Comandantes e Comissões Técnicas de Alto Nível.

por Evandro Mota (*).

Há mais de vinte anos que tenho colaborado na preparação de equipes de alta performance e cada vez tenho mais certeza de algumas coisas. Uma delas é:

nem o sucesso e nem o fracasso são resultados de um único acontecimento.

Não há mais espaço para amadorismo na preparação de alto nível. O desempenho final de uma equipe é a resultante do esforço e competência de profissionais de várias áreas. Quanto maior for a capacidade dos profissionais envolvidos na preparação dos atletas de trabalharem em conjunto, melhores serão os resultados alcançados. E para liderar esses profissionais é preciso que o Comandante tenha a percepção das qualidades que hoje são fundamentais.

1. Velocidade.

O ritmo com que as coisas se sucedem e a percepção de que a vida útil de uma informação (e de alguns conhecimentos) está cada vez menor exige do Comandante uma agilidade para optar corretamente entre a ruptura e a continuidade de procedimentos.

2. Polivalência.

A complexidade de fatores que acabam interferindo no desempenho final de uma equipe obriga o Comandante a ter a capacidade de analisar o todo e identificar onde alguma coisa pode ser melhorada. Isso não significa que ele tenha que exercitar uma administração "invasora" (fazer o que um dos profissionais de sua equipe deveria estar fazendo). Mas delegar significa saber cobrar resultados.

3. Visão.

Ter uma imagem clara de onde a equipe pode chegar e "vender" esta visão para todos é uma forma de abrir perspectivas para os envolvidos no projeto e, em todos esses anos, eu venho constatando que nada motiva mais do que a abertura de perspectivas. Mostrar onde as pessoas podem chegar, o que elas poderão se tornar ou o que elas obterão ao dar o seu máximo para alcançar um objetivo é um dos mais potentes "dopings" motivacionais.

4. Capacidade de realização.

Não quero entrar no mérito da polêmica sobre a melhor maneira de aferir o resultado de um trabalho, mas o fato é que o Comandante nunca pode esquecer de duas coisas:

1) Ele é avaliado pela competência e resultados obtidos pelos seus comandados;

2) A vida vai sempre nos julgar não pelo o que sabemos, mas pelos resultados que obtemos.

5. Entender de gente.

A excelência não é um evento mágico. Ela exige que o Comandante saiba gerenciar pessoas e possa extrair o melhor que elas possam oferecer. Somente através de ações conjuntas se consegue atingir o topo. Nada mais ultrapassado do que a mentalidade do trabalho de "euquipe". Nada atrapalha mais do que ter na sua Comissão Técnica profissionais que ainda praticam a Teoria de Noé (isso "noé" comigo...).

A melhor imagem que conheço para ilustrar o bom funcionamento de uma Comissão Técnica de alto nível é a de um barco a remo. Todos estão no mesmo barco e cada um é responsável por um remo. Se alguém abandonar o seu remo ou remar de uma forma inadequada vai afetar a velocidade e o rumo da nau. Se você perceber que alguém está remando errado, deve dar-lhe uma orientação, mas nunca abandonar o seu remo e fazer o que compete ao outro.

Em algumas ocasiões a troca de remadores é a única alternativa para se implantar a cultura da excelência num ambiente competitivo. Lembre-se que não há mudança sem mudanças e que não há revolução sem paredão. Muitas vezes se a troca de componentes não for feita rapidamente vai comprometer o resultado final de todo o grupo. Também não se pode acreditar que a ausência de um ou dois remadores possa ser compensada pelo esforço dobrado de todos os outros componentes.

Não adianta haver a melhor palestra de motivação do mundo visando à superação de desempenho se física, técnica, tática e organicamente os atletas não estiverem preparados para tal desempenho. É por saber de tudo isso que cada vez que vejo uma equipe Campeã, seja de que esporte for, eu me emociono ao pensar na quantidade de profissionais competentes que trabalharam para que aquele resultado fosse alcançado.

(*) Evandro Mota é engenheiro, escritor, consultor e requisitado palestrante nas áreas: motivacional, de auto-gestão e de melhoria de performance. Já ministrou mais de 600 Cursos na área de desenvolvimento pessoal para cerca de 100 mil pessoas. Mota já conduziu centenas de seminários, palestras, cursos, tele-conferências e treinamentos na área educacional, empresarial e esportiva. É autor dos livros: Algumas Maneiras de Fazer Alguém Feliz (7ª Edição - Ed. Luz), O Prazer da Vitória (4ª Edição - Ed. Gente), Nada do que Foi Será... e Escolhas e Conseqüências. Foi atleta de basquetebol (Botafogo F.R.), futebol de praia, futebol de campo e futsal. Terminando o seu curso de engenharia e disputando o Campeonato Carioca de futsal (C.R. Vasco da Gama) ele teve acesso ao que mais tarde ficou conhecido como Qualidade Total e teve a idéia de aplicar tais conhecimentos em si mesmo como atleta. Os resultados foram surpreendentes e logo depois outros atletas começaram a lhe procurar para compartilhar as suas experiências bem sucedidas e desde então não parou mais de atuar na área de treinamentos. Visite a página www.evandromota.com.br

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