Princípios Importantes no Treinamento de Voleibol - Adequação

1 – Adequação

Fiz uma pergunta a muitos treinadores, jogadores e aos meus amigos comentaristas; por que todos os times - masculinos e femininos - que disputam a Superliga jogam praticamente de maneira semelhante, no Ataque e no Contra-Ataque? Todos concordam, mas podem não ter se dado a pensar o porquê. A intenção deste artigo é despertar a discussão do assunto: Adequação.

Mais, tenho assistido alguns jogos de campeonatos das categorias infantil, infanto-juvenil e juvenil aqui no Rio de Janeiro; todas as equipes jogam também de maneira semelhante, ou seja, como as equipes de alta competitividade.

E que maneira é essa? A maneira pela qual jogam as adultas e as seleções brasileira adultas, masculinas e femininas. Vamos a ela.

1 - Sistema de Ataque 5 – 1.

2 - Bola de Primeiro Tempo: Cabeça Frente (Positiva e/ou Esquerda) e/ou Chutada de Meio, no terço central da rede (pos. 3); no feminino, com a China com 1 Pé na Saída da Rede (pos. 2).

3 - Bolas Chutadas nas Extremidades da Rede, tanto na pos 4 quanto na pos. 2).

4 – Bolas do Fundo pela pos 1 e/ou pela pos. 6, esta popularizada conhecida como Pipe.

A outra pergunta: será que todos os times têm jogadores com as capacidades físicas e técnicas requeridas à execução, de modo eficiente, dessa maneira de atacar? Ou seja, será que tem jogadores capazes para uma eficiente recepção? Para os levantamentos e os ataques da mencionada estratégia de ataque?

Agora, uma outra pergunta: será que jogadores das categorias infantil, infanto-juvenil e juvenil, masculinos e femininos, têm as capacidades para realizar essa maneira de jogar? Que são requeridas às equipes do mais alto nível, como as adultas?

É o ponto que gostaria de abordar. Na minha opinião, não, absoluta e definitivamente, não. Vamos raciocinar juntos.

O que observado são jogadores de categorias de base, até iniciantes que não têm capacidade física e técnica individual bem desenvolvidas executando um sistema de ataque complexo, portanto, a meu ver, i-na-de-qua-do.

A pergunta não é nova, sempre foi feita: os treinadores devem adotar um sistema de jogo adequado às capacidades de seus atletas, ou colocar seus atletas para desempenharem um sistema de ataque sem considerar suas capacidades?

O que tenho observado e, por conseguinte, suponho, é que adota-se um sistema de ataque (semelhante aos adotados pelas equipes de alta competitividade) e colocam os jogadores para executá-lo. Queiram ou não, será extrema a dificuldade se obter eficiência desejada e, por conseguinte, a consistência requerida a uma equipe realmente competitiva.

O ideal seria a elaboração de um Planejamento:

- com Objetivos Específicos, a serem alcançados em prazo curto;

- adequados ao Nível Físico e Técnico, dos jogadores;

- adequados ao Nível de Competitividade do campeonato do qual a equipe participará.

Por exemplo.

- Aquisição de Valências Funcionais indispensáveis à correta execução dos fundamentos da técnica individual.

- Aprendizagem e/ou aperfeiçoamento dos Fundamentos da Técnica Individual requeridos ao desempenho das Funções do Jogo: recepção, levantamento e meios de ataque.

- Elaboração da Estratégia Ofensiva adequada às capacidades dos jogadores.

 

1 - Valências Funcionais indispensáveis à correta execução dos Fundamentos da Técnica Individual.

 

Recepção

1 - Velocidade de Deslocamentos Curtos, à frente, atrás, à direita/à esquerda, para o posicionamento apropriado em relação à trajetória da bola.

2 - Velocidade de Movimentos, a fim de se adequação às mudanças de direção da trajetória da bola.

3 - Flexibilidade dos Movimentos de flexão/extensão das pernas.

4 - Coordenação Motora, de modo sincronizar a movimentação do corpo (sobretudo a flexão/extensão das pernas) à chegada da bola.

Levantamento

1 - Velocidade de Deslocamento, tendo em vista o posicionamento adequado sob a bola.

2 - Coordenação Motora, a fim de ajustar a execução do toque e/ou da manchete com a chegada da bola.

Ataque

1 - Impulsão/Qualidade do Salto - aprendizagem/aperfeiçoamento de elementos que contribuem para uma boa impulsão. Por exemplo.

a - movimento dos pés;

b - adequada flexão das pernas;

c - movimentos dos braços.

2 - Equilíbrio do Corpo, na ascensão, no ponto morto da impulsão e no momento do golpe.

3 - Flexibilidade, dos membros superiores de modo facilitar ampla movimentação dos braços, indispensável à execução de todos os golpes, em todas as direções.

 

 

2 - Aprendizagem e/ou Aperfeiçoamento dos Fundamentos da Técnica Individual requeridos ao desempenho das Funções do Jogo: recepção, levantamento e meios de ataque.

A fim de ajudar os treinadores, apresento no quadro a seguir, as Funções do Jogo (Recepção, Levantamento e Meios de Ataque) e os Fundamentos e suas respectivas suas Maneiras de Execução.

 



Notas

1 - A Aprendizagem e o Aperfeiçoamento da Execução dos Fundamento da Técnica devem ser realizadas, na medida do possível, de modo individualizado. Em grupo de jogadores nem todos têm as mesmas virtudes, nem todos têm as mesmas dificuldades. Cabe ao treinador identificar as mesmas e ministrar exercícios que ajudem a cada qual. Acho extremamente importante a seguinte progressão.

Aprendizagem
Aperfeiçoamento
Prática com Repetições
Aumento do Grau de Dificuldade
Aplicação na Estratégia Ofensiva

2 - No vôlei de praia, guardadas as peculiaridades da modalidade, o raciocínio, o princípio deve ser o mesmo, ou seja; capacitar os jogadores para o alcance os níveis de competitividade.

Conclusão.

Concluo o assunto com uma outra pergunta: será que a vontade de ganhar o campeonato sobrepõe a necessidade de uma preparação adequada? Querer ganhar é um anseio natural. Contudo, acho pouco apropriado acelerar-se os processos de aquisição das valências físicas, de aprendizagem/aperfeiçoamento da técnica e de discernimento tático individual dos atletas. Pode resultar em jogadores com limitações, os que os prejudicará ao longo de suas carreiras, e equipe inconsistentes.

Nas categorias de base os jogadores estão ávidos por conquista de títulos; natural. Mas também estão dispostos a se submeterem a tudo que os leve às conquistas. Sobretudo aprender tudo que lhes é ensinado. E é uma faixa de idade em que a evolução se dá em progressão geométrica. As dificuldades que encontram no início de uma temporada, de modo geral, são superadas com incrível velocidade. Desde, obviamente, haja sabedoria na concepção do Planejamento, de maneira adequar seus potenciais com trabalho objetivo; quer na progressão pedagógica/didática, quer nos prazos, quer na adequação das atividades. A meu ver existe uma ordem natural. É necessário lucidez, paciência e persistência. Acelerá-la, repito, pode não ser interessante. Avaliação do trabalho como todo não será avaliado nem no início nem no meio, mas no fim da temporada.

 

No próximo artigo abordarei outro princípio importante: Metodologia.

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