Dica: Controle da Bola.

Experiência realizada no Treinamento das Seleções Brasileiras Sub 19 e Sub 21. A fim de aperfeiçoar o controle da bola. É uma das atividades que iniciam os treinamentos. A ideia é diversificar essa prática o máximo possível. Com vistas:

a - evitar a repetitividade de exercícios que compõem essa parte do treinamento;

b - colocar os atletas em confronto com desafios revestidos por crescente grau de dificuldade.

 

Disposição dos Jogadores na quadra

Aproveitando as linhas da quadra de jogo. Os atletas ficam distribuídos da seguinte maneira:

Dois jogadores em cada linha lateral, nas duas meias quadras. Quatro a cerca e 1 metro da linha central da quadra. Quatro a cerca de 1 metro das linhas finais da quadra. No diagrama a seguir, a disposição dos jogadores estão representados pelos botões vermelhos.

Dinâmica dos Exercícios

Cconsiste na execução de fundamentos entre as duplas, de um para o outro de modo que a bola fique sempre sobre as linhas da quadra.

 

 

 

 

Ex. 01 - Os dois jogadores executam dois toques acima da cabeça. O primeiro para sobre seu próprio eixo e o segundo para o companheiro. A trajetória da bola deve ser sobre a linha na qual estão praticando o exercício. Caso a mesma saia à direita/esquerda, o companheiro que a recebe executa o primeiro de volta para a linha (corrige) e o segundo para o companheiro.

 

Notas

- Os toques devem ser executados como determina a regra do jogo, ou seja, a a bola saindo de sobre a testa.

- A fim de desenvolver a ação de entrar por sobre a bola e colocá-la sobre a testa, o jogador deve deslocar-se com velocidade a fim de executar o primeiro com a bola reigorosamente sobre seu próprio eixo.

Na figura a seguir.

O eixo do corpo representado pela linha vertical pontilhada em vermelho. Os primeiros toques devem ser executados no prolongamento do mesmo, sobre a testa. De maneira que a bola suba pelo menos dois metros (seta vertical em azul claro), a fim de que o atleta tenha tempo de realizar o movimento de flexão/extensão das pernas e dos braços para executar o segundo.

Nos segundos toques a trajetória da bola deve ser semelhante a de um levantamento, isto é, ela sai bem para o alto de maneira que a bola chegue alta para o companheiro Linha curva tracejada em azul mais escuro.

 

 

Ex. 02 - Mesma dinâmica do ex. 01, com os jogadores executando os levantamentos por meio da manchete de frente.

Ex. 03 - A mesma dinâmica do ex. 1. O primeiro toque ligeiramente (máximo) 1 metro à direita e/ou esquerda. Quando à direita, o atleta apoia a perna direita (direciona-a para o ponto em que fará o levantamento) e executa o segundo para o companheiro que estará esperando sobre a linha lateral. Quando à esquerda, o atleta apoia a perna esquerda e toca para o companheiro que estará esperando sobre a linha lateral. No diag. 2, a arrumação da quadra com os oito jogadores praticando concomitantemente.

 

 

 

Ex. 04 - A mesma dinâmica dos exercícios anteriores. O primeiro toque para o alto e o segundo lateralmente (com o corpo virado à direita e/ou esquerda) para o companheiro que estará esperando sobre a linha lateral.

Ex. 05 - Idem ex. 04, com a manchete lateral.

Nota

A perna de apoio para a boa execução do toque e/ou a manchete lateral: corpo virado para a direita, perna esquerda; corpo virado para a esquerda, perna direita.

 

Ex. 06 - Mesma dinâmica dos exercícios anteriores. Agora, o segundo toque é de costas para o companheiro que estará esperando sobre a linha lateral.

Ex. 07 - Idem ex. 06, com a manchete de costas.

Nota

A perna de apoio para a boa execução do toque e/ou a manchete de costas: a que está à frente no exato momento da execução.

 

Ex. 08 - O atletas ainda sobre as linhas laterais. Agora executando só um toque, isto é, tocam diretamente para o companheiro; de frente.

Ex. 09 - Idem ex. 08, com os passes executados por meio da manchete de frente.

Ex. 10 - Idem ex. 08, o toque lateralmente, com o corpo virado de frente para a direita/esquerda.

Ex. 11 - Idem ex. 08, a manchete lateral, com o corpo virado de frente para a direita/esquerda.

Ex. 12 - Idem ex. 8, o toque de costas.

Ex. 13 - Idem ex. 8, a manchete de costas.


 

A partir deste ponto os exercícios têm como objetivo aperfeiçoar a Ataque e Defesa Tradicional

Ex. 14 - Os dois atletas realizam o Ataque e Defesa Tradicional, isto é:

Os dois jogadores se alternam na realização de ações semelhantes.

Jogador 1 (J1) faz um levantamento para o Jogador 2 (J2).

J2 ataca para defesa de J1 que está sobre a linha lateral da quadra (com a preocupação de encaixar a mão na bola, sobre seu próprio eixo) com potência moderada, a fim de apenas acertar a manchete de J1.

J1 defende a bola passando para o companheiro J2, tentando manter a bola sobre a linha lateral na qual estão trabalhando.

Na continuidade, J2 levanta para o ataque de J2.

E assim sucessivamente por determinado período de tempo estabelecido pelo treinador. A cada período, os jogadores trocam de posicionamento, os que estão próximos à rede passam para o fundo da quadra e estes para as proximidades da rede.

Importante: as bolas que são defendidas e se afastam das linha laterai, devem ser levantadas novamente para a mesma; onde o companheiro estará esperando para um novo atasque.

 

Nota

Alguns objetivos a serem alcançados com essa prática:

a - exercitar o golpe de ataque (encaixe da mão na bola), repito, sobre o prolongamento do eixo longitudinal, como está demonstrado na figura abaixo;

 

b - exercitar o golpe da bola na extensão do braço;

c - praticar o deslocamento para colocar a bola sobre seu próprio eixo;

d - aperfeiçoar o golpe com ênfase no trabalho da munheca.

Sugiro de dois a quatro minutos como duração, sem que a bola caia no chão. Repito, não há necessidade de imprimir potência aos golpes. O aumento da mesma se dará naturalmente, pela aceleração do movimento do braço. Isso, a medida em que os atletas forem conseguindo colocar a bola sobre seu próprio eixo. De nada adiantar golear forte sem o compromisso de acertar. E para isso, é absolutamente necessário que a bola seja golpeada no ponto certo.

 

Ex. 15 - Os jogadores que estão próximos à rede atacam sucessivamente para a defesa dos que estão próximos as linhas do fundo. Estes defendem alçando a bola para um novo ataque do companheiro, por determinado período de tempo estabelecido pelo treinador. A potência dos golpes não é importante. A dinâmica continua a mesma, ou seja, posicionar-se de de modo colocar a bola sobre o próprio eixo e encaixar a mão na bola, obviamente a fim de obter-se máxima precisão com os mesmos. A cada final de período os jogadores trocam de posicionamento; os que estão na rede passam para o fundo e vice-versa.

 

Nota

As defesas podem (e devem) ser realizadas por meio da manchete e do toque acima da cabeça. Repetindo, toda bola que sair de sobre a linha lateral, deve voltar para a mesma; quer no momento da defesa quer no momento do ataque.

 

Ex. 16 - Agora, voltando à mesma dinâmica do ex. 14 (ataque e defesa tradicional). Os jogadores se alternado nos ataques e defesas. Deslocam para o ponto de encontro com a bola, colocam-na sobre seu próprio eixo e atacam-na, apenas para acertar o companheiro que está defendendo.

Importante: os levantamentos, para o ataque dos companheiros, devem ter trajetória bem alta de modo propiciarem ao mesmo tempo suficiente para saltar e realizar os movimentos do tronco e dos braços.

 

- Aspectos a serem observados durante a execução dos Exercícios.

 

1 - A prática dos exercícios sobre as linhas laterais têm em vista a precisão dos ataques e das defesas. O que ficou comprovado: realmente melhora muito. Quando os mesmos exercícios são realizados sem essa componente, é comum ataques e defesa serem executados, diria, sem o zelo com a precisão.

2 - No início, esse desafio chega a constranger, os atletas parecem estar aprisionados. Na continuidade vão se adaptando. A bola que se afasta da linha, é tocada (levantada), atacada, defendida de volta para a linha. Na realidade, estamos simulando a situações peculiares ao vôlei de praia:

a - a bola tem que ser recepcionada para determinado ponto;

b - a bola tem que ser defendida para determinado ponto;

c - a bola tem que ser levantada para determinado ponto;

d - a bola tem que ser atada para determinado ponto;

Isso, independentemente do ponto em que o jogador se encontra no momento da ação. Por exemplo. Não importa se ele está próximo a linha lateral, ou mais no centro da quadra, ou mais no fundo da quadra. A bola tem que ser recepcionada e/ou defendida para o ponto convencionado. O mesmo vale para os levantamentos. E até para o ataque, ou seja, o companheiro "canta" o flanco da quadra oposta onde a bola deve ser atacada, independentemente se a bola esta mais na extremidade, se está curta, se está colada/afastada da rede. Enfim, é são aspectos bem peculiares ao vôlei de praia.

3 - É comum, mas muito comum mesmo, os jogadores realizarem essa primeira parte do treinamento, diria, com desmazelo. O que seria uma ótima oportunidade de aperfeiçoar a execução do toque, da manchete, dos golpes de ataque, do controle da bola nas defesas, etc, não é aproveitada. Fazem as execuçòes de qualquer maneira, dando até impressão de displicência. Ai, no momento de realizar um levantamento, por exemplo, não sabem executar um toque, uma manchete, etc. No momento de realizar uma defesa, idem. E assim por diante. Aí, o treinador que permitiu tal procedimento na primeira parte do treinamento, se exalta com os sucessivos erros. Resumo: para executar um levantamento perfeito é necessário aperfeiçoar o fundamento pelo qual é realizado; para uma defesa, idem, etc. A pergunta que não quer calar: vai aperfeiçoar quando?

4 - Com relação aos golpes de ataque, o mesmo raciocínio. Do jeito que bola vem o jogador dá uma batida de qualquer maneira. O trabalho nas linhas obriga os mesmo a buscarem o correto posicionamento sob a bola, a colocarem a bola sobre o eixo, a encaixarem a mão no ponto certo da bola, a graduar a potência, etc.

5 - O trabalho de ataque e defesa tradicional contitui uma atividade anaeróbia. Logo, sugiro que o período de tempo do estímulo seja entre 30 a 40 segundos com intervalos semaelhantes para a recuperação. Logo, o treinaoor pode estabelecer N períodos de 30/40 seg por N intervalos de 30/40 seg. Esse trabalho prepara os atletas para atividade subsequente do treinamento, seja ela qual for.

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