A Importância da Conjugação dos Treinamentos Técnico e Físico.

por Prof. Edson Figueiredo (*)

 

No estudo do Treinamento Desportivo, os Jogos Olímpicos sempre serviram e servem como referencial. Caracteriza períodos específicos e marcantes na evolução do processo esportivo competitivo.

Assim foi, por exemplo, com os Jogos de Olímpicos realizados no pós-guerra, em que se mitificou o legendário Emil Zatopek. Ocorreu, pela primeira vez, a associação do treinamento físico com a fisiologia estudada, concebida e desenvolvida em laboratórios.

Outra evolução significativa sucedeu-se a partir dos Jogos de Los Angeles (1984). Deu-se o início ao Período Tecnológico do Treinamento Desportivo, decorrente da utilização de grande "parafernália" tecnológica para a mensuração de resultados, tão comuns nos dias de hoje.

Os Jogos de Seul (1988) foram decisivamente marcantes para mudanças que repercutem e muito, ainda, nos dias de hoje. Ainda nestes Jogos - após anos de "mascaramento" - o Comitê Olímpico Internacional passou a aceitar atletas profissionais no Desporto Olímpico.

Outro fato marcante desta época foi a descoberta pelos meios de comunicação de que o esporte vende. Nesta época ocorre também a implosão da Escola Socialista, que proibia a remuneração de atletas por meio de dinheiro, mas recompensava com regalias do antigo sistema estatal.

Com mudanças tão significativas, o quadro esportivo mundial modifica-se significativamente. Surgem vultosos patrocínios como meio de custeio para atividade competitiva. Multiplicam-se os Circuitos Internacionais e "Meetings" Esportivos; o atleta passou oficial e definitivamente a ser profissional.

Tais transformações e evoluções têm resultado, obviamente, em conseqüências e alterações no Treinamento Desportivo. Citarei algumas, por exemplo, para ilustrar este artigo.

A Periodização do Treinamento, item essencial em planejamentos, atualmente não é mais apropriado. Uma Fase Básica, etapa da preparação global, que durava até 4 meses, hoje, praticamente desaparece. Neste periodo tão longo, os atletas já se encontram participando de várias competições que os remuneram e são indispensáveis para seus sustentos. O Lastro Fisiológico, acumulado em anos sucessivos de preparação, hoje, passa a ser considerado com ênfase pelos treinadores.

As características das sessões de treinamento também se modificam. Uma delas verifica-se na interpretação do Princípio da Interdependência das Cargas de Treinamento (volume/intensidade). O fator Intensidade passa a ser preponderante. Numa representação gráfica ilustrativa, a curva que a indica, acentua-se em relação à que representa o volume. A diminuição do tempo disponível para preparação global torna-se muito menor. De modo inverso é requerido ao atleta apresentar-se bem fisicamente ao longo de toda a temporada.

Com estas alterações, ganha espaço o Treinamento Orgânico Integrado (TOI), que está sendo apresentado aqui, no JustVolleyball. Na elaboração e planejamento do TOI é essencial considerar as necessidades específicas de cada modalidade, tais como: os sistemas de fornecimento de energia; as valências físicas, indispensáveis para a realização das funções do jogo; os grupamentos musculares envolvidos na execução dos fundamentos; e outras variáveis importantes. Fundamental considerar detidamente as necessidades individuais, mensuráveis nos testes físicos que precedem a concepção dos planejamentos e de extrema importância para a orientação de técnicos e preparadores físicos.

(*) - O Prof. Edson Figueiredo é especializado em Treinamento Desportivo, Coordenador do Curso de Pós Graduação em Ciência da Performance Humana da Universidade Gama Filho, foi· Preparador Físico da Seleção Brasileira de Basquetebol 1994 / 1999 e Bolsista do C.O.I. (Solidariedade Olímpica) - U.S.A 1993/1994.

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