Princípios Importantes no Treinamento de Voleibol - Metodologia

Metodologia - Parte 2

 

No artigo 50, em que foi abordada a Adequação, sugeri a elaboração de um Planejamento exequível de acordo com o nível de competitividade da equipe. Em síntese: com Objetivos Específicos, a serem alcançados em prazo curto; adequados ao Nível Físico e Técnico, dos jogadores e adequados ao Nível de Competitividade do campeonato do qual a equipe participará.

No artigo 51, foram sugeridos métodos a serem adotados para a aquisição/melhoria das Valências Físicas essenciais à correta execução do Fundamentos da Técnica Individual e, obviamente o desempenho eficiente dos jogadores em suas atribuições no jogo.

Neste agora, vamos abordar a Metodologia-Parte 2 para alcançar os objetivos relacionados à Aprendizagem e/ou aperfeiçoamento dos Fundamentos da Técnica Individual requeridos ao desempenho das Funções do Jogo: recepção, levantamento e meios de ataque.

Com a facilidade de se obter todo e qualquer tipo de informação, proporcionada sobretudo pela internet, e o acesso possível a treinamentos de treinadores experientes e consagrados, inclusive os da Seleções Brasileiras, o Professor/Treinador pode selecionar vasto material para construir sua própria Metodologia.

Tenho como opinião que não há receita infalivel. Repito, o que serve a uma equipe pode não servir a outra. O que serve a um jogador pode não servir a outro. Portanto, a cópia pode levar à Inadequação. Partindo deste pressuposto, cada Professor, cada Treinador tem que reunir material adequado aos jogadores, e consequentemente, à sua equipe.

Vamos raciocinar juntos. Existem alguns Métodos. Por exemplo.

1 - A Aprendizagem e Aperfeiçoamento da Técnica Individual capacitando ao desempenho das Funções do Jogo; recepção, levantamento e ataque.

O treinamento consiste, de modo geral, em uma três partes:

Parte 1 - Exercícios para aprendizagem/aperfeiçoamento dos Fundamentos da Técnica individual.

Parte 2 - Prática do desempenho das Funções do Jogo; de modo estanque: só a recepção, só o levantamento ou só o ataque, ou vinculada, recepção-levantamento, levantamento-ataque, etc.

Parte 3 - Prática Coletiva em forma de Jogo, ou seja, o confronto, por exemplo, entre um time com Titulares e o outro com Reservas.


2 - O Jogo contribui para a Aprendizagem e o Aperfeiçoamento da execução correta da Técnica e o desempenho das Funções do Jogo.

Exemplo. Em décadas passadas, dos anos 60 e até antes, as equipes treinavam no máximo duas vezes por semana. No treinamento, dividia-se o grupo em dois times, o titular e o reserva, e realizáva-se o que se chamava de Coletivos; jogo de uma equipe contra a outra. O treinamento de fundamentos era semelhante a o que é hoje um simples aquecimento. Ou seja, dava-se uns toques, umas manchetes, umas cortadas (bate-bola) e começava o jogo.

Como se aprendia ou se aperfeiçoava a Técnica Individual? Não sei exatamente. Acredito que os talentosos se desenvolviam. O que sei é que surgiram grandíssimos craques nessas gerações. E nos muito times que vi jogar era muito difícil ver um jogador ruim de bola.


3 - A correta execução da Técnica é melhor Aprendida e/ou Aperfeiçoada associando-se a prática às situações de jogo estabelecidas na Estratégia da Equipe.

Também composto por três partes.

Parte 1 - Exercícios para a Aprendizagem/Aperfeiçoamento dos Fundamentos da Técnica Individual associados às Funçoes do Jogo. Por exemplo:

a - o Toque e a Manchete, por meio de algumas maneiras, exclusivamente para a Recepção de determinados tipos de trajetórias da bola;

b - o Toque e a Manchete, por meio de algumas maneiras, exclusivamente para o Levantamento de determinados tipos de bola;

c - a Cortada para determinados pontos da quadra oposta.

 

Parte 2 - Exercícios para Aplicação dos Fundamentos da Técnica às ações requeridas em um Jogo. Alguns exemplos:

a - a Recepção, por meio da Manchete com o Corpo Agachado para a Recepção do Saque Curto;

b - o Levantamento por meio do Toque e/ou da Manchete, de frente e/ou costas, da Bola Alta nas Extremidades da Rede de determinados pontos da Zona de Levantamento;

c - o Ataque por meio da Cortada, exclusivamente para determinados pontos da quadra oposta.

 

Parte 3 - Prática Coletiva das ações Ofensivas da equipe Titular contra uma equipe Oponente, interrompida ou em forma de Jogo (coletivo).


 

A seguir, apresento quadros com exemplos de conteúdos que podem ser ser selecionados e adicionadoa na construção de um Planejamento. Repito, adequados aos jogadores e, por conseguinte, às equipes de cada Professor, de cada Treinador.

Nota

É absolutamente natural o Professor/Treinador ficar ansioso para ver a obra pronta, isto é, o time realizando tudo com grande eficiência, jogando bem, etc. Penso que o trabalho deve observar uma certa progressão. Os objetivos, do menos aos mais complexos, devem ser alcançados e consolidados de modo gradativo.

- Recepção do Saque

Toque - utilizado exclusivamentente no Vôlei de Quadra. No Vôlei de Praia a recepção é realizada (permitida) por meio da Manchete. No quadro a seguir, Circunstâncias comuns das trajetórias da bola, os Procedimentos para posicionamento do jogador que a recepciona (JR) em relação às mesmas e a maneira pela qual o Toque é executado.

Nota

Convenção: PJR - Ponto em que está posionado JR, o jogador que recepciona.

 

Circunstâncias Procedimentos

- Fundamento da Técnica

Trajetória da Bola no PJR

- ajuste p/ posicionamento rigorosamente à frente da trajetória

- Toque de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola ligeiramente à direita/à esquerda do PJR

- deslocamento curto à direita/à esquerda p/ posicionamento à frente da trajetória

- Toque de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola ligeiramente à frente PJR

- deslocamento curto à frente

- Toque de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola ligeiramente atrás do PJR - deslocamento curto atrás

- Toque com o corpo em suspensão

 

Manchete - utilizada no Vôlei de Quadra e, exclusivamente no Vôlei de Praia.

 

Circunstâncias Procedimentos

- Fundamento da Técnica

Trajetória da Bola no PJR

- ajuste p/ posicionamento rigorosamente à frente da trajetória

- Manchete de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola ligeiramente à direita/à esquerda do PJR

- ajuste à direita/à esquerda p/ posicionamento à frente da trajetória

- Manchete de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola ligeiramente à frente PJR

- ajuste curto à frente

- Manchete de frente c/ o corpo agachado e/ou c/ 1 dos joelhos no chão

Trajetória da Bola ligeiramente atrás do PJR - deslocamento curto atrás

- Manchete com o corpo em suspensão

 

Circunstâncias Procedimentos

- Fundamento da Técnica

Trajetória da Bola - distante - à direita/à esquerda do PJR

- deslocamento curto à direita/à esquerda p/ posicionamento à frente da trajetória

- Manchete de frente com os pés no chão

Trajetória da Bola - distante - à frente PJR (saque curto)

- deslocamento curto à frente

- Manchete de frente c/ o corpo agachado e/ou c/ 1 dos joelhos no chão

Trajetória da Bola - distante - atrás do PJR (saque longo) - deslocamento curto atrás

- Manchete com o corpo em suspensão

Levantamento

É realizado tanto no Vôlei de Quadra quanto no Vôlei de Praia por meio do Toque ou da Manchete. Neste artigo, estamos focalizando, sobretudo, a Metodologia a ser utilizada para a aquisição da capacidade técnica individual requerida para o desempenho da função/ação, no caso, o Levantamente. Logo, não entrarei em detalhes às alternativas táticas peculiares a cada uma das modalidades; quadra e praia.

No quadro a seguir, alguns exemplos. O Ponto em que o Levantamento é executado (PL), os Pontos, em relação à rede, para o quais a bola é direcionada, os fundamentos utilizados e os tipos e maneiras pelos quais os mesmos são ecetutados.

 

 

Origem / PL (*)

Alvo/Destino em relação a rede (*)

Fundamento da Técnica

Tipo e Maneira de Execução

Das Pos. 3, 2 e 4

Entrada

Toque e/ou Manchete

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costa para a rede), com os pés no chão

 

Saída

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo em suspensão

 

Centro

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo agachado

      - de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com 1 dos joelhos no chão
       

Das Pos. 3', 2' e 4''

Entrada

Toque e/ou Manchete

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costa para a rede), com os pés no chão

 

Saída

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo em suspensão

 

Centro

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo agachado

      - de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com 1 dos joelhos no chão
       

Das Pos. 3'', 2'' e 4"

Entrada

Toque e/ou Manchete

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costa para a rede), com os pés no chão

 

Saída

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo em suspensão

 

Centro

 

- de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com o corpo agachado

      - de frente, de costas e lateralmente (de frente/de costas para a rede), com 1 dos joelhos no chão

 

No diagrama a seguir, os PL (pontos em que os levantamento devem ser executados). E os Pontos, em relação à rede, para o quais a bola é direcionada. Importante: os PL foram caracterizados aleatoriamente, ou seja, cada treinador pode utilizar outras formas. Os Pontos da Rede, de acordo como são poularizados no voleibol brasileiro.

.

 

 

 

Nas representações a seguir, pela ordem, as trajetórias dos levantamentos da Bola Alta, das Pos. 3, da Pos. 4 e da Pos. 2, para a Entrada, Saída e Centro da Rede.

Na medida em que os jogadores tiverem capacidade para levantar esses tipos de bola, que são básicas, o Treinador, como foi mencionado anteriormente, deve elevar o grau de dificuldade. Ou seja, treinar outros tipos que, evidentemente, requerem maior capacidade técnica.

 

 

 

 

 

 

Nota

Nos links a seguir, estão abordados os fundamento da técnica individual e as estratégias e táticas relacionadas ao sistema ofensivo:

http://www.justvolleyball.com.br/menutecnicaindividual.htm

http://www.justvolleyball.com.br/menuvi_estrategia_ofensivo.html

 

Meios de Ataque

O Ataque, também tanto no vôlei de quadra quanto no de praia é realizado por um golpe comum, a Cortada. No de quadra, temos ainda as Largadas e as Meias-Batidas. No de praia, o que seriam Largadas, são realizado de forma diferente. Logo, os Professores e Treinadores devem fazer suas adeaptações.

 

Em relação ao Ponto da Rede

Meios do Ataque

Alvo / Pontos da Quadra

Entrada - Pos. 4

Cortada e Meia Batida

Diagonal - Pos. 4, 5 e 6, da quadra oposta

 

Cortada e Meia Batida

Paralela - Pos. 1.

 

Largada

Sobre e atrás do Bloq, pos. 4 e 6, da quadra oposta

     

Saída - Pos. 2

Cortada e Meia Batida

Diagonal - Pos. 2, 1 e 6, da quadra oposta

 

Cortada e Meia Batida

Paralela - Pos. 5

 

Largada

Sobre e atás do Bloq., pos. 2 e 6, da quadra oposta

     

Terço Central - Pos. 3

Cortada e Meia Batida

Pos. 1 e Pos. 5, da quadra oposta

 

Largada

Pos. 2, 4 e 6, da quadra oposta.

 

 

 

No proximo artigo será abordada a Elaboração da Estratégia Ofensiva adequada às capacidades dos jogadores.

 

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