar:

- Banho! Amanhã às duas. Só isso!

Roni saía com seu andar de "urubu-malandro", ia para o vestiário e, como sempre, para casa. Os companheiros, nas costas de Bené, morriam de dar risadas e, para irritarem ainda mais, faziam aquele gesto característico: u'a mão aberta batendo na outra fechada. Roni, sem perder a esportiva, rindo, ameaçava:

- Vocês vão me pagar, bando de palhaços! Bené olhava e, como sempre:

- Essa merrr... entra ano, sai ano, não aprende! Roni foi auxiliar técnico da dupla de vôlei de praia Sandra e Jacqueline, que conquistou a medalha de ouro, em Atlanta. É muito bem quisto por todos no meio do voleibol. Das coisas que acabam com "ado" é, com certeza, muito estimado.

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