Entrevista 02 - Fabi Alvim

Fabiana Alvim, a Fabi, é o que podemos chamar - sem querer parafrasear ninguém e já parafraseando - de a "pequena notável". Foi brilhante atacante, nas categorias de base do Flamengo, do Rio de Janeiro. Em virtude da sua baixa estatura e excepcional técnica na defesa e na recepção saque, passou a ser Líbero. Lançada na Superliga, por Isabel Salgado, no Vasco da Gama, em substituição a Sandra - primeira Líbero da Seleção Brasileira - segurou o maior "rabo-de-foguete". Para encurtar a história, contituiu-se na grande revelação da competição. Foi convocada para Seleção Brasileira, também para substituir Ricarda, e começou a sua espetacular trajetória internacional. Em 2002, contitui-se, nada mais nada menos - na melhor Líbero do World Grand Prix.

Tudo isso, conquistado em tão pouco tempo, não aconteceu por acaso. Sou testemunha de sua dedicação e, acima de tudo, de sua bravura. Na minha cabeça, não é nada fácil a função. É só dificuldade e em momentos decisivos. Ao líbero é requerido inúmeras qualidades, tais como: extraordinária técnica e aplicação tática, que conduzem à auto-confiança; auto-controle emocional; capacidade de liderança; altruísmo - no sentido de servir seu time.

Neste bate-papo voces poderão perceber nas suas palavras que - além de ter demonstrado nas quadras - ela tem tudo isso. É humilde, determinada, corajosa e guerreira. Tem tudo para brilhar cada vez mais. É o que, do fundo do coração, desejo à essa "pequena notável".

 

JVB - Nos momentos decisivos, que são muitos para o Líbero, a responsabilidade pesa, você se sente desconfortável?

Fabi - Não pesa não, acho que hoje em dia pra ser líbero é preciso, acima de tudo, ter muita tranqüilidade em certos momentos. É claro que não é uma coisa fácil, ainda mais porque sou uma pessoa totalmente impulsiva. Jogo muito com o coração, vibro muito, mas ao mesmo tempo, tive que aprender a misturar um pouco de frieza com responsabilidade, para poder assumir uma postura de liderança em alguns fundamentos de minha equipe.

JVB - Sobre este aspecto da liderança, gostaria de saber se você lidera suas companheiras no decorrer do jogo, uma vez que, você está na quadra o tempo todo, conhece suas companheiras - virtudes e deficiências -, a estratégia defensiva do seu time, as recomendações do treinador, enfim, uma série de elementos fundamentais para exercer uma postura de líder?

Fabi - Procuro sempre conversar com meus técnicos. Primeiro porque acho de total importância a comunicação atleta-técnico. Segundo, porque como estou sempre saindo e entrando e recebendo informações novas a todo momento, considero minha função passar tudo para as companheiras no decorrer do jogo.

JVB - Você se realiza como Líbero ou gostaria de jogar em outra posição?

Fabi - Amo o que faço. Jogar vôlei profissionalmente pra mim, antes de surgir o libero, seria muito difícil. Nunca pensei em desistir, mas tenho a consciência de que seria complicado jogar. Mais se tem uma coisa que tenho mais prazer e amor é defender uma cortada bem forte da melhor atacante!!!! Aprendi a curtir os pontos obtidos pelas minhas companheiras, uma vez, que não posso fazê-los. Também, tenho a maior satisfação em impedir que os outros façam pontos no meu time.

JVB - Antes de ser Líbero, em que posição você jogava?

Fabi - Por incrível que pareça eu era atacante!!!

JVB - E você jogava bem?

Fabi - Acho que sim. Na verdade não sou muito boa pra falar de mim. Mais acho que dei um pouco de trabalho onde por onde joguei.

JVB - Quais Líberos você admira, no Brasil e no Mundo?

Fabi - Aqui no Brasil tem muitas líberos boas. Gosto muito da Dani, do Rexona; da Rafa, do São Caetano e da Arlene do BCN. Lá fora gosto da líbero dos EUA, apesar dela fazer muitas poses ao invés de ser mais simples, mas é muito boa. A líbero japonesa é muito rápida e é muito bonito vê-la jogando.

JVB - Por que?

Fabi - Todas assumem em seus times uma postura de guerreiras e isso me fascina. Ver uma bela defesa, um passe, onde podemos facilitar as atacantes, por mais que seja difícil, entramos na frente e passamos mesmo. Isso tudo é muito encantador.

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