Princípios Importantes no Treinamento de Voleibol - Metodologia

Princípios Importantes - Metodologia - Parte 3 - Continuação do Artigo 54.

Modalidades de Sessões de Treinamento para a Elaboração e Consolidação da Estratégia Ofensiva.

Antes de sugerir alguma Modalidade de Treinamento é necessário considerar as condições para a realização do Treinamento Global. Por exemplo.

a - disponibilidade de quadra; cerca de duas horas;

b - programação com pelo menos quatro dias por semana.

c - suficiente número de bolas, cerca de dez;

d - membros na Comissão Técnica que possam auxiliar na execução do treinamento.

Muitas Escolas ou Clubes não possuem as condições mínimas, ou seja, quadra disponível, bolas, colaboradores, etc. Muitos Clubes em todo o Brasil, dispõem de boas condições, para equipes de categorias de base e de alto nível. Logo, vou sugerir Modalidades considerando as duas realidades.

1 - Treinamento Coletivo.

Adequado à Escolas ou Clubes que não possuem as condições mencionadas acima.

Partindo do pressuposto de que não há possibilidade de o Professor/Treinador melhorar, de modo significativo, as capacidades físicas e técnicas de seus comandados:

- adotar Estratégia Ofensiva mais Simples possível e adequada às capacidades dos jogadores;

- investir na maneira de explicar as atribuições de cada qual, sabendo-se que uns têm capacidade de entender e reproduzir mais rapidamente o que é explicado, outros não;

- valorizar ao máximo os jogadores mais bem dotados para a Recepção e a eles atribuir maior porção da quadra;

- valorizar ao máximo os jogadores mais capacitados no ataque e neles basear as ações ofensivas;

- evitar exercer pressão psicológica excessiva, ou seja, exigir algo que um ou outro jogador não tem capacidade de realizar; o ideal seria dizer: entrem na quadra e se divirtam.

 

- Armar o time na quadra e explicar os posicionamentos e os deslocamentos (setas tracejadas em azul claro, nos diagramas a seguir), de cada qual, em cada um dos seis rodízios;

- Dividir a quadra de modo atribuir maior porção aos mais capazes, na Recepção (diagramas a seguir).

- Estabelecer o Tipos de Bola a serem levantadas/atacadas em cada um dos 6 Rodízios.

- Aventar as melhores e as piores hipóteses de acordo com os Levantamentos, ou seja; como e onde atacar com a bola bem levantada, onde e como colocar em jogo na bola mal levantada (retângulos amarelos, como exemplos, nos diagramas a seguir).

 

 

 

Nota

Explicar a importância da recomposição rápida da equipe para receber a bola passada pelo adversário por meio do toque e/ou da manchete, considerando que no nível de competitividade em que a equipe está envolvida, são recíprocas as dificuldades das equipes para atacar de modo eficaz.

 

 

- Estágio 1

Dinâmica 1 - O Professor/Treinador posicionado no centro da quadra oposta, lança bolas ou executa saques, por baixo, isto é, sem qualquer dificuldade. A cada determinado número de saques, promove um rodízio.

Dinâmica 2 - Lançamento de bolas ou saques sem qualquer dificuldade da linha do fundo da quadra oposta.

Dinâmica 3 - Aumento - gradativo - do grau de dificuldade dos saques.

- Estágio 2

Mesmas dinâmicas do Estágio 1, agora com a inclusão dos Levantamentos para cada um dos atacantes, em cada um dos seis rodízios.

- Estágio 3

Mesma Dinâmica do Estágio 2, agora com a inclusão do Ataque, para cada um dos atacantes, em cada um dos seis rodízios.

- Estágio 4

- Confronto (jogo) com Equipe Oponente; se houver possibilidade. Importante: numa fase inicial os saques devem ser desferidos pelo Professor/Treinador, a fim de que ele possa fazer a equipe praticar as virtudes e superar as deficiências. Os saques executados pelos colegas são irregulares, quanto aos acertos e quanto a precisão.

 

Notas

1 - No Planejamento o Professor/Treinador estabelece a Estratégia Ofensiva. No caso de equipes de Escolas ou Categorias de Base de Clubes, a mesma deve ser compatível com as condições de trabalho e as capacidades dos jogadores. Nesse método sugerido, o objetivo é pouco ambicioso. Ou seja, obter a maior eficiência possível em ações simples. Na medida em que houver consolidação é possível ambicionar, gradativamente, níveis mais elevados. Sem esta (consolidação), os próximos passos podem ser mais difíceis de serem dados.

2 - Em virtude da possível incapacidade técnica dos jogadores, o Método se baseia no entendimento das atribuições de cada qual.

3 - Os jogadores executarão ações simples, de acordo com as suas reais possibilidades, em vez da fraustração na tentativa de realizar ações para as quais não estão capacitados.

4 - Muito por causa das insuficientes condições de trabalho, o processo é lento e requer extrema paciência do Professor/Treinador e dos atletas.

5 - Há o risco de nivelamento por baixo, no caso de não haver aproveitamento máximo dos jogadores mais capacitados. Ou seja, o que é adequado aos jogadores menos capacitados pode ser insuficiente (para evolução) aos jogadores mais capacitados; o que é adequado aos mais poder impossível aos menos. O Professor/Treinador de estimular os mais capacitados a ajudarem os menos capacitados.

6 - Há a possibilidade de não se conseguir atingir o nível de competitividade ideal. Outras equipes podem estar em estágio mais avançado. A fim de minimizar os desdobramentos por isso, o Professor/Treinador deve consientizar seus atletas de que estão vivendo apenas um primeiro passo de uma trajetória longa, que pode os levar a níveis muito mais elevados; o que provavelmente todos, diria, sonham.

 


 

 

1 - Treinamento em Módulos.

Módulo 1 - Prática, exclusivamente, da Recepção.

1 - O Professor/Treinador posta os Jogadores de Recepção (JR) na formação de Recepção estabelecida. Cada qual em seus posicionamentos. Importante: em cada um dos seis rodízios.

2 - Executa saques consecutivos tendo em vista a prática da Recepção. Importante: adotar uma progressão em relação ao grau de dificuldade dos Saques.

Nos diagramas a seguir, exemplos. A mesma Ordem de Saque:

Pos 1 - Atacantes de Centro 1 (C1)

Pos. 2 - Atacante de Ponta 1 (P2)

Pos. 3 - Levantador 1 (L3)

Pos. 4 - Atacante de Centro 2 (C4)

Pos. 5 - Atacante de Ponta 2 (P5)

Pos. 6 - Levantador 2 (L6)

Diagramas 1 e 2 - Primeiro Rodízio. Exemplos de opções de Posicionamento dos Jogadores na Formação de Recepção: no diag. 1, L6 está no posicionamento avançado, no diag. 2, L6 no posicionamento recuado.

Diagramas 3 e 4 - Segundo Rodízio. Exemplos de alternativas para o Atacante de Centro C4. No diag. 3, posicionado para atacar no centro da rede; no diag. 4, para atacar na extremidade da rede (Pos. 2).

Estas variações devem ser estudadas pelo Professor/Treinador a fim de melhor aproveitar as capacidades de seus jogadores e, por conseguinte, facilitar o desempenho deles.

 

Nota

Nos artigo 54 apresento diagramas com exemplos das formações bem simples de Recepção com 5, 4 e 3 Jogadores, em todos os Sistemas. Clique nos links abaixo.

Sistema 3-3

Sistema 4-2

Sistema 51

 

 

 

Módulo 2 - Prática vinculada Recepção-Levantamento.

O Professor/Treinador, executa saques para a equipe disposta na Formação da Recepção. O levantadores, partindo dos seus posicionamentos (na Formação da Recepção), realizam os levantamentos da Zona de Levantamento para os pontos estabelecidos da rede.

Nos diagramas acima (1, 2, 3 e 4), a linhas interrompidas, em verde, simbolizam as trajetórias dos levantamentos; para as pontas (com P2, P5 e C4) e para o centro da rede (com C4).

 

Módulo 3 - Vinculado Levantamento-Ataque.

O Professor/Treinador no centro da quadra, laça bolas (simulando a trajetória da bola recepcionada) em pontos da Zona de Levantamento.

Os levantadores partem do ponto em que estão posicionados na formação de recepção e executam levantamento de diferentes tipos de bolas e de determinados pontos da rede, estabelecidos na Estratégia Ofensiva.

O atacantes buscam os alvos propostos pelo Professor/Treinador.

 

Módulo 4 - Vinculado Recepção-Levantamento-Ataque.

O Professor/Treinador dispõe os jogadores na Formação da Recepção.

Executa diferentes Saque com diferentes tipos de trajetória.

A equipe executa a ação ofensiva - virada de bola ("side-out") - sucessivamente.

 

Módulo 5 - Confronto com Equipe Oponente.

O Professor/Treinador promove jogo entre titulares contra reservas, jogos amistosos, etc.

 

Nota

- No Método sugerido, as atletas se concentram exclusivamente em cada uma da função que estão praticando. Por exemplo, apenas na recepção do saque. Quando têm que recepcionar e atacar, geralmente, não se concentram, da maneira que é necessário, na recepção.

- Na continuidade, as Funções, minimamente consistes, vão se vinculando umas as outras. A ação ofensiva, como todo, tende a se consolidar.

- O Professor/Treinador tem a oportunidade de identificar, em cada um dos seis rodízios, os pontos fortes e fracos. E fazer adaptações.

Nos links abaixo, é possível colher ideias em uma série de artigos que abordam características do Treinamento Tático Coletivo. Do artigo 16 ao 22, Sequências de Exercícios para o Treinamento da Recepção. E do 23 ao 29, Sequências de Exercícios para o Treinamento vinculado Levantamento-Ataque.

Cont. no art. 14, com outras Características do Treinamento Tático Coletivo.

Cont. no art. 15, com Características do Treinamento Tático Coletivo.

Continuação no art. 16, com Exercícios de Aplicação.

Menu Estratégias/Táticas relacionadas ao Sistema Ofensivo.

 

No próximo artigo importante: Prazos

Voltar ao Menu de Colunas

Voltar/Home