História/Bastidores

Com dedo fraturado no banco de reservas?.

 

O saudoso professor Sami Melinski, ex treinador e membro da Confederação Brasileira de Voleibol - uma legenda do nosso voleibol - conta uma história fascinante.

Quando dirigia o C.R. do Flamengo, na década de 60, a recepção do saque era realizada exclusivamente por meio do toque de bola acima da cabeça. Não havia, ainda, a manchete. Quando a bola vinha mais baixa, os jogadores agachavam-se, executavam o toque e rolavam para trás. Os jogadores eram exímios na execução desse fundamento e havia um que destacava-se entre todos; o levantador Hamiltom Baiano e José Maria Scassa.

Este útimo além de técnica perfeita, ainda era marrento, mais gozador do que marrento. Mandou produzir uma caixa de fósforo, daquelas de papelão que as empresa distribuiam com propagada, com o mote: José Maria Scassa, o toque mais perfeito do Brasil! Só que na opinião de todos, Hamilton Baiano era quem possuía o toque mais perfeito.

No jogo que decidia o Campeonato Carioca, Hamiltom Baiano não poderia jogar, por estar com o dedo da mão fraturado. Por algum motivo, que Sami não revelou a ninguém, deixou o Hamilton no banco de reservas com o dedo fraturado.

Em momento decisivo da partida, a recepção não andava bem e havia um jogador produzindo bem abaixo dos demais. A equipe adversária preparava-se para sacar e, certamente, o faria sobre o referido jogador. Um vez que o companheiro na formação da recepção era ninguém menos que Scassa. Motivado por essas intuições que ocorrem com os técnicos, colocou o Hamilton na quadra, para participar da recepção.

Muito gente pensou que Sami não estava "regulando" bem. O adversário, conhecendo a qualidade do Hamilton não sacou nele e sim no outro Sacassa; tudo que o Sami queria. Deu certo, viraram a bola e venceram o jogo.

Esse fato demonstra como o toque de bola foi largamente utilizado no voleibol, até o início da década de 60, para a recepção do saque. Em 1962, foi substituído pela manchete e, a partir de então, abolido, punido, etc... Recentemente voltou a ser permitido e, ainda, sem a exigência de ser perfeito.

A tendência é que os jogadores ganhem cada vez mais habilidade nessa técnica e passem a explorá-la com grande frequência e novas táticas sejam criadas. Por esse motivo, deve ser treinado, pois é adequado em muitas circunstâncias em uma partida.

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