Pliometria

por Prof. Edson Figueiredo (*)

 

Vamos falar sobre potência muscular de membros inferiores. Nos dias de hoje não podemos negar a eficiência e segurança da maquinaria à disposição dos profissionais responsáveis pela preparação física dos atletas. Porém, não devemos nos esquecer das metodologias utilizadas durante anos com sucesso e segurança mais que comprovados.

Um exemplo são os exercícios pliométricos, que buscam através de um recrutamento máximo de fibras musculares, o desenvolvimento da Força Explosiva ou Potência Muscular. Esta metodologia, por razões a serem observadas em seguida, deve ser restringida à atletas, devendo-se evitar sua aplicabilidade na população que pratica o esporte eletivo.

Desenvolvimento

Os pliométricos são exercícios que utilizam um recrutamento máximo de fibras musculares, partindo de um pré-estiramento ou alongamento da musculatura (reflexo miotático), adicionando-se uma contração excêntrica, um rápido instante de isometria, e uma contração concêntrica. Traduzindo, é um movimento onde conseguimos uma ação sobre o fuso muscular e pela qual obtemos um reflexo involuntário que chamamos de reflexo miotático, aliado à uma ação negativa (excêntrica), uma desaceleração e uma resposta imediata de forma positiva (concêntrica), passando antes por um rápido mas existente instante de isometria .Torna-se importante relembrar que a potência muscular nada mais é do que a junção da força com a velocidade, o que obriga que a passagem da fase negativa para a positiva ocorra com a maior velocidade possível e no menor tempo.

Tornam-se pré-requisitos: para uma performance eficiente e segura, o fortalecimento articular e o desenvolvimento prévio de Força e Velocidade. Como comentado anteriormente, a potencialização do grau de força em velocidade só atingirá o objetivo do trabalho se anteriormente fatores condicionantes da performance tenham sido devidamente desenvolvidos, o que além de possibilitar o treino da potência, estará garantindo que a articulação esteja apta a receber cargas de intensidade, como as que ocorrem quando do treino da força explosiva.

Observações:

1 - Nossa experiência com treinos pliométricos nos facilita fazermos algumas abordagens importantes para o trabalho, e entre inúmeras e importantes utilidades para um treinador, o simples implemento de uma corda de pular - que é muito comum entre lutadores de boxe e jogadores de basquetebol - tem uma utilidade incomparável, pois age sobre os membros inferiores e facilita a ação neuromuscular (estímulo/resposta), estimulando a velocidade de contato com o solo; sem falar no condicionamento cardiopulmonar que também é favorecido.

2 - Outra importante observação diz respeito à utilização de implementos, tais como sobrecargas para aumentar ainda mais os níveis de potência. Porém, é comum vermos o uso de cargas muito elevadas que impossibilitam a resposta muscular veloz, o que descaracteriza completamente a força rápida, e traz como resultado um atleta lento.

3 - Quando da planificação para a aplicação dos pliométricos, é de fundamental importância que o microciclo tenha como predominância, em suas sessões, estímulos anaeróbios e/ou de velocidade. Ou seja, onde as fibras de contração rápida estejam sendo trabalhadas como objetivo de momento.

(*) - O Prof. Edson Figueiredo é especializado em Treinamento Desportivo, Coordenador do Curso de Pós Graduação em Ciência da Performance Humana da Universidade Gama Filho, foi· Preparador Físico da Seleção Brasileira de Basquetebol 1994 / 1999 e Bolsista do C.O.I. (Solidariedade Olímpica) - U.S.A 1993/1994.

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