Estratégias/Táticas - Artigo 78

 

- Estratégias / Táticas Ofensivas - Transições entre Sistemas.

 

- Transição entre os Sistemas:

- do Defensivo para o Ofensivo;

 

- do Ofensivo para o Defensivo.

 

- Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo após Ação Defensiva Negativa.

Como mencionado no Artigo 76, Ação Defensiva Negativa – quando a bola, após a defesa e/ou um toque no bloqueio é levantada no terço final da quadra e/ou fora dos limites da mesma.

Tomemos como exemplo o diagrama a seguir. Uma disposição defensiva com Bloqueio Duplo para o ataque na pos. 2 da quadra oposta. B2 (o levantador), está em seu posicionamento defensivo.

A bola, após a defesa ou um toque no bloqueio, se encontra nestes pontos. É uma situação bastante complicada e requer muita atenção para com os procedimentos.

 

 

 

- Procedimentos dos Jogadores.

 

De antemão estão descartadas quaisquer opções de velocidade. As bolas a serem levantadas são:

- Alta nas Extremidades da Rede (pos. 2 e 4);

- Bola do Fundo, obviamente, para equipes que dispões de atacantes com capacidade para atacá-la.

O exemplo no diagrama a seguir, é de um bloqueio duplo (B4 e B3) na pos. 4. B2, no caso, encontra-se no posicionamento de defesa. Os defensores, um dos quais D1 (o Levantador), dispostos em posicionamento, bem simples, na defesa.

Os Bloqueadores saem da rede e recuam diagonalmente para pontos em que farão duas aproximações:

- a Primeira, do ponto em recuou até o ponto em fazem suas aproximações finais (últimas passadas);

- a Segunda, a Aproximação Final propriamente dita. Neste caso, inevitavelmente, é mais longa.

No diag. 02, a movimentação de B4 (atacante A4) e B2 (atacante A2). Eles recuam diagonalmente (linhas tracejadas, em azul) de maneira proporcionar a passagem da trajetória da bola (linha interrompida, em verde).
B3 (atacante A3, de modo geral o atacante da Bola de 1º. Tempo, recua, mas, em virtude da grande distância, não tem como ser acionado.

Os Defensores, DL é o Levantador. Desloca-se, com máxima velocidade, para o ponto do Levantamento.D5 e D6 aguardam o levantamento e se deslocam para os pontos da Cobertura do Ataque.

Nota

É fundamental a participação de todos os jogadores na cobertura do ataque. Diante da previsibilidade dos pontos de ataque, muitas equipes – sobretudo as de alta competitividade – utilizam bloqueios triplos.

 

 

No diag. 03, alternativas de ataque com A3 (geralmente atacante das Bolas de 1º. Tempo) e com D6 (atacante do fundo). Repare que eles se afastam para a esquerda (linhas tracejadas, em azul), de modo propiciar espaço para a passagem da trajetória da bola (linha interrompida, em verde).

 

Nota

São opções que só podem ser executadas por levantadores e atacantes jogadores de altíssima categoria.

 

Levantada a bola o atacante acionado faz sua aproximação final. Os demais jogadores se deslocam para compor a Cobertura do Ataque.

 

Agora, vejamos o exemplo de bolas levantadas fora da quadra. Nos diagramas a seguir, dois exemplos. Em ambos, o bloqueio é triplo (B4, B3 e B2) na pos. 2. No diag. 4, a bola é levantada da direita para a esquerda; no diag. 5, da esquerda para a direita.
Os procedimentos dos Bloqueadores é um pouco diferente. Isto é, não há necessidade de recuar tanto. Também, de abrir muito a fim de propiciar espaço para a passagem da trajetória da bola; a mesma vem, praticamente, paralela em relação à rede. O mais importante: esperar a saída da bola das mãos do levantador para, então, inciar a aproximação final para o ataque.

 

 

No diag. 4 coloco o A4 duas vezes; equívovo. O A4 da Saída da Rede é o A2

 

Os procedimentos dos Defensores são os mesmos: aguardar o levantamento e cobrir o ataque. Nos casos em que um dos defensores é incumbido do ataque do fundo, o mesmo tem deslocar do seu posicionamento de defesa para o ponto em que parte para o ataque.

 

Algumas equipes - geralmente de categorias de base - podem utilizar B3 para ataque de Bolas Altas no terço central da rede. Outras – geralmente de alto nível – as Bolas Atacadas do Fundo, pela pos. 6.

Nota

Não é recomendável, uma vez que, certamente encontrarão bloqueios duplos e/ou triplos bem postados. Mais: é ínfimo o espaço na quadra oposta não coberto pelo bloqueio. Os atacantes mais experimentados costumam atacar no bloqueio (“exploram”) de modo que a bola saia dos limites da quadra.

Nos diagramas a seguir, as aproximações para o ataque de A3 (linha tracejada, em azul) e de D6 (linha tracejada, em vermelho) e as trajetórias da bola (linhas tracejadas, em verde). Repare que ambos atacam no mesmo espaço, como está destacado pelos retângulos na Zona de Ataque.

 

 

 

 

A Transição em rodízios com 2 Atacantes na Rede é ainda mais difícil. Um dos bloqueadores é o Levantador. Porém, existem algumas vantagens. No diagrama a seguir, os exemplos.

1 – No diag. 1. As equipes de categorias de base (Mirim e Infantil), por exemplo, A3, bloqueador central, em vez de atacar no centro da rede pode deslocar-se para a saída da rede e atacar uma Bola Alta, pela pos. 2 (linha tracejada em vermelho). É muito mais fácil atacar a bola nas extremidades da rede do que no centro da mesma.

2 – No diag. 2. As equipes de alta competitividade atacam a Bola do Fundo pela pos. 1 (deslocamento de D6 demonstrado na linha tracejada, em vermelho. É mais fácil “explorar” o bloqueio postado na pos. 4 da quadra oposta, por estar mais próximo da linha lateral da quadra.

Em ambos os diagramas, BL é o levantador. Ele se desloca do posicionamento de bloqueio para os pontos em que as bolas se encontram (linha tracejada, em verde claro). Também, as trajetórias das bolas (linhas interrompidas em verde).

 

 

 

Notas

- De qualquer das duas maneiras é possível atacar com, pelo menos, dois atacantes; um dos quais A4.

- Algumas equipes dispõem de mais de um bom atacante de Bolas do Fundo. No caso, utilizam um pela pos. 1 e o outro pela pos. 6.

 

 

- Aspectos que contribuem para o Sucesso da Transição.

Além dos aspectos mencionados nos artigos anteriores, as Transição com bolas levantadas de pontos tão desfavoráveis requer observância de outros de igual importância.

1 - É situação altamente favorável ao bloqueio adversário. Logo, a Cobertura do Ataque é fundamental. Recuperada a bola pela mesma, a equipe tem que ter a tática para realizar o re-ataque, isto é um novo ataque. As circunstâncias podem ser ainda piores. Em artigos adiante abordaremos, especificamente, o re-ataque.

2 - Os atacantes devem considerar - sempre - a ação de "explorar" o bloqueio. Em algumas ocasiões o bloqueio cobre grande parte da quadra oposta. É praticamente impossível atacar nos limites da mesma. Logo, "explorar" o bloqueio passa a ser a única alternativa válida.

Notas

- Nalbert, ex-capitão da Seleção Brasileira, tornou-se um grande especialista em "explorar" bloqueios. Diante de situações embaraçosas, era possível perceber sua intenção. Essa habilidade o transformou em um atacante notável - atacante de todos os golpes.

- No voleibol brasileiro usa-se um termo para o atacante que em circunstâncias complicadas não sabem o que fazer: "livrar-se da bola". Sem habilidade e inteligência, utilizam-se abusivamente de "largadas", por exemplo. Diz-se: não sabia o que fazer... "livrou-se da bola". Outros, são bloqueados, cometem seguidos erros. Enfim, o treinador deve treinar seus atacantes - também - para as situações mais desfavoráveis.

3 - É extremamente importante a capacidade do Levantador. São levantamentos de difícil execução. Requer qualidades físicas e técnicas que, obviamente, influem na precisão. No treinamento técnico individual, ele tem que praticar - sistematicamente - o levantamento diante de situações altamente desfavoráveis.

4 - Também no treinamento técnico individual os atacantes devem ser trabalhados para o ataque de bolas especiais. Por exemplo: curtas, muito longas, baixas, fora da rede, etc. Quanto mais recursos mais os atacantes podem contribuir para o sucesso das transições.

 

Continuação nos art. 79, com a Transição do Sistema Ofensivo para o Defensivo.

 

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