Vôlei de Praia com o Vento Forte

Vôlei de Praia com Vento Forte - Recepção do Saque Parte 2

Recepção com o Saque do Adversário com o Vento a Favor

No artigo anterior abordamos o adversário sacando contra o vento, que causa extrema dificuldade. Apresentamos características e sugerimos procedimentos táticos tendo em vista diminuir os danos que, de modo geral, causam.

Neste, vamos apresentar peculiaridades relativas à Recepção quando o adversário saca com vento a favor.

 

Em relação ao Saque

1 - Não é possível imprimir grande potência na sua execução, pois a ação de vento tende a potencializar a velocidade da bola.

2 - Não é adequado a execução do Saque Curto, uma vez que a ação de vento conduz a trajetória da bola ao ponto que que os passadores se posicionam.

Nos diagramas a seguir, divido a Zona de Saque em Terços. E a rede em metros. Pelo seguinte. A fim de imprimir a trajetória da bola uma trajetória retilínea, os saques devem ser desferidos:

a - da Zona 1 ao terço esquerdo (no diagrama), de maneira que a bola passe entre o primeiro e o segundo metro (na visão do sacador);

b - da Zona 3 ao terço direito (no diagrama), também entre o primeiro e segundo metro (na visão do sacador);

c - no centro da Zona 2 ao terço central da quadra, passando no metro central da rede.

 

 

 

Na Figura a seguir, a Rede dividida em metros, para a orientação do jogador que executa o saque.

 

 

 

 

 

Grandes jogadores o executam o Saque das seguintes maneiras.

1 - Imprimem trajetória retilínea à bola, de modo obrigar aos passadores realizarem deslocamentos velozes (setas verdes no diagrama 1).

2 - Imprimem trajetória longa, tendo em vista obrigar os passadores a percorrer espaço maior entre o ponto da recepção ao ponto em que faz a aproximação final para o ataque (setas verdes no diag. 2).

Na Figura 2 a seguir, a trajetória da bola no Saque Longo. Ela passa a cerca de 3 metros sobre a rede e descai no terço final da quadra.

 

 

 

 

 

Em relação à Recepção

 

1 - Na recepção os passadores devem golpear a bola (com a manchete) de maneira impulsioná-la à Zona de Levantamento. Ou seja, a trajetória deve ser, na medida do possível, retilínea. A trajetória mais alta é influenciada pela ação do vento e pode não chegar em boas condições para o levantamento.

Na Fig. 3 a seguir, o exemplo. Na trajetória mais alta a ação do vento pode impedir que a bola chegue à Zona de Levantamento. Na retilínea, é maior a probabilidade da mesma chegar à ZL.

 

 

 

 

2 - Tentar dar a bola trajetória perpendicular em relação à rede, de modo que o jogador-levantador possa executar o levantamento verticalmente.

3 - Na recepção do saque no terço final da quadra imprimir maior impulso no golpe a fim de a bola não sofra a ação do vento contra e chegue em boas condições à Zona de Levantamento (fig. 3).

4 - Definir antes da execução do saque a quem cabe a recepção no terço central (sentido longitudinal) da quadra.

5 - Na recepção em que a bola está afastada do corpo, isto é, entre o ponto que que o passador está posicionado e a linha lateral da quadra (à direita de J1 e à esquerda de J2), o jogador passador deve fazer o que lhe é mais fácil. Isto é, tentar a trajetória mais retilínea possível em relação a ele mesmo. O mesmo recurso vale para o jogador encarregado da recepção no terço central (sentido longitudinal) da quadra.

Os exemplos nos diagramas a seguir.

No diag. 3, a trajetória da bola (linha pontilhada em verde) é entre J2 e a linha lateral da quadra. J2 se desloca e executa a recepção e dá à trajetória perpendicular em relação à rede (linha pontilhada em vermelho). No caso, J1, se desloca e executa o levantamento (linha tracejada em azul). Importante: no saque em que se busca intencionalmente a linha lateral, favorece o deslocamento de J1, que pode fazê-lo antecipadamente.

No diag. 4, a situação é mais complicada. O saque cuja a trajetória alcança o terço central (sentido longitudinal), de modo geral, impede o deslocamento antecipado do jogador-levantador (J2). J1 se desloca e executa a recepção dando à trajetória da bola uma linha reta, perpendicular em relação à rede. Como pode haver dificuldade (e J1) se deslocar para atacar na extremidade da rede, o mesmo se dará no terço central da rede. Por conseguinte, a trajetória da bola no levantamento deve ser rigorosamente vertical.

 

 

 

Vento em Diagonal

Muitas vezes a direção do vento não é absolutamente perpendicular em relação ao sentido longitudinal da quadra. E sim diagonalmente em relação a mesma. No caso, os procedimentos sugeridos são semelhantes. Com uma diferença: o responsável pela recepção no centro da quadra (sentido longitudinal).

Nos diagramas a seguir, a seta cheia em laranja simboliza a direção do vento. As verdes interrompidas a trajetória da bola. No diag.5, a atribuição cabe a J1. No diag. 6, a J2. Eles se posicional nos pontos originais e se deslocam ao perceberem a trajetória no centro, se deslocam à direita e à esquerda, respectivamente.

 

 

 

 

Nota

A sugestão tática para a recepção em situações especiais apresentadas, têm em vista facilitar a atribuição do jogador. A Zona de Levantamento em condições normais é previamente estabelecida por cada time. Alguns adotam o ponto em frente ao jogador que recepciona. Outras, o terço central da rede. Com o vento forte, as situações de jogo causam extrema dificuldade para a execução de todas as funções. Logo, considero importante enfatizar que o time deve estabelecer e treinar (até que se consolide) a tática mais adequada a seus jogadores.

 

No próximo artigo será focalizado o Levantamento

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