Fisioterapia no Vôlei de Praia por Vinícius S. Santos

Fisioterapia no Vôlei de Praia

A cada ano que se passa a importância da fisioterapia no esporte cresce exponencialmente. No vôlei de praia não é diferente. O trabalho fisioterapêutico consiste tanto na reabilitação quanto na prevenção.

É necessário estudo Epidemiológico (coleta das principais e mais frequentes lesões) específico da Modalidade. A fim de se construir um Programa Preventivo eficaz e adequado, tendo vista o alcance dos objetivos propostos. O ideal envolve 4 estágios:

1) - identificação das lesões mais comuns no esporte;

2) - estudo dos mecanismos de lesão e dos fatores de risco para cada uma das lesões;

3) - prescrição de programas de prevenção;

4) - avaliação da eficácia do treinamento.

 

Estágio 1 - Identificação das Lesões mais comuns no Esporte.

Estudo clássico sobre a Epidemiologia das lesões no vôlei de praia é o de Bahr 2003, em que os segmentos mais acometidos durante um período de competições da FIVB foram: ombro, joelho e lombar.

No voleibol de quadra o tornozelo é outro segmento comumente afetado com as diversas entorses, porém essa frequência é infinitamente menor no vôlei de praia devido alguns fatores:


a) - o próprio solo, pois a areia cede ao atleta aterrissar de um salto;

b) - não há outro companheiro saltando ao seu lado no bloqueio (a maioria das entorses na quadra ocorrem com um atleta aterrissando sobre o pé do companheiro);

c) - e ainda acredita-se em um maior desenvolvimento proprioceptivo articular em decorrência do solo instável e as inúmeras terminações nervosas livres, presentes na planta do pé, serem mais ativadas em contato direto (descalço) com o solo.

 

Para exemplificar o que foi citado no parágrafo anterior, posso citar uma das principais patologias verificadas nos atletas que participaram dos treinamentos das Seleções Brasileiras de Vôlei de Praia, categorias Sub-19 e Sub 21, masculina e feminina, nos anos 2013 e 2014, ocasião em que eu e Marco Antônio Serquiz fomos responsáveis pelo acompanhamento fisioterapeutico: Tendinopatia Patelar (lesão no tendão), também frequente no vôlei de quadra. Supõe-se decorrentes algumas peculiaridades:

a) - no vôlei de quadra, na aterrissagem devido maior força de reação do solo e consequente impacto,

b) - no vôlei de praia, na saída do solo em virtude de maior força para tal ação.

O Estágio 2 - Estudo dos Mecanismos de Lesão e dos Fatores de Risco para cada uma das lesões.

Engloba:

- diminuição da dorsiflexão do tornozelo (movimento do tornozelo em que o antepé se sobrepõe):

- alteração na relação de força quadríceps/isquiotibiais (músculos posteriores da coxa);

- encurtamento de quadríceps,

- desalinhamento do membro inferior, Valgismo Dinâmico (movimento do joelho de fora para dentro durante movimentos de agachamento, por exemplo;

- outros.

Estágio 3 - Prescrição de Programas de Prevenção.

Consiste na elaboração de um Programa visando as correções das alterações encontradas no Estágio 2, como a mobilização articular e o fortalecimento e o alongamento de grupamentos musculares específicos.


Estágio 4 - Avaliação da Eficácia do Treinamento.

Consiste em uma reavaliação tendo em vista verificar se houve ou não melhora; quantitativa e qualitativa das alterações encontradas.

Ainda sobre a Epidemiologia realizada nas Seleções de Base do Vôlei de Praia, é imprescindível a elaboração do Programa para diminuição no número de lesões nos jovens atletas, uma vez que, mantê-los treinando e prolongar o tempo de vida no esporte, é um os principais objetivos estabelecidos pelas Comissões Técnicas.

Entre as lesões mais encontradas, além da Tendinopatia Patelar, estão:

- Lombalgia (dor lombar) não específica, na qual o gesto rotacional do ataque resulta em disfunções teciduais (retrações musculares, tendíneas, capsulares) e articulares da transição Tóraco-Lombar (região da coluna entre tórax e lombar).

- Impacto Interno do Ombro, decorrente do encurtamento da cápsula posterior do ombro em virtude da desaceleração do ombro, também no gesto do ataque, e consequente insuficiência muscular dos rotadores laterais do ombro pela mesma causa.

Ainda sobre o trabalho das Seleções de Base do Vôlei de Praia, dentre as avaliações, foi realizada:

a - avaliação Postural:

b - mensuração da amplitude dos movimentos de algumas articulações;

c - qualidade dos movimentos na aterrissagem e no agachamento Unipodal (apoio em uma das pernas somente),

d - discinese escapular (qualidade do movimento da escápula).

e - encurtamento muscular e resistência da musculatura do Core (musculatura da região central do corpo responsável por dar estabilidade para coluna e auxiliar na transferência de força do centro de massa para as extremidades;

 

Não mencionado, porém não menos importante: o trabalho multidisciplinar é essencial para obtenção dos resultados. No caso da Fisioterapia a interação com a Preparação Física complementa todos os critérios utilizados na avaliação; prevenção e recuperação dos atletas.

Referências Bibliográficas

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Leporace G. et. al. Influence of a preventive training program on lower limb kinematics and vertical jump height of male volleyball athletes. Physical Therapy in Sport 2013; 14: 35-43

Peter Malliaras et al. Reduced ankle dorsiflexion range may increase the risk of patellar tendon injury
among volleyball players. Journal of Science and Medicine in Sport (2006) 9, 304-309

Roald Bahr, Jonathan C. Reeser, Injuries Among World-Class Professional Beach
Volleyball Players, The Fe´de´rationInternationale de Volleyball Beach Volleyball Injury Study. THE AMERICAN JOURNAL OF SPORTS MEDICINE 2003, Vol. 31, No. 1

Van Mechelen W, Hlobil H, Kemper HC. Incidence, severity, aetiology and prevention of sports injuries. A review of concepts. Sports Med. 1992 Aug; 14(2): 82-99.

Fisioterapeuta Vinícius S. Santos
Mestrando em Ciências da Reabilitação
Especialista em Ortopedia e Traumatologia do Esporte
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6682458674254197
Crefito-2: 153179-F

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viniciusfisio10@yahoo.com.br
(21) 97195-3042

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