Vínculos entre as Ações dos Sistemas no Voleibol

Vínculos entre o Levantamento e o Ataque - Parte 2

 

Neste artigo, em continuidade aos Vínculos entre Ações dos Sistemas no Voleibol, serão apresentados elementos fundamentais aos rendimentos dos levantadores e dos atacantes, tendo em vista obtenção da maior eficiência possível nas Ações Ofensivas.

Na artigo anterior postei uma foto do nosso extraordinário levantador e capitão da Seleção Brasileira na década de 80.

Como agora o assunto é Ataque, aproveito para homenagear, na foto à esquerda, Fernando Roscio D'Ávila, Bernard Razjman e Mário Xandó.

O primeiro, um Central/Ponta, bloqueava como central e atacava na ponta. Naquela ocasião, já com alguma idade e com os joelhos "sofridos", dava show de "esgrima"; atacava na diagonal, no corredor, "explorava" os bloqueios, largava, enfim, desferia todos os golpes.

O segundo, Bernard, Ponta/Atacante de Primeiro Tempo. Recepcionava (foi um dos maiores passadores do mundo) e atacava, com extraordinária eficiência, as Bolas de Primeiro Tempo. No contra-ataque atacava também as bolas "Chutadas" na extremidades da rede.

O terceiro, Xandó, foi um extraordinário Oposto. Precursor do ataque das Bolas do Fundo, do tipo "Chutadas" (antes dele essa bolas eram levantadas altas e pouquíssimos jogadores atacavam).

Estes três aí inspiraram muito atacantes, que vieram a ser também extraordinários, que inspiraram muitos outros, que vieram a ser também extraordinários...

 

Procedimentos do Levantador e dos Atacantes

 

Estabelecidos:

1 - o levantamento/ataque de acordo com o Ponto da Quadra em que o levantamento é realizado;

2 - os tipos de bolas a serem atacadas por cada jogador, quando na Zona de Ataque e na Zona de Defesa (se houver);

3 - as Combinações de Ataque, em cada um dos 6 Rodízios.

Itens apresentados no artigo anterior, vejamos os Procedimentos do Levantador e dos Atacantes.

 

Do Levantador

1 - Deslocar-se o mais rapidamente possível para o ponto em que executa o Levantamento. É o principal ponto de referência pelo qual os atacantes se orientarão a fim de adotarem seus pontos e momentos para suas Aproximações Finais para o Ataque.

No diag. 1, o Levantador está posicionado na Zona de Levantamento ideal. Todas as opções de ataque são possíveis. Logo, os atacantes saem de seus posicionamentos no momento da recepção do saque (primeira aproximação) e se deslocam para os pontos em que fazem suas aproximações finais (linhas tracejadas).

Repare que A2 participa da recepção e se desloca para realizar a aproximação final (linha tracejada em azul claro).

Importante: no momento exato em que o Levantador tem a bola nas mãos, todos devem estar prontos para darem suas últimas passadas que precedem o salto para o ataque.

 

 

 

 

Nota

A partida do atacante à frente do prolongamento do ponto em que o Levantador está posicionado implica na diminuição do ângulo para a passagem da bola.

 

Considerando-se:

1 - os mesmos pontos do ataque, tanto com o Levantador no terço inicial (diag.1) quanto no médio da quadra (diag.2);

2 - os mesmos tipos de bolas.

A3, Op e A2 grafados em cores mais claras, os pontos em que fazem a Aproximação Final quando Levantamento é realizado na ZL ideal, no terço inicial da quadra. E em cores mais escuras, os pontos para se adequarem ao levantamento executado no terço médio da quadra.

- no diag. 4, A3 desloca-se à esquerda de modo proporcionar ângulo mais favorável à passagem da bola (linhas tracejadas em verde). Caso saia do mesmo ponto, o ângulo torna-se bastante diminuído (linha tracejada em vermelho).

- no diag. 5, a diferença de ângulos em relação aos pontos de partida de Op. Também, em verde o mais favorável, em vermelho o menos.

- no diag. 6, a diferença em relação a partida de A2.

 

 

 

 

2 - Alcançar a bola no ponto mais alto, de maneira diminuir comprimento e, em determinados tipos de bolas, o tempo da trajetória da bola; isto é, entre suas mãos e o local em que a mesma é atacada.

Na fig. 1 a seguir, O Ponto do Ataque (P.A.), por exemplo, de uma "Chutada de Meio". E dois Pontos em que o Levantamento é executado:

- P1 no qual o levantador está com os pés no solo;

- P2 quando levantador salta.

Repare a diferença de comprimento das duas trajetórias. A do P2 é muito mais curta.

3 - Imprimir velocidade (quando for o caso) e precisão (sempre) à trajetória da bola. Aproveitando a Fig. 1, é possível deduzir que se o levantador imprimir a mesma velocidade à bola, o período de tempo (no levantamento de P2) é mais breve. O que reduz consideravelmente a possibilidade de sucesso dos bloqueadores adversários.

 

 

 

 

4 - Adequar à capacidade de cada atacante:

- a altura da trajetória da bola;

- a proximidade da bola, em relação à rede;

- a altura do ponto em que a mesma é atacada;

- a velocidade da trajetória de acordo como o tipo de bola.

Na representação a seguir, uma comparação. O alcance máximo (A.M.) do Atacante A se dá a 2,63 m. Do Atacante B, a 2,93 m. Considerando, por exemplo uma Bola "Chutada na Extremidade da Rede", ambas as trajetórias da bola são retilíneas: do Ponto do Levantamento (P.L.) ao ponto de Alcance Máximo (A.M.). Cabe ao levantador adequar a capacidade (de alcance) de cada atacante.

 

 

 

Nota

A considerações apresentadas para os procedimento do Levantador valem tanto para o ataque depois da Recepção do Saque quanto para o ataque depois da Conquista da Posse da Bola pela Defesa.


 

Dos Atacantes

 

1 - Em relação à Recepção do Saque.

De modo geral, as equipes têm dois tipos de atacantes:

- os que compõem a formação de recepção;

- os que não participam, ficam desincumbidos da atribuição.

Atacantes que participam da Recepção do Saque. No momento em que a bola a recepção é realizada (apenas um recepciona) todos fazem duas Aproximações:

- a Primeira, do ponto em que se encontram no momento da recepção ao ponto em fazem suas Aproximações Finas para o ataque;

- a Final, do local que que dão suas últimas passada que antecedem o salto para o ataque.

No diagrama a seguir, o exemplo de uma equipe, armada no sistema 4-2, com Infiltração, (comum em equipes de escolas e de categorias de base), disposta para a recepção do saque com 4 Jogadores (C2 - A1 - L2 - A2). À esquerda embaixo, a Ordem de Saque:

L1 e L2: levantadores, que também atacam;

C1 e C2: atacante centrais, que atacam as bolas no centro da rede;

A1 e A2: atacantes de ponta, que atacam as bolas nas extremidades da rede;

C2 e A2, estão na Zona de Defesa. L2 e A1, estão da Zona de Ataque, recepcionam e se deslocam (linhas tracejadas em verde claro) para os pontos em que fazem suas aproximações Finais. C1, que não participa da recepção, recua, também para o local de sua aproximação Final.

 

 

 

No grupo de diagramas a seguir.

Diag. 8 - a equipe disposta para a recepção do saque no sistema 5-1, utilizada por equipes de alta competitividade. A formação para a recepção é com 3 jogadores; os atacantes de ponta (A2 e A4) e o Líbero (L) (que substitui os centrais na Zona de Defesa).

Diag. 9 - os deslocamentos (linhas tracejadas em cores mais claras) dos pontos em que se encontram no momento da recepção, para os pontos em que fazem suas aproximações Finais.

Diag. 10 - as aproximações Finais para o ataque (setas tracejadas em cores mais fortes).

Nota

Repare A4. Está participando da recepção e pode atacar a Bola do Fundo pela pos. 6.

 

 

2 - As Aproximações em relação aos Tipos de Bolas.

- Bola Alta nas Extremidades da Rede.

Os atacantes posicionados nos pontos em fazem suas aproximações Finais, aguardam a saída da bola das mão de levantador, e partem para o ataque.

- Meia Bola da Combinações de Ataque.

Os atacantes iniciam suas aproximações finas e dão a (s) última (s) passada (s), no máximo duas, no momento em que a bola sai das mãos do levantador.

 

Nota

Mais de duas passadas propicia aos bloqueadores saltarem na Primeira Bola da Combinação, pousarem e saltarem novamente para o ataque da Segunda Bola.

 

Atacantes da Bolas de Primeiro Tempo.

Os atacantes iniciam a aproximação no momento em que a bola recepcionada "viaja" na direção da Zona de Levantamento. De acordo com a trajetória (mais alta, mais baixa, mais lenta, mais rápida), imprimem a velocidade adequada. A última passada é dada antes de a bola chegar as mãos do levantador; recebem a bola com o corpo em suspensão.

 

Nota

É uma ação de extrema precisão, requer muito entrosamento e, por conseguinte, muito treinamento. Apenas jogadores de alta competitividade (levantadores e atacantes) conseguem tal perfeição. Outros, mais do que natural, têm dificuldade. De modo geral dão a última passada depois que a bola sai das mãos do levantador. Nenhum problema; é o caso da adequação de acordo com a capacidade de cada qual.

Atacantes da Bolas do Fundo.

Atualmente, esse tipo de bola é atacada em Tempo semelhante ao que são atacadas as Bola de Primeiro Tempo (fração de tempo). Os atacantes iniciam a aproximação no momento em que a bola é recepcionada e de acordo com a trajetória e com velocidade da trajetória da mesma (mais alta, mais lenta; mais rápida, mais rápida) e dá a (s) última (s) passada (s) no exato momento em que a bola chega as mãos do levantador.

 

Notas

- O procedimento é mencionado acima tem em vista a perfeição absoluta; apenas jogadores de alta competitividade (levantadores e atacantes) conseguem máxima eficiência. Outros, menos capacitados esperam a bola sair das mãos do levantador para, então, fazer a aproximação final (últimas passadas), mais do que natural. Nenhum problema; é o caso da adequação de acordo com a capacidade de cada qual.

 

- A Bola do Fundo é também utilizada como "Bola de Segurança". Ou seja, fora das combinações de ataque, como alternativa tática de ataque. De modo geral, quando ocorre recepção imperfeita e/ou defesa em que a bola não é controlada. No caso, as últimas passadas são dadas depois que a bola sai das mãos do levantador.

 

 

3 - Em relação à obtenção de Máxima Eficiência.

1 - Amplitude e Velocidade das últimas passadas

É Aproximação Final que precede o salto para o Ataque. É realizada por meio de passadas amplas que auxiliam para um bom salto, uma impulsão vertical e equilíbrio do corpo no ar.

Nota

Nas Bolas Atacadas do Fundo há uma diferença. O atacante salta, não verticalmente, mas em extensão, de modo executá-lo antes da linha de ataque e golpear a bola além da mesma, na Zona de Ataque.

2 - Qualidade do Salto

Depende de boa Aproximação Final (passadas amplas) e da Capacidade Física dos músculos responsáveis pela impulsão. Da qualidade do salto, resulta um bom alcance e o equilíbrio do corpo no ar.

3 - Alcance

Seja qual for o nível de competitividade, há o alcance requerido. Por exemplo, os atacantes de alto nível chegam a alcançar a bola a mais de um metro em relação ao bordo superior da rede. Como é evidente, tal alcance resulta de boa estatura, das passadas que antecedem o salto, a qualidade física requerida ao salto e a extensão do braço que golpeia a bola.

4 - Velocidade dos Movimentos do Tronco e dos Braços

Fator de grande importância. A fim de obtê-la, é fundamental a amplitude e a velocidade das passadas que antecedem o salto, a qualidade do salto, a qualidade física dos músculos responsáveis pela impulsão, e, sobretudo, do equilíbrio do corpo no ar. A potência do golpe decorre entre outros aspectos, da velocidade dos movimentos do tronco e dos braços.

5 - Golpe, encaixe da Mão na Bola.

Aspecto da maior importância. O atacante de ser hábil de tal modo para desferir todos os tipos de golpes, em todas as direções e com diferentes graus de potência. De acordo com a intenção de buscar o ponto da quadra adversário mais adequado a fim de garantir o sucesso de seu ataque.

Concluindo é possível observar que todos os cinco itens focalizados estão absolutamente interligados. No treinamento do ataque é fundamental que os atacantes se capacitem para desempenhar suas funções no jogo. Ou seja, cada qual com o tipo de bola que ataca. O ideal é que tenha todas as mencionadas propriedades. É a garantia de que tem as condições requeridas para ser eficiente.

 

Continuação com Vínculo entre o Ataque e o Re-Ataque

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