Crônica - A Importância de um bom Começo de Treinamento

 

O treinamento longo, de muitos meses, ou de vários anos, como os são realizados pelas seleções, requer enorme cuidado para que não se incorra no risco da repetitividade das atividades. Ou seja, a mesma rotina, os mesmos treinamentos, os mesmos exercícios, os mesmos procedimentos do treinador, etc. Pode resultar em desmotivação eventual ou recorrente.

Tenho como opinião que o treinamento, uma sessão do mesmo, um exercício deve ter componente constante: o desafio aos atletas. O que vem a ser desafio. Os exercícios, por exemplo, devem ter grau de dificuldade tal de modo desafiar os atletas a conseguirem realizá-los. O sucesso e, consequentemente, o aproveitamento com os mesmos ocorre na medida em que os atletas conseguem realizá-los corretamente.

O grau de dificuldade deve ser progressivo, a fim de colocar os atletas em confronto com constantes desafios. Conseguir + conseguir + conseguir resulta no aumento da capacidade, da competência e, por conseguinte, da autoconfiança. Mais, tornam-se cumulativos. Na medida em que vai se galgando níveis de capacidade maior, é possível reparar que aquele exercício que uma semana atrás, por exemplo, foi muito difícil, jã não o é mais, já são executados com maior facilidade.

Dito isso, penso que uma das atividades mais importantes do treinador e criar os exercícios, a graduação do grau de dificuldade dos mesmos, enfim, maneiras de manter seus atletas absolutamente concentrados ao longo de toda a duração do treinamento global.

Uma coisa que sempre me intrigou é maneira como se começam os treinamentos. De modo geral, dois atletas atiram a bola uma para o outro com as duas mãos acima da cabeça: na sequência apenas com uma das mãos; depois, alçam a bola e atacam na direção do companheiro; a seguir, começam dando dois toques (um para cima o outro para o companheiro); adiante, duas manchetes (uma pra cima a outra para o companheiro); seguindo, tocam um para o outro, manchete um para o outro; na continuidade, começam o ataque e defesa tradicional, etc. Alguns atletas realizam essa atividade com esmero. A maioria realiza de maneira preguiçosa, sem qualquer preocupação com a correção dos fundamentos; é comum vermos atletas segurando a bola quando esta não vem na mão. Se tiver alguém catando as bolas então, nem esboçam qualquer reação. Enfim, desperdiçam tempo precioso que, evidentemente poderia ser muito melhor aproveitado.

Ao longo da minha carreira sempre pensei o seguinte: o treinamento começa no primeiro toque na bola. Sempre tento incutir nas cabeças dos atletas que eles não podem se permitir executar qualquer fundamento sem a intenção de acertar; sob pretexto algum. Logo na primeira ação ele tem que estar se preparando para as atribuições que lhes cabe num jogo. Que devem estar sintonizados com a realidade do jogo. Daí, de vez em quando, vejo um atleta agarrando uma bola. Incontinente pergunto: que parte é essa do jogo em que você pode segurar a bola?

Enfim, se a bola vem à frente/direita/frente/atrás requer um deslocamento, tendo em vista a execução correta. Não sou eu que estou dizendo; assim é o jogo.

Mais, alguns treinadores não dão muita importância a essa parte do treinamento. Deixam por conta dos atletas, não interferem. Depois de algum tempo (muitas vezes 15, 20 minutos) começam o treinamento, por exemplo, de levantamento. Qual o fundamento requerido para a execução do levantamento? O toque e a manchete. Qual seria o momento de aperfeiçoá-los? Seria, por acaso, aquele período do trenamento em que o treinador permitiu que seus atletas ficassem executando os fundamentos de qualquer maneira, de maneira preguiçosa?

Pensando assim, as Comissões Técnicas da Seleções Brasileira Sub 19 e Sub 21 fizemos uma experiência, a fim de aumentar a motivação de nossos atletas nessa mencionada atividade. A seguir, apresento como DICA. Pode ser adequada a qualquer nível, de inciantes a profissionais. Para acessá-la clique e: Controle da Bola

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