Estratégias/Táticas - Artigo 71

- Estratégias / Táticas Ofensivas para Neutralizar as Combinações de Ataque.

- Treinamento Tático Coletivo para Neutralizar Combinações de Ataque.

 

Como vimos no decorrer da apresentação dos artigos sobre as estratégias e táticas para neutralizar combinações de ataque, não houve qualquer pretensão de afirmar é assim, não é assim. Até porque, está mais do que provado, não existe uma receita; faça assim que vai se dar bem.

No jogo ocorrem centenas de alternativas decorrentes das capacidades físicas, técnicas individuais, táticas coletivas e acima de tudo, do talento dos jogadores de ambas as equipes.

Considerando essas variáveis, treinadores e jogadores devem empenhar-se ao máximo para construírem estratégias e táticas consistentes. Baseadas em componentes consistentes.

 

- Na qualidade individual, global, de seus jogadores.

- Levando-se em conta, de modo acurado, o nível da competição.

- De acordo com toda e qualquer informação acerca das características individuais dos todos os jogadores, de todas as equipes adversárias.

 

Construídas Estratégias e Táticas, colocá-las à uma verdadeira provação. Isto é, submetê-las à rigorosa verificação. Diante de simulações reais das situações de jogos que serão encontradas. Identificar pontos fortes e pontos vulneráveis. Corrigi-los, aperfeiçoá-los, enfim, certificar-se de que as mesmas são consistentes, confiáveis e, acima de tudo, que coloca a equipe no nível de competitividade requerido pela competição.

 


 

- Objetivos.

 

1 - Propiciar aos atletas a oportunidade de se familiarizarem com os procedimentos que adotarão no desempenho de suas atribuições, no bloqueio e na defesa.

2 - Verificação da capacidade, real, de cada qual para execução das diferentes atribuições.

3 - Verificação das facilidades e, sobretudo, das dificuldades dos jogadores na execução dos procedimentos e criar meios de saná-las, minimizá-las, com vistas diminuir qualquer vulnerabilidade.

4 - Identificação dos pontos fortes e dos pontos vulneráveis existentes por ocasião da execução das estratégias e táticas construídas.

5 - Obtenção do melhor entrosamento possível entre os jogadores.

6 - Obtenção de todo e qualquer elemento que possibilite estimar, de modo palpável, o nível de performance a que a equipe pode atingir na competição.

 

Nota

 

Atualmente, é fácil o acesso a toda e qualquer informação. Sobretudo, com o advento da informática. São inúmeros aplicativos para estatística, sites de federações e confederações, câmeras altamente sofisticadas para gravação de jogos e treinamentos em DVD, jogos televisados, no Brasil e no exterior. Enfim, vastíssimo material para informação. Com isso, é possível realizar um trabalho em moldes semelhantes aos feitos pelos treinadores mais experimentados, pelas equipes mais competitivas. Ou seja, todo instrumento deve ser utilizado para conceber um treinamento baseado em dados concretos. Um dos mais importantes, na minha opinião, são os referentes aos níveis – individuais e coletivos – a serem alcançados com o treinamento.

 


 

- Características das Sessões do Treinamento Tático Coletivo.

 

A fim de se alcançar todos os objetivos propostos, de se dar a maior objetividade possível ao treinamento e de se obter máximo aproveitamento para com o mesmos, alguns cuidados são importantíssimos. Treinador, seus colaboradores, atletas em treinamento (titulares), e atletas da equipe oposta (reservas) devem estar atentos para alguns fatores de suma importância para o sucesso de cada sessão do treinamento.

 

É muito comum alguns jogadores pensarem, no decorrer de um jogo, que podem “resolver” sozinhos, quer no bloqueio quer na defesa. Comportam-se como se estivessem numa “bolha”. Pensam, exclusivamente, em suas performances. No voleibol moderno isso não é mais possível, nem tolerável.

O bloqueio, por exemplo, pode ser e pode não ser uma ação final: bloqueio ponto; bloqueio nada. A defesa, da mesma maneira, pode ser perfeita, na qual a bola é enviada para a zona de levantamento, ou parcial, em que a bola continua em jogo. É necessário que todos os jogadores se conscientizem da importância de cada qual para o produto final; o sucesso da estratégia.

No treinamento técnico individual o bloqueio e a defesa são praticados, de modo estanque, tendo em vista a capacitação individual para executar as funções do jogo. No caso, o atleta treina a ação-sucesso.

No treinamento tático, não. Trabalha com mais objetivos.

No bloqueio:

- marcar pontos;

- tocar para diminuir a velocidade da trajetória da bola e propiciar uma defesa;

- ser uma referência para os jogadores da defesa.

Os dois últimos itens podem resultar em contra-ataque e, consequentemente, em ponto.

Na defesa:

- impedir que a bola não caia, que fique em jogo;

- o amortecimento do impacto das bolas enviando-as para a zona de levantamento e, na continuidade, a realização do contra-ataque.

O bom aproveitamento com os treinamentos táticos coletivos melhora também performances individuais. Por conseguinte, no aumento da contribuição de cada qual pode dar para a eficiência das estratégias e táticas. Cabe ao treinador empenhar-se para que os jogadores se conscientizem de suas importâncias tendo em vista a consistência do conjunto.

 

Pelo exposto no item anterior, é dever do treinador para com seus atletas:

- procurar interessá-los em adquirirem o discernimento tático individual fundamental para o desempenho de suas funções, quer no bloqueio quer na defesa e quer no contra-ataque;

- chamar atenção para o encadeamento que existe entre as funções - bloqueio e defesa - para o sucesso da ação defensiva;

- empenhar-se para que entendam os porquês de cada manobra, de cada procedimento, de cada ação individual.

 

Os atletas devem fazer de tudo para entender os raciocínios, as informações, as correções, enfim, tudo que possa contribuir para que possam tomar decisões no decorrer de um jogo. Decisões que, de modo geral, devem ser baseadas no entendimento deles próprios acerca do que ocorre no próprio jogo. Por exemplo, diante das características dos adversários e em determinados momentos do jogo, diria, cruciais. Devem entender, acima de tudo, que treinamento não é apenas praticar por praticar.

 

Um dos fatores da maior importância para obtenção do maior aproveitamento possível com o treinamento é o expediente com o qual treinadores, auxiliares e atletas se comportam ao longo do mesmo. A fim de conseguir máxima concentração de todos ao longo de todas a sessões de treinamento, sugiro a observância de alguns itens como prática cotidiana em cada sessão.

A - Apresentação dos Conteúdos dos Exercícios – exercício por exercício.

O treinador deve, na medida do possível, apresentar a dinâmica de cada exercício, esclarecer os procedimentos de cada jogador durante os quais e estabelecer os objetivos a serem alcançados.

 

Nota

Sugiro a utilização de todos os meios áudios-visuais existentes para a exposição dos conteúdos. Isto é, vídeos, slides, etc. Utilizei, ao longo da minha carreira, um quadro-negro com seis quadras desenhadas. Ali desenhava a combinação com a movimentação de cada atacante. Também, a movimentação dos bloqueadores e defensores da equipe. Especificava as atribuições de cada qual e estabelecia os objetivos a serem alcançados. O treinamento começava, diria, na “aula”, antes dos jogadores entrarem na quadra. Creio que o método não custa muito, pode ser feito por qualquer treinador, em qualquer lugar.

A seguir, o exemplo do quadro utilizado como meio auxiliar.

 

 

 

B - Acompanhamento da Execução – Compromisso com o acerto da Ação Defensiva como todo.

Não basta aos bloqueadores e defensores fazerem apenas suas partes. Todos devem contribuir para o sucesso da ação defensiva. Quer fazendo sua parte, quer orientando companheiros, quer tomando iniciativas. Enfim, todos têm algo para contribuir. Primeiramente na concepção, depois na sua execução e na execução dos companheiros. Sua participação, na execução propriamente dita é o ponto de partida da ação defensiva. Devem cumprir com suas atribuições:

- tentar o bloqueio da bola para obter o ponto;

- ocupar determinado espaço para impedir a passagem da trajetória da bola.

Depois, preocupar-se com a continuidade do jogo. Por exemplo, diante de um ataque em que a bola passa pelo seu bloqueio, existe a possibilidade ainda da defesa. No caso desta:

- empenhar-se para realizar o levantamento.

- deslocar-se para cobrir o ataque.

O sucesso da ação defensiva resulta na concretização do contra-ataque. Imbuídos em alcançar este objetivo, a equipe estará treinando várias funções em um mesmo exercício.

 

C - Avaliação - criteriosasa - da Execução.

Após a execução de cada ação cabe uma avaliação. Diante do sucesso, elogios. No caso de insucesso, a identificação e correção do erro. No bloqueio, na defesa, no levantamento e no ataque. Diferenciar a natureza do erro; técnico ou tático. O que deve ser corrigido.

Enfim, a avaliação da execução é extremamente importante para que os atletas sejam despertados para a necessidade de entenderem – tática-individual – o jogo, de modo global.

 

Nota

Recomendo – com toda ênfase – a utilização da avaliação escrita. Existem aplicativos sofisticados que são largamente utilizados por equipes de alta competitividade, de modo geral, nos jogos. Todavia o acompanhamento estatístico deve e pode ser feito também nos treinamentos.

 

Não é difícil construir um planilha simples na qual registra-se o desempenho/aproveitamento técnico individual dos jogadores. Nesta, devem constar os seguintes itens.

Sucesso – Bloqueio direto ou Amortecimento do Ataque em que a bola fica na própria quadra;

Erro – no bloqueio, na defesa, no levantamento ou no ataque.

Ao final do treinamento o treinador faz a avaliação e pode ter a avaliação estatística como meio auxiliar para a mesma.

A seguir, um exemplo de planilha para avaliação estatística, que pode ser feita por todo mundo e adotada nas sessões de treinamento tático.

Nesta, um espaço para as ações bem sucedidas que resultam em ponto; pode ser por meio do bloqueio direto ou pelo ataque, ação final da transição (contra-ataque) . Um espaço para apontar o erro; se no bloqueio, na defesa, no levantamento ou no ataque. Na linha final a soma dos itens e relativo aproveitamento.

 

 

Ação #

Sucesso

Erro

Apv

 

Blq

Amort.Atq.

Blq

Def

Lev

Atq

%

1

x

 

 

 

 

 

 

2

 

 

 

X

 

 

 

3

 

 

 

 

x

 

 

4

 

 

 

 

 

x

 

5

 

x

 

 

 

 

 

6

 

x

 

 

 

 

 

7

 

x

 

 

 

 

 

8

 

x

 

 

 

 

 

9

 

 

 

x

 

 

 

10

x

 

 

 

 

 

 

               

Tot.

2

3

1

2

1

1

60

 

Aspecto da maior importância. É bastante comum, colaboradores do treinador e jogadores da equipe oponente participarem do treinamento sem a devida responsabilidade para com os objetivos a serem alcançados. Não se empenham, cometem erros bisonhos, falam, brincam, enfim, não se dão conta da importância de suas participações.

O bloqueador só será bom se empenhar-se para neutralizar um bom atacante. O defensor só será bom se praticar contra bons atacantes. Ou seja, o bom nível do treinamento depende de todos e é conponente fundamental para o alcance da competitividade almejada.

 

Partindo do pressuposto de se cercar de todos os recursos disponíveis, creio ser útil sugerir alguns meios auxiliares que podem enriquecer as sessões do treinamento tático coletivo.

- Equipe oponente com Levantador e Atacantes hábeis e precisos.

O treinador seleciona, por exemplo, uma combinação de ataque a fim de que a equipe em treinamento pratique a estratégia defensiva correlata. Os levantadores e os atacantes que executarão a mesma devem ser hábeis e precisos. Nada, absolutamente nada, dissipa mais a concentração dos jogadores do que os erros sucessivos.

A dinâmica do treinamento deve ter em vista a repetitividade das ações. Ou seja, a equipe oponente executa a combinação e a equipe em treinamento empenha-se para neutralizá-la. Conseguindo ou não, a ação sucessiva deve começar imediatamente. Agora, vamos imaginar a cena. A bola entra em jogo e a equipe oponente erra; erros na recepção do saque, no levantamento, no ataque (para fora, na rede, etc.). Uma vez ou outra é uma coisa; sucessivamente, quebra a sequência da sessão do treinamento. O ideal é que a bola fique em jogo o maior tempo possível, que ocorram várias e várias transições por ambas as equipes.

 

- Arbitragem em todas as sessões de treinamento.

 O apito, ainda que pareça dispensável, é instrumento formidável. Disciplina a atividade. O treinador ou um colaborador autoriza e finaliza as ações. Marca as infrações. Adverte por ocasião de atitudes impertinentes à atmosfera da sessão, etc. Enfim, contribui e muito para manter o expediente de disciplina e de cumprimento das regras no decorrer da prática, o que simula a atmosfera característica de um jogo.

 

- Marcadores e Índices.

O treinamento tático coletivo, como veremos, adiante, na discrição dos exercícios, é composto por módulos. Estabelecer índices, metas, etc, contribui para o aumento da concentração geral. Por exemplo, sets de x pontos, tarefas de y pontos, etc.

Esse tipo de atividade desperta a competitividade dos atletas em treinamento. A fim de que o treinador e os jogadores acompanhem as contagens, é aconselhável a colocação de um placar em local bem visível. Além dessa vantagem, existe a de evitar discussões, confusão e, consequentemente, quebras de concentração.

 

- Material áudio-visual para exposição dos conteúdos e avaliação da execução do treinamento.

Como mencionado anteriormente, existem meios altamente sofisticados (diapositivos, vídeos, etc). Meios mais simples, como o quadro-negro. O mais importante é que os atletas visualizem as ações que serão realizadas na sessão do treinamento. Que tenha oportunidade, antes de realizá-las, de tirar dúvidas, sugerir alternativas, etc.

Segundo o brilhante especialista no método Domínio e Orientação da Mente (DOM), Evandro Mota, uma ação previamente mentalizada será muito melhor executada na prática propriamente dita. A questão é justamente esta: propiciar a oportunidade aos atletas de mentalizarem o que farão momentos depois.

 

Nota

 

Um ex-treinador da seleção chinesa feminina, na década de 80, utilizava para este fim cartas de baralho sobre uma mesa. Alguns outros treinadores usavam botões. Enfim, nem todos os treinadores dispõem de meios sofisticados como os treinadores de equipes de alto nível. Mas podem criar outros meios, mais simples, que não custem tanto dinheiro. O importante é entender a importância do método e utilizá-lo como prática comum.

 

 

- Material para Avaliação Objetiva.

A avaliação do treinador tem peso preponderante; óbvio. Ele deve externá-la após a execução de uma ação – elogio ou correção. Após um módulo da sessão. E ao final do treinamento: é indispensável.

Considero extremamente importante, também, a avaliação objetiva. Uma folha de papel e uma planilha simples, como a apresentada anteriormente. Basta que contenha mais alguns itens. Por exemplo.

 

1 - No de Ações – indispensável para o cálculo do aproveitamento:

no de ações certas x 100 / no de ações.

2 - No de Ações Certas

- corresponde ao contra-ataque acertado em que a bola “morre”.

3 - No de Ações Erradas:

- erro técnico; decorre de falha no bloqueio, na defesa, no levantamento, no ataque.

- erro tático; o jogador não consegue o acerto em virtude de estar posicionamento incorretamente.

 

Na Planilha a seguir, exemplo da disposição dos itens. Nos referentes ao bloqueio, a defesa, ao levantamento e ao ataque há uma diferenciação entre o erro técnico e o tático. É fácil de ser feita e pode ser utilizada por qualquer treinador, independentemente do nível de competitividade de sua equipe.

 

 

Ação #
Ações Certas
Ações Erradas
Aprv
Blq
Def
Lev
Atq
em %
Err Tec.
Err Tát.
Err Tec.
Err Tát.
Err Tec.
Err Tát.
Err Tec.
Err Tát.
1
x
2
x
3
x
4
x
5
x
6
x
7
x
8
x
9
x
10
x
11
x
12
x
13
x
14
x
15
x
16
x
17
x
18
x
19
x
20
x
21
x
22
x
23
x
24
x
Tot
12
1
1
2
2
1
1
3
1
50

 

 

Com a sucessão de sessões de treinamentos, táticos individual, os dados poderão ser compilados e darem origem ao um banco de dados, com gráficos, etc. É uma orientação válida para treinador e atletas; um elemento que contribui para o aumento da motivação.

 

Nota

Como mencionado antes, existem mil e uma planilhas muito mais rebuscadas. A intenção para com este exemplo é a de mostrar que é instrumento possível a todos.

 

Continuação no artigo 72 com Sequências de Exercícios.

 

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